Resenha Crítica do Filme Obsessão (2025, Curry Barker)

Curry Barker migrou das curtidas no YouTube, onde, em seu canal “That’s a Bad Idea” (cocriado com Cooper Tomlinson), criava e postava esquetes de humor e filmes de terror de baixíssimo orçamento, como “Milk & Serial”, para escrever, dirigir e editar o novo fenômeno comercial “Obsessão” (Obsession, 2025). Sem recorrer ao galho mágico e amaldiçoado “Salgueiro de Um Desejo” (One Wish Willow), o youtuber, ator, comediante e cineasta norte-americano transformou um orçamento de 750 mil dólares em um lucrativo filme de terror psicológico, considerado um dos maiores fenômenos recentes do cinema independente, além de ser o longa-metragem original de maior bilheteria nos últimos anos.


Outro jovem talento promissor é a atriz Inde Navarrette. Ela transformou seu papel coadjuvante em uma performance que a consagra como protagonista indiscutível, dificultando a decisão sobre em qual categoria ela concorrerá no circuito de premiações do cinema em 2027. A entrega ao interpretar uma personagem marcada por extrema dualidade comportamental me surpreendeu, e acredito que a todos também. Sua contribuição para o sucesso do filme é inegável. Assiste-se, então, a uma atuação que é, ao mesmo tempo, assustadora e cômica. Com expressões corporais bizarras e cenas de violência. O domínio sobre a personagem provoca medo no espectador, mas também o faz rir, seja com mudanças repentinas de humor, que levam a personagem a soltar gritos histéricos, seja com caretas estranhamente engraçadas e quase sempre estáticas.

Embora possa parecer um filme com uma história original, tramas com essa temática podem ser encontradas até mesmo no folclore popular brasileiro por meio de práticas conhecidas como simpatias de amor ou feitiços de amarração. A força oculta presente na trama do filme “Obsessão”, por sua vez, mostra-se extremamente funcional e eficaz por meio de uma possessão demoníaca. No filme, o objeto que desencadeia um encantamento sinistro é chamado de “One Wish Willow” (Salgueiro de Um Desejo). Trata-se de um galho ou graveto de salgueiro seco que concede à pessoa que o adquirir o direito a um único desejo em toda a vida. Assim que o pedido for feito, basta colocar os polegares no galho e quebrá-lo ao meio.

Bear está em seu carro com a embalagem do "Salgueiro de um Desejo" (One Wish Willow) nas mãos, enquanto Nikki está de pé do lado de fora, sob a sombra, olhando para ele.
Dentro do carro, Bear segura a embalagem do “Salgueiro de um Desejo” (One Wish Willow), enquanto Nikki encontra-se do lado de fora, estática e coberta pela penumbra da noite, observando-o.

O “Salgueiro de Um Desejo” realmente cumpre o prometido, mas de forma distorcida e aterrorizante, lembrando uma versão moderna do clássico conto de terror “A Pata do Macaco”, do escritor inglês W. W. Jacobs, publicado pela primeira vez em setembro de 1902 na revista Harper’s Monthly Magazine (hoje conhecida como Harper’s Magazine ou apenas Harper’s). O artefato em questão foi comprado por Bear (Michael Johnston), um rapaz tímido e travado que nutre uma paixão não declarada por Nikki Freeman (India Navarrette), sua melhor amiga desde a infância. Quando oferece uma carona a ela, não consegue confessar seu amor por causa da timidez e insegurança. Assim que ela sai do carro, Bear pega o “Salgueiro de Um Desejo”, que deveria ser um presente para ela, e o usa para desejar que Nikki o ame mais do que a qualquer outra pessoa no mundo.

Embora o feitiço funcione, a forma como ela se apaixona não tem nada de romântico ou agradável; pelo contrário, trata-se de uma obsessão doentia e perturbadora do início ao fim, que leva a um desfecho catastrófico. A partir desse desejo, o terror sobrenatural se instala no romance sombrio, transformando o relacionamento do casal em um pesadelo real com consequências devastadoras. A alma de Nikki é arrastada para um lugar tenebroso além do mundo físico. Enquanto seu corpo é dominado e profanado por uma entidade maligna, ela tenta desesperadamente clamar por ajuda. É interessante como o diretor Curry Barker utiliza a interpretação versátil de Inde Navarrette para demonstrar o retorno da alma da personagem ao corpo, o que provoca uma mudança repentina e assustadora em seu comportamento, pegando de surpresa não só aqueles que estão com ela, mas também os espectadores.

A fotografia de Taylor Clemons captura tanto o cenário quanto os atores em um ambiente sombrio, colaborando para a construção e sustentação da tensão psicológica da narrativa. Essa técnica é particularmente eficaz quando Nikki, ou melhor, a entidade que a possui, age de maneira desconfortável e assustadora, mantendo todos em estado de alerta quanto a seus movimentos suspeitos, especialmente em um cenário que frequentemente transmite uma sensação de claustrofobia. O trabalho de cinematografia e o design de produção estão em plena coerência com a constituição visual demandada pela trama.

Rock Burwell, o profissional responsável pela direção da trilha sonora, compôs 26 faixas que exploram a musicalidade dos sintetizadores, mesclando um estilo nostálgico com uma sonoridade sombria. Além de contribuir com músicas originais, Burwell também esteve à frente da composição das músicas incidentais inseridas para acompanhar a narrativa e criar a atmosfera desejada pela obra. No caso do filme “Obsessão”, a música incidental instrumental também se apoia, em grande parte, nos sintetizadores. 

Esse uso de sintetizadores suscita um sentimento de nostalgia e remete a séries ou filmes de terror adolescente, com histórias fantásticas sobre jovens que desperdiçam sua energia, muitas vezes agindo de maneira estúpida e inconsequente. A esse respeito vale abrir um parêntese para citar uma frase célebre do dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues sobre a juventude: “Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade”. Em “Obsessão”, cujo elenco é composto em sua maioria por personagens que vivem essa fase da vida, o mais estúpido deles é interpretado pelo irritante Bear. Por não ter atitude, ele se torna um covarde diante da pessoa de quem gosta, o que o leva a agir por meio de magia, causando uma verdadeira desgraça em sua vida e na vida da pessoa amada.

Outro personagem que se destaca é Ian, interpretado por Cooper Tomlinson. Considero-o um típico amigo da onça, apesar de ele e Bear serem amigos e colegas de trabalho. Em determinado momento, descobre-se que ele e Nikki tiveram um breve relacionamento amoroso. Ainda que não estejam mais juntos, Ian parece guardar alguma fagulha desse sentimento do passado, o que leva à interpretação de que ele está com ciúmes do amor de Bear por Nikki. Isso fica mais evidente quando ele aconselha Bear a “preparar o terreno” para revelar seus verdadeiros sentimentos e o incentiva a ser malicioso, chamando Nikki de “Esquisi Nikki”, um apelido que a deixa chateada e que, provavelmente, a deixará zangada.

Nikki faz um "biquinho" para receber um beijo de Bear, depois de tirar Sarah de seu lado esquerdo, pois o jogo pedia que ele beijasse a pessoa à sua esquerda.
Durante uma noite de jogos na casa do amigo Ian, Nikki, em um ataque de ciúmes, se levanta e toma o lugar de Sarah, para que Bear a beije. O desafio do jogo que ele havia tirado era beijar a pessoa à sua esquerda; naquele momento, era Sarah quem estava à sua esquerda.

A atmosfera de “Obsessão” é marcada pela presença assustadora da personagem interpretada por Navarrette. Assistir ao show de horrores praticado pelo ser maligno que habita o pouco que resta de humano em Nikki é um verdadeiro espetáculo de freak show individual. Conforme a trama se desenvolve, o comportamento da garota enfeitiçada só piora as coisas para ela mesma, para as pessoas ao seu redor e para o seu objeto de desejo, feito de carne, osso e medo: Bear. Sua fixação transforma-se em uma loucura demoníaca, levando-a a cometer atos extremamente pesados, de um nível de gore monstruoso. Uma das cenas mais assustadoras de seu comportamento mórbido ocorre quando ela prepara um memorial macabro com o corpo do gato no meio da cozinha e usa a carne do animal de estimação para rechear o sanduíche do próprio tutor do pet.

O destino final dado por Nikki à personagem Sarah Harper (Megan Lawless), que desde o início demonstrou carinho e amor por Bear, é brutal e visualmente impactante, sem deixar espaço para qualquer tipo de reação. A cena é previsível, pois há constantes ataques de ciúme de uma mulher que está possuída e fadada a amar loucamente um homem mais do que qualquer outra pessoa. Esse ciúme se torna ainda mais evidente na cena em que o casal vai à casa de Ian para uma noite de jogos, bebidas e brincadeiras com conhecidos. Durante a brincadeira, Bear precisa beijar a pessoa à sua esquerda, que é Sarah. A partir desse momento, a reação de Nikki é assustadoramente bizarra, devido à expressão que ela faz. Em seguida, ela se levanta e ocupa o lugar à esquerda de Bear. As pessoas ao redor ficam atônitas com sua atitude, no mínimo, estranha. Após um discurso sobre a conexão do casal, ela tem um breve momento de lucidez, assusta-se, cai no chão e entra em estado de desespero por não compreender o que estão fazendo com ela. Ao se levantar, Nikki repete várias vezes que não está no domínio do próprio corpo e começa a se mutilar violentamente.

A partir desse momento, o enredo se aprofunda em um cenário caótico, sem chance alguma de retornar ao estado normal dos primeiros vinte minutos. O desfecho da história é marcado por um exagero grotesco e apelativo, no qual o caos organizado é planejado da maneira mais absurda possível. As palavras cessam de uma vez por todas, dando lugar aos efeitos práticos e de câmera. Felizmente, Curry Barker não exagera nos jump scares (sustos repentinos), tão comuns em produções do gênero horror. A tensão psicológica gerada pela ação prolongada de Nikki é digerida pelo espectador com uma carga significativa de desconforto, em meio à tensão gerada a cada aparição da personagem, cujo corpo é dominado por um ser sobrenatural maligno.

Embora o filme “Obsessão” tenha gerado uma enorme onda de popularidade, acredito que mais da metade desse sucesso se deve à dedicação de Inde Navarrette em cena, uma jovem atriz cujo talento surpreendente foi reconhecido por meio da personagem Nikki Freeman. Com uma interpretação ousada, ela impressionou ao retratar a dupla personalidade da antagonista e vítima. A maneira como transitou entre o cômico e o medonho foi algo fora da curva, incomum. Sua expressão corporal peculiar, além das inesquecíveis caras e bocas, a tornaram uma estrela de cinema disputada. Mérito também para o cineasta Curry Barker, outro nome a figurar entre os jovens talentos da sétima arte.

Inté, se Deus quiser!

 

NOTA: Nota do crítico - 3 estrelas (regular)

 

 

Trailer

 

Pôster

Pôster do filme "Obsessão" (Obsession, 2025).

 

Curiosidade sobre Obsessão

  • A produção foi realizada com um custo inferior a um milhão de dólares — com um orçamento declarado de US$ 750.000 — e filmada em Los Angeles, em outubro de 2024, ao longo de um cronograma de 20 dias. Após a estreia do filme na mostra “Midnight Madness” do Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 5 de setembro de 2025, a Focus Features adquiriu os direitos de distribuição por US$ 15 milhões ou mais, ao final de uma disputa de lances que durou cerca de 24 horas — o valor mais alto já alcançado por um filme de gênero na história do festival. Várias distribuidoras demonstraram interesse no filme, incluindo a A24 e a Neon;
  • O orçamento incrivelmente reduzido exigiu que fossem feitos alguns sacrifícios na iluminação. Para compensar, em muitas das cenas mais escuras, Inde Navarrette usava uma maquiagem que combinava efeitos de envelhecimento no rosto com íris pintadas sobre as pálpebras. O resultado é que, nos momentos mais escuros, o rosto de Nikki fica bem no “vale inquietante”, com olhos negros que parecem brilhar — imagem que se tornou uma das mais icônicas quase imediatamente após o lançamento (chegando até a aparecer em um dos pôsteres);
  • Logo depois que Bear quebra o “One Wish Willow” (Salgueiro de Um Desejo), Nikki abre a porta do lado do motorista do carro de Bear e diz: “Eu sei o que você está tentando fazer”; ela se levanta, vai virar à direita, depois à esquerda, dá meia-volta e ri de si mesma, enquanto Bear também ri e repete: “O que você está fazendo!?”. Na verdade, isso não estava no roteiro, pois Inde Navarrette havia esquecido se deveria virar à esquerda ou à direita e acabou dando uma volta de 180 graus; ela admitiu o erro em uma entrevista, mas a cena ficou tão estranha e adequada que decidiram mantê-la, e ela acabou entrando no filme;
  • O diretor Curry Barker adotou uma abordagem estilística que consistia em evitar cortes, a menos que fossem absolutamente necessários, e eliminar totalmente as tomadas de inserção, com a única exceção das tomadas de algo para o qual um personagem estivesse olhando ativamente. O filme inteiro é construído a partir da perspectiva do personagem Bear, interpretado por Michael Johnston;
  • Em algumas cenas com Nikki e Bear anteriores ao momento em que ele faz o desejo, o diretor Curry Barker pediu a Inde Navarrette que gravasse duas tomadas diferentes da mesma cena no papel de Nikki: uma em que ela realmente demonstrava interesse por Bear e outra em que não. Ambas as tomadas foram incluídas na montagem final para ressaltar a incerteza sobre se Nikki realmente gosta dele ou não, visto que o filme é apresentado principalmente sob a perspectiva de Bear. Um método semelhante foi utilizado no filme “Psicopata Americano” (2000), no qual Willem Dafoe proferiu algumas de suas falas três vezes; essas tomadas foram então usadas de forma alternada para destacar diferentes níveis de suspeita em relação ao personagem de Christian Bale, criando uma sensação de ambiguidade semelhante — sob a perspectiva do protagonista — àquela presente neste filme;
  • Curry Barker disse que Inde Navarrette o surpreendeu inicialmente pela calma que demonstrava ao se preparar para as filmagens:

“Ela é daquele tipo de pessoa que se mostrava muito reservada nos ensaios, então era um verdadeiro mistério para mim do que ela era capaz… lembro-me da cena… em que ela está beijando o Bear na cama e é lançada para trás… E olhei para a minha produtora, Haley (a produtora executiva Haley Nicole Johnson), e pensei: ‘Ok, temos um filme…’ Fizemos apenas uma tomada daquilo.”;

  • Inde Navarrette disse que se preparou para o papel de Nikki ao abraçar as emoções “feias” e sem filtros da personagem, desejando que cada sentimento humano cru fosse refletido no filme;
  • As filmagens principais do filme foram concluídas em 20 dias, com refilmagens adicionais elevando o total para 26 dias, em diversos locais na região de Los Angeles, com uma média de cinco a seis páginas de roteiro por dia;
  • O roteirista e diretor Curry Barker teve a ambição de filmar a produção principalmente com tomadas longas. Essa abordagem criou um grande desafio de edição, que o diretor aprendeu da maneira mais difícil, pois a falta de tomadas alternativas não deixou nenhuma opção para ajustar o ritmo durante a pós-produção. Curry Barker descreveu a necessidade de encontrar o ritmo certo no próprio dia das filmagens como uma lição essencial para qualquer pessoa que trabalhe nesse estilo;
  • O diretor Curry Barker convidou seu pai, o dramaturgo Jeff Barker, para escrever o monólogo de Nikki sobre “Hansel e Gretel” (João e Maria), com a intenção de que essa passagem apresentasse uma voz autoral distinta do restante do roteiro. Jeff Barker também atuou como consultor de roteiro na produção e aparece na tela como o apresentador do quiz no bar;
  • O papel de Carter, o dono da loja de música (interpretado por Andy Richter), foi originalmente oferecido a Ed Intagliata, o verdadeiro dono da Cassell’s Music. Quando Curry Barker e Cooper Tomlinson conseguiram a loja como local de filmagem, eles disseram a Intagliata que o papel do dono da loja ainda não havia sido escalado e perguntaram se ele gostaria de interpretá-lo. Intagliata pediu para ver o roteiro e percebeu que uma das falas continha um palavrão. Ele perguntou a Curry se poderia substituí-lo por uma palavra que não fosse um palavrão, devido às suas convicções religiosas, e quando Curry disse que não queria alterá-la, Intagliata recusou o papel. Andy Richter foi então escalado;
  • As cenas na loja de música da produção foram filmadas na verdadeira Cassell’s Music, localizada na Rua North Maclay, 901, em San Fernando, Califórnia. Trata-se da mesma loja de música onde foram filmadas cenas do filme “Quanto Mais Idiota Melhor” (1992), no qual o personagem de Mike Myers, Wayne Campbell, sonha com uma Fender Stratocaster de 1964 na cor Classic White. A Cassell’s Music fechou em 2025, após quase 78 anos de atividade, logo após a conclusão das filmagens da produção, em 2024;
  • A designer de produção Vivian Gray recordou que a caixa surgiu primeiro; o roteirista e diretor Curry Barker e a designer gráfica Amy Vega colaboraram nela meses antes de a maior parte da equipe se juntar ao projeto, analisando juntos diversos designs para a caixa da “One Wish Willow” — variando de estilos “modernos e de tons frios” a outros com estética “dreamcore” e formas curvas. Gray optou pelo design final porque a caixa, com suas três paredes e formato anguloso semelhante a uma pedra preciosa, parecia possuir seu próprio campo gravitacional; era um achado raro, porém nostálgico, com características que remetiam a artigos de brincadeira de lojas de piadas ou docerias tradicionais — uma inocência estética cuja subversão, no contexto da promessa do produto, tornava o objeto ainda mais perturbador. Amy Vega, mãe de Curry Barker, foi recrutada para criar a embalagem da “One Wish Willow” em sua atuação profissional como designer gráfica;
  • O terceiro filme de terror original de maior bilheteria mundial, depois de “O Sexto Sentido” (1999) e “Sinais” (2002), ambos dirigidos por M. Night Shyamalan;
  • O CEO da Blumhouse, Jason Blum, fez uma avaliação notável do que o diretor Curry Barker conseguiu realizar: “O que Curry conseguiu com “Obsessão” (2025), com aquele orçamento e prazo, é realmente impressionante. Ele dirige como alguém que vem fazendo longas-metragens a vida toda.”;
  • Curry Barker dirigiu “Milk & Serial” (2024), um longa-metragem de terror no estilo found-footage produzido com um orçamento de 800 dólares e lançado gratuitamente no YouTube, onde acumulou cerca de 2,4 milhões de visualizações. O sucesso viral de “Milk & Serial” (2024) levou Curry Barker a assinar contrato com a United Talent Agency no início de 2025. O acordo de produção para este filme havia sido firmado anteriormente, após o sucesso viral do curta de terror “The Chair” (2023) no YouTube; foi por meio desse curta que o produtor James Harris, da Tea Shop Productions, entrou em contato com Curry Barker para propor uma adaptação em longa-metragem — oportunidade que Barker aproveitou para apresentar, em vez disso, a ideia deste filme;
  • Curry Barker destacou o baixo orçamento do filme, afirmando: “As pessoas não sabem nem imaginam o quanto esse filme realmente custou pouco. Dizer que foi menos de um milhão é um eufemismo.”;
  • O diretor Curry Barker havia planejado, posteriormente, fazer algumas filmagens adicionais para a cena da festa, mas descobriu que a casa usada para filmar a festa havia sido totalmente destruída pelo incêndio de Palisades, em 2025;
  • O diretor Curry Barker se inspirou em uma caneta de brinquedo com a qual brincava quando criança para criar o mecanismo de encaixe do “One Wish Willow”. A designer de produção Vivian Gray e o responsável pelo acervo de adereços Luke Cull localizaram e desmontaram uma caneta semelhante e, em seguida, incorporaram um componente do mecanismo de encaixe dela ao adereço do “One Wish Willow”;
  • Ao interpretar Nikki, Inde Navarrette se inspirou em Megan Fox em “Garota Infernal” (2009), Toni Collette em “Hereditário” (2018) e Mia Goth em “Pearl” (2022);
  • Na cena em que Bear acorda e percebe que Nikki está agindo de forma estranha, uma dançarina foi chamada para fazer o papel de dublê de Inde Navarrette quando ela caminha ao redor da cama. É por isso que Nikki está segurando as flores na frente do rosto;
  • Embora seja o motor do terror no filme, Inde Navarrette descreveu-se como alguém extremamente sensível ao gênero, admitindo que filmes de terror a afetam profundamente. O roteirista e diretor Curry Barker organizou uma sessão de “Hereditário” (2018) na casa de Michael Johnston antes do início das filmagens, com o objetivo de definir o tom da produção. Michael Johnston recordou que Inde Navarrette gritou e saiu correndo da sala durante a exibição — um incidente que o elenco interpretou como a confirmação de que tinham a energia certa para a produção. A própria Inde Navarrette lembrou-se de correr para o carro após a sessão, já que era noite, e de acelerar ainda mais o passo quando o escapamento de um carro estourou logo atrás dela. Mais tarde, em uma entrevista de maio de 2026, Inde Navarrette esclareceu que é fã de terror — ao contrário do que havia sido dito anteriormente à imprensa —, embora o gênero a afete de maneira mais visceral do que à maioria das pessoas;
  • Apesar do marketing mínimo, de um elenco de desconhecidos e de um lançamento de médio porte em menos de 3.000 salas, a repercussão positiva entre o público transformou “Obsessão” em um grande sucesso financeiro, com uma trajetória de bilheteria quase sem precedentes. O filme arrecadou 40% a mais em seu segundo fim de semana, mesmo aumentando o número de salas de exibição em menos de 2% — um feito quase inédito para um filme do século XXI, visto que uma queda de 40% já é considerada uma excelente sustentação, e qualquer aumento é algo praticamente desconhecido. O longa alcançou um feito ainda mais raro ao aumentar sua bilheteria em mais 15% no terceiro fim de semana; a última vez que um filme lançado em grande circuito fora de períodos de feriado havia aumentado sua arrecadação ao longo de três fins de semana consecutivos foi com “E.T.: O Extraterrestre” (1982). O sucesso no mercado interno também impulsionou mais exibições em mercados internacionais, registrando-se um crescimento semanal semelhante no Reino Unido e no México. Ao final do terceiro fim de semana, “Obsessão” havia arrecadado entre 100 e 200 vezes o seu orçamento de produção e mais de dez vezes o valor pago pela Focus Features para adquiri-lo;
  • A cena do jantar no restaurante (ou seja, aquela em que Nikki diz “Não, não, não”) foi filmada no restaurante Little Toni’s, em North Hollywood. A cena da cabine — hoje famosa — viralizou nas redes sociais, levando o público a procurar pela cabine exata;
  • Em uma entrevista, Curry Barker admitiu abertamente que não possuía um “manual de tradição” sobre as regras do Salgueiro do Desejo Único e prefere deixar os detalhes mais sutis a cargo da interpretação do público. A única coisa em que ele se manteve firme é que o Salgueiro não é nem inerentemente bom nem inerentemente mau; isso depende exclusivamente do próprio desejo e da forma como ele é formulado;
  • O produtor Christian Mercuri defendeu a escolha de Inde Navarrette para o elenco depois de trabalhar com ela em “Boca de Fumo” (2025), afastando-se de sua prática habitual de deixar as decisões sobre o elenco a cargo do diretor e dos produtores responsáveis pelas filmagens;
  • O enredo é muito semelhante ao do episódio “Loved to Death” (1991) da série “Contos da Cripta” (1989), que por sua vez é uma variação do episódio “The Chaser” (1960) da série “Além da Imaginação” (1959). Em ambas as histórias, um jovem obsessivo consegue uma poção do amor para conquistar o afeto de uma mulher indiferente, mas acaba achando-a insuportável, o que o leva a buscar um antídoto letal. Ambas as histórias têm origem no conto “The Chaser”, de John Collier, publicado originalmente na revista The New Yorker em 28 de dezembro de 1940;
  • No fim das contas, Curry Barker teve de negar a teoria de que Bear recebeu esse nome por causa do debate viral de 2024 sobre “homem versus urso” — embora tenha dito que gostaria de ter pensado nisso; ele simplesmente queria que os dois personagens principais tivessem nomes memoráveis;
  • Devido ao baixo orçamento do filme, o diretor Curry Barker e o diretor de fotografia Taylor Clemons realizaram escaneamentos 3D de todas as locações durante a pré-produção para criar modelos digitais de cada cenário; isso permitiu o uso de uma câmera virtual para planejar antecipadamente cada tomada. Tal abordagem minimizou a necessidade de filmar cenas com cobertura de câmera excessiva e possibilitou a realização de todos os efeitos especiais do filme praticamente de forma direta na câmera (sem pós-produção digital). Por exemplo, em vez de utilizar tela verde e fundo digital, as cenas dentro de um carro contavam com a exibição de um vídeo em uma tela de LCD posicionada do lado de fora das janelas;
  • O roteirista e diretor Curry Barker transformou um dos dias de filmagem mais exigentes da produção em uma sequência noturna de nove páginas, retratando o desejo inicial de Bear e o retorno de Nikki ao carro. Barker prolongou deliberadamente a cena para imergir o público no momento, o que incluiu uma longa sequência em que Nikki chora pela doença de seu pai;
  • Em uma entrevista ao Collider, Curry Barker revelou que a ideia de incorporar o enredo do “desejo” surgiu depois que ele assistiu a uma reprise de “Treehouse of Horror II” (1991), da série “Os Simpsons” (1989);
  • Quando Nikki vomita em Bear, o tubo usado para criar o efeito lançou a mistura de vômito na boca de Inde Navarrette e pela garganta dela, fazendo com que ela tivesse um espasmo de vômito e quase vomitasse de verdade no rosto de Michael Johnston. A expressão de medo dele foi real, pois ele imaginou que ela fosse realmente vomitar nele. Johnston afirmou mais tarde que teria se disposto a ser vomitado de verdade para tornar a cena o mais realista possível;
  • Em uma sessão de perguntas e respostas, Michael Johnston (Bear) contou como ele e Inde Navarrette (Nikki) se conheceram pouco antes das filmagens: ela tentou um aperto de mão exagerado, Johnston não soube como reagir e Navarrette simplesmente disse “deixa para lá”. As filmagens começaram quase imediatamente após esse encontro. Na opinião deles (e de Curry Barker), isso acabou ajudando a alimentar a química nas primeiras cenas, nas quais a interação entre os dois lembra muito a de irmãos e transmite a sensação de que eles não deveriam, de fato, ficar juntos;
  • Todas as cenas de direção foram filmadas em estúdio, com a paisagem em movimento projetada em uma tela de LED do lado de fora do carro;
  • O local de filmagem da casa de Bear, personagem interpretado por Michael Johnston, era quase todo branco quando a produção o assumiu, o que exigiu que a equipe de cenografia realizasse uma transformação significativa para alcançar a estética complexa e claustrofóbica que a cenógrafa Vivian Gray havia imaginado;
  • Arrecadou US$ 26 milhões no mercado interno em seu quarto fim de semana — mais do que qualquer outro filme de terror —, superando “A Bruxa de Blair” (1999), que arrecadou US$ 24 milhões;
  • Curry Barker citou o filme de terror japonês “Pulse” (2001), dirigido por Kiyoshi Kurosawa, como uma inspiração;
  • Inicialmente, Curry Barker cogitou dar a Bear uma “Pata de Macaco” para fazer seus desejos, mas acabou decidindo que queria que Bear tivesse algo que pudesse simplesmente comprar em uma loja;
  • O filme marcou a estreia de Rock Burwell como compositor de trilhas sonoras para longas-metragens. A parceria criativa entre Burwell e o roteirista e diretor Curry Barker já existia antes da produção, tendo se originado quando os dois se conheceram por meio de um projeto musical em comum em Los Angeles, antes dos curtas de terror virais de Barker. A colaboração começou quando Burwell trabalhou em um videoclipe para Barker e acabou se transformando em uma dinâmica de trabalho próxima, já que os dois moravam no mesmo bairro de Los Angeles. Burwell e Barker desenvolveram a trilha sonora atmosférica e baseada em sintetizadores em estreita colaboração ao longo da produção, e os críticos elogiaram amplamente sua qualidade misteriosa e desorientadora. Barker, que editou o filme em seu quarto, costumava visitar Burwell para longas sessões na mesma rua a fim de revisar a trilha sonora, à medida que ambos os processos evoluíam em paralelo;
  • Na cena do restaurante, Nikki usa um colar com um pingente de “B”, de “Bear”;
  • Arrecadou mais de US$ 1 milhão por dia no mercado interno durante 55 dias consecutivos — a maior marca para um filme independente —, superando “A Paixão de Cristo” (2004), que alcançou 48 dias;
  • Ao criar a “One Wish Willow”, a designer de produção Vivian Gray inspirou-se fortemente nas clássicas pinturas de fundo (matte paintings) de “florestas assustadoras” presentes nos primeiros episódios de “Scooby-Doo, Cadê Você!” (1969) e programas correlatos, buscando um visual que sugerisse que o galho de salgueiro havia sido quebrado na ponta. A intenção de Gray era que cada elemento do objeto carregasse um presságio de perigo, transmitindo uma estranheza sutil — algo que parecia profundamente errado, mas que prendia o olhar de forma irresistível. O design final do galho foi definido pouco antes da produção e precisava atender a requisitos práticos específicos: caber em uma caixa triangular estreita, ter baixo custo de fabricação e reagir bem à iluminação. Gray também queria que a mitologia do salgueiro transcendesse um único produto; por isso, adotou o conceito de que a “One Wish Willow” era um item de merchandising de um programa de TV de nicho — como se a magia daquela história tivesse se expandido para a trama do próprio filme —, o que implicava que o objeto fosse, provavelmente, um produto de plástico fabricado em massa;
  • Filme de maior bilheteria lançado pela Focus Features, superando “Downton Abbey” (2019). Este é o primeiro filme da Focus a arrecadar mais de US$ 100 milhões no mercado interno e mais de US$ 200 milhões mundialmente. O filme acabou arrecadando mais de US$ 262 milhões no mercado interno e mais de US$ 474 milhões mundialmente;
  • Quando Bear (Michael Johnston) percorre as postagens de Nikki (Inde Navarrette) nas redes sociais, uma delas recebe uma curtida de Cooper Tomlinson, que interpreta Ian — amigo e colega de trabalho de Bear e Nikki;
  • Os cineastas Edgar Wright, Francis Ford Coppola, Ram Gopal Varma e Mark Duplass elogiaram o filme. Varma descreveu o filme como uma “virada de jogo” capaz de redefinir a maneira como Hollywood encara os filmes de sucesso de bilheteria;
  • Se observarmos a caixa com atenção, veremos que a produtora de “One Wish Willow” (Salgueiro de Um Desejo) é a Tabi Cat Curiosities. Ao clicar no link, somos direcionados a uma empresa que fabrica réplicas de adereços para a vida real. Tabi significa “That’s A Bad Idea” (Isso é uma péssima ideia), que é o nome do canal do YouTube do diretor (Curry Barker), que ele mantinha com seu amigo (Cooper Tomlinson, que interpreta Ian em ‘Obsessão’) antes de se tornar diretor;
  • O bar onde todos os personagens bebem logo no início se chama “Barkers Bar”, uma referência ao diretor Curry Barker;
  • A equipe de produção filmou a sequência da noite de perguntas e respostas no The Roguelike Tavern, um bar e restaurante real que, desde então, encerrou suas atividades. O roteirista e diretor Curry Barker descreveu a localização da taverna como sendo no mesmo complexo de um supermercado Vons, ao lado do famoso Bob’s Big Boy e na mesma via onde ficava a loja de cristais The Green Man — embora haja divergências sobre se o estabelecimento se situava em Burbank ou em Studio City, na Ventura Boulevard. A The Green Man, uma loja de artigos metafísicos localizada no número 824 da North Hollywood Way, em Burbank, serviu de cenário para a loja de cristais onde Bear encontra a misteriosa “One Wish Willow”. A The Green Man é uma loja autêntica de produtos místicos que oferece incensos, ervas, velas e cristais, além de consultas e leituras; a popularidade do filme triplicou o movimento da loja e de seu setor de produtos naturais desde a estreia nos cinemas. Os locais utilizados para a loja de música e para o bar — a Cassell’s Music e o Roguelike Tavern — já encerraram suas atividades;
  • A designer de produção Vivian Gray colaborou com o responsável pelos objetos de cena Luke Cull na criação do objeto “One Wish Willow”. Gray utilizou esqueletos de cacto secos para moldar a silhueta da peça e escolheu uma cor que descreveu como “um cinza nem muito frio nem muito quente, como uma animação sem renderização”;
  • A produção teve sua estreia mundial na seção Midnight Madness do Festival Internacional de Cinema de Toronto na sexta-feira, 5 de setembro de 2025, servindo como filme de abertura da programação da Midnight Madness. A exibição provocou risadas, aplausos e uma ovação de pé, e o filme ficou em segundo lugar no Prêmio Escolha do Público da Midnight Madness do festival;
  • Superou “Operação Dragão” (1973) como o filme de maior bilheteria com orçamento inferior a US$ 1 milhão;
  • Algumas peças do guarda-roupa pertenciam aos próprios atores, como a mochila do Bear e alguns dos pingentes da bolsa da Nikki;
  • O plano original para a cena em que Nikki fica no canto do quarto de Bear previa que ela se aproximasse dele com um cristal e dissesse “Cristal do amor!”, enquanto o cutucava e Bear a implorava para parar. Curry Barker achou a cena “muito estranha” e não tinha certeza se ela funcionava dentro do contexto do filme;
  • Michael Johnston, que interpreta Bear, usa lentes de contato na vida real. Antes de filmar a cena da noite de perguntas e respostas (Trivia Night), ele esqueceu as lentes em casa; por isso, durante toda a cena, o ator não conseguia enxergar nada além de cerca de 50 centímetros do rosto;
  • Steven Spielberg é fã do filme. “Obsessão” (2025) tornou-se o primeiro filme lançado fora da temporada de Natal, desde “E.T. – O Extraterrestre” (1982), de Spielberg, a aumentar sua arrecadação nas bilheterias tanto no segundo quanto no terceiro fim de semana em cartaz;
  • Inde Navarrette era uma atriz em início de carreira que vivia de um salário a outro. Ela também costumava fazer transmissões no Twitch para ganhar dinheiro. Quando foi escalada para o filme, recebeu US$ 20.000, o que marcou um ponto de virada em sua carreira;
  • Cooper Tomlinson conheceu sua namorada durante as filmagens desse filme. Ela era figurante na cena da festa em casa e pode ser vista segurando uma cerveja enquanto conversa com outro figurante ao lado da TV;
  • Christopher Nolan é fã do filme. Em entrevista ao Hollywood Reporter, ele foi citado dizendo: “Quando você assiste a um filme como “Obsessão”, percebe que é uma ideia incrível. Aquele filme funciona pra caralho.”;
  • O design da caixa foi desenvolvido vários meses antes mesmo de a maior parte da equipe ter sido contratada para o projeto, com o diretor Curry Barker e a designer gráfica Amy Vega colaborando nele nas fases iniciais da pré-produção;
  • Jason Blum teria ganho US$ 17 milhões com este filme;
  • Após o lançamento do filme, tanto Michael Johnston quanto Inde Navarrette passaram a integrar o elenco de projetos distintos da Marvel Studios com temática dos X-Men: Johnston dubla Nathan Summers em “X-Men ’97” (2024) e Navarrette interpretará Rogue no filme sem título da Marvel sobre os “X-Men” (2028);
  • Curiosidade (Easter Egg): em uma versão anterior do roteiro, o “One Wish Willow” custava US$ 10,76. 10,76. Outubro de 1976 foi quando o pai de Curry Barker nasceu. O preço acabou sendo alterado para US$ 6,99, o que equivaleria a cerca de US$ 7,27 com o imposto sobre vendas do estado da Geórgia;
  • Inde Navarrette estrelou “Superman & Lois” (2021), enquanto Michael Johnston fez uma participação especial em um episódio de “Supergirl” (2015);
  • Curry Barker, Michael Johnston e Inde Navarrette apareceram juntos em Is God Is/The Wizard of the Kremlin/Obsession/Long Story Short/Dust Bunny (2026) para falar sobre o filme “Obsessão”;

O conteúdo abaixo contém espoiler!

  • Durante uma cena em que Nikki parece estar lendo, o livro que ela está segurando está de cabeça para baixo;
  • Michael Johnston teve a ideia de fazer com que Bear tentasse se forçar a vomitar os comprimidos depois de ter desistido de tomar uma overdose, para deixar bem claro que, no fim das contas, Bear é um grande covarde e só pensa em si mesmo;
  • O diretor Curry Barker afirmou que Nikki, a personagem de Inde Navarrette, permanece presa em uma espécie de purgatório enquanto está sob o efeito do feitiço durante o filme, e que ela mantém plena memória da experiência após o feitiço ser quebrado. O diretor explicou que o “One Wish Willow” não é inerentemente amaldiçoado, observando que um desejo formulado com cuidado poderia resultar em um desfecho inofensivo, e que o horror decorre do fato de o desejo de Bear forçar outra pessoa a sentir algo, independentemente de como o desejo foi expresso. Ao escrever o roteiro, Barker considerou que Nikki nutria sentimentos genuínos por Bear — personagem de Michael Johnston — ou, pelo menos, tinha potencial para isso, e sugeriu em entrevistas que ela poderia ter correspondido se Bear tivesse confessado seus sentimentos diretamente;
  • O diretor Curry Barker pretendia, inicialmente, que o filme terminasse com a personagem de Inde Navarrette, Nikki, se matando. Depois que seu pai e outras pessoas sugeriram um final em que a personagem sobrevivesse, Barker filmou uma única tomada do desfecho alternativo. O diretor considerou que as imagens de Nikki gritando logo após os assassinatos eram mais perturbadoras e manteve o final alternativo na versão final, com base na atuação da atriz. Muitas pessoas também apontaram que o final funcionou devido ao seu realismo para sobreviventes de abuso sexual. Nikki está presa ao seu trauma e será culpada pelos dois assassinatos que ela não cometeu (foi a Nikki possuída que os cometeu) e pelo suicídio de Bear. Assim como muitos sobreviventes de abuso sexual são culpados por serem sobreviventes e têm que conviver com esse trauma enquanto o agressor sai impune (Bear cometeu suicídio para não ter que enfrentar nenhuma consequência);
  • O diretor Curry Barker pretendia originalmente que o filme terminasse com a personagem de Inde Navarrette, Nikki, tirando a própria vida. Após seu pai e outras pessoas sugerirem um desfecho no qual a personagem sobrevive, Barker filmou uma única tomada desse final alternativo. O diretor concluiu que as imagens de Nikki gritando logo após os assassinatos eram mais perturbadoras e decidiu manter o final alternativo na montagem final, impressionado com a atuação da atriz. Muitos também ressaltaram que o final funcionou bem por retratar de forma realista a situação de sobreviventes de violência sexual. Nikki permanece presa em seu trauma e será responsabilizada pelos dois assassinatos que não cometeu (quem os cometeu foi a Nikki possuída) e pelo suicídio de Bear. Isso espelha a realidade de muitos sobreviventes de violência sexual, que são culpabilizados por terem sobrevivido e precisam conviver com o trauma enquanto o agressor sai impune (assim como Bear, que cometeu suicídio para não ter de enfrentar as consequências de seus atos);
  • A versão do filme exibida no Festival Internacional de Cinema de Toronto apresentava uma violência mais gráfica do que a versão lançada nos cinemas com classificação “R”. Após a estreia no festival, em setembro de 2025, a Motion Picture Association indicou que a montagem original receberia a classificação “NC-17”, levando o roteirista e diretor Curry Barker a reduzir a sequência em que a cabeça da personagem Sarah é golpeada repetidamente — removendo seis ou sete desses golpes para garantir a classificação “R”. Barker declarou ter ficado inicialmente insatisfeito com o corte, observando que o público do festival havia reagido com entusiasmo à cena original, mas concluiu posteriormente que a versão editada preservava o impacto pretendido;
  • Curry Barker revelou que seu próximo filme, “Anything But Ghosts” (2027), se passa no mesmo universo de “Obsessão” e incluirá uma cena com uma reportagem sobre um triplo homicídio cometido por uma mulher, sugerindo que Nikki foi, de fato, presa e acusada pelas três mortes (os assassinatos de Sarah e Ian e o suicídio de Bear);
  • Durante a cena do jantar no restaurante, quando Bear questiona se o pai de Nikki realmente tem câncer, a atriz Inde Navarrette confirmou que a primeira resposta de Nikki, “Não…”, vem da verdadeira Nikki, que recuperou momentaneamente o controle do próprio corpo. É quando Nikki começa a se repetir que a falsa Nikki assume o controle mais uma vez;
  • Muitos fãs perceberam que, durante a primeira cena após o desejo, enquanto Nikki está na cama, o relógio passa de 12h08 para 16h55. Isso gerou dezenas de teorias apaixonadas dos fãs e centenas de vídeos de análise. No entanto, tratou-se de um verdadeiro erro de continuidade — tanto o diretor quanto o responsável pelos adereços afirmaram que não havia nenhum significado nisso;
  • O cadáver de Sarah é, na verdade, uma boneca sexual em tamanho real. Saiu mais barato do que encomendar uma prótese de corpo humano em tamanho real feita com efeitos especiais;
  • Inicialmente, o filme começava com uma tomada de Bear assistindo a um filme romântico no sofá, com Sandy morta a seus pés — uma composição visual que espelhava a cena final do filme. Curry Barker acabou cortando essa sequência porque a cena na lanchonete servia como um momento mais forte de apresentação do personagem Bear;
  • Na cena em que Bear engole os comprimidos de oxicodona, Michael Johnston realmente engoliu, a seco, o frasco inteiro de pílulas de açúcar. Foi a última cena filmada para o filme e a única tomada em que Bear hesita e tenta forçar o vômito (ideia do próprio Michael Johnston). Nas tomadas anteriores, Johnston apenas mantinha os comprimidos na boca. Por isso, a ânsia de vômito que se seguiu foi genuína;
  • Inde Navarrette confirmou que a verdadeira Nikki fala com Bear enquanto sua persona possuída está dormindo. A atriz descreveu as escolhas de atuação física para o momento, observando que “se você olhar atentamente para aquela cena, meu corpo está convulsionando” e explicando que “meu cérebro e meu corpo estavam completamente desconectados, como as duas Nikkis”, o que resultou em “tremores viscerais” destinados a transmitir a angústia física da personagem enquanto ela implora para ser morta por um amigo em quem confia;
  • Para a cena em que Sarah é morta a golpes de tijolo, a atriz Megan Lawless mencionou em uma entrevista que foi feito um molde de seu rosto. Dois bonecos distintos foram utilizados na cena, exibindo os resultados aterrorizantes em dois estágios diferentes de destruição;
  • Ian deu a Bear um conselho duvidoso sobre como conquistar Nikki, recomendando que ele evitasse a comunicação direta e a chamasse de “Freaky Nikki” — um apelido que o grupo de amigos sabia que ela detestava, pois era usado por quem a intimidava na época do ensino médio. A revelação, no terceiro ato, de que Ian e Nikki mantiveram um relacionamento casual por dois anos deixa claro que Ian deu o mau conselho deliberadamente para sabotar a declaração de Bear. O ator Cooper Tomlinson observou que essa reviravolta na trama não existia no roteiro original e foi incorporada durante as revisões para tornar o personagem mais malicioso;
  • Depois que os quatro amigos começam a voltar para a mesa para participar do quiz do bar, é possível ouvir o apresentador fazendo uma pergunta sobre uma das adaptações da Disney de Aladdin. Segundo o Gênio desses filmes, uma das coisas que você não pode desejar é fazer com que alguém se apaixone por você. Pouco tempo depois, Bear usa o Salgueiro do Desejo Único e deseja que Nikki se apaixone por ele;
  • Na cena em que Nikki caminha de costas — como se alguém estivesse reproduzindo uma fita ao contrário —, ela sai de quadro e retorna com uma faca, ameaçando ferir a si mesma. Curry Barker explicou que o plano original para o momento seguinte à saída de Nikki era fazê-la surgir na horizontal, vindo de trás do batente da porta e olhando diretamente para Bear enquanto sorria; eles haviam construído suportes para sustentar Inde Navarrette de lado, atrás da parede, permitindo que ela olhasse através do vão da porta, mas a ideia foi descartada, pois Barker considerou que a cena não era viável na prática e que Inde ficava muito desconfortável ao permanecer naquela posição lateral por tanto tempo;
  • A designer de produção Vivian Gray cortou parte de seu próprio cabelo (estilo mullet) para confeccionar o cabelo do personagem de Michael Johnston em uma cena na qual ele tem o cabelo cortado à força enquanto dorme;
  • No que diz respeito ao desejo de um bilhão de dólares de Ian, a maior parte do dinheiro que cai é criada com CGI; no entanto, ainda foi usado dinheiro de verdade como adereço para que os atores pudessem reagir a ele no set, de modo que, no filme final, há uma mistura das duas técnicas;
  • Durante a leitura de uma passagem do romance em que está trabalhando, Nikki usa vários sotaques, sendo um deles o australiano. Nikki é interpretada por Inde Navarrette, que tem ascendência australiana e mexicana;
  • Bear sofre o mesmo destino que seu gato no início do filme: uma overdose de comprimidos no tapete da sala, com espuma saindo da boca;
  • Durante a montagem que mostra o início do relacionamento deles, Nikki e Bear veem um meme com a legenda “Quero usar sua pele como um suéter”. Mais tarde, Nikki veste o suéter de Bear de uma forma que ele acha perturbadora e, no final, faz com que a pele dela se pareça com a de Sarah;
  • No clímax do filme, Nikki tem desenhos feitos com caneta preta no corpo. O desenho no peito dela, em forma de coração com um motivo dentro, é igual à tatuagem que Sarah tem no peito. Como Nikki acredita que está competindo com Sarah pelo amor de Bear, ela tenta adotar elementos da imagem de Sarah. Ela também usa o vestido de Sarah;
  • A primeira pergunta feita na noite de perguntas e respostas é: “Este filme de animação apresenta um gênio azul capaz de realizar três desejos. Qual é o nome desse filme?” Antecipando a premissa dos desejos em torno da qual o filme gira;
  • Curry Barker: Barker dublou o representante de atendimento ao cliente da “One Wish Willow” que conversa com Bear (Michael Johnston) quando o personagem liga para a central de atendimento. Barker gravou suas falas para o papel no próprio celular enquanto editava o filme em seu quarto, alterando as falas para que se ajustassem à edição.

 

Ficha técnica

Diretor: Curry Barker.
Roteiro: Curry Barker.
Produção: James Harris, Haley Nicole Johnson, Christian Mercuri, Cooper Tomlinson, Roman Viaris-de-Lesegno, Jason Blum, Leonora Darby, David Haring, Ruzanna Kegeyan e Mark Lane.
Direção de Fotografia: Taylor Clemons.
Editor: Curry Barker.
Direção de Arte: Sally Choi.
Efeitos Especiais: Chris Gravland, Drew Lewis Guerra, Arun Khamu, Mauro Pinedo e Peter Timberlake.
Música: Rock Burwell.
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter, Haley Fitzgerald, Darin Toonder, Anthony Pavone, Justice, Anthony Casabianca, Chloe Breen, Malcolm Kelner, Charles Santa Cruz, Alex Maystrik, Mariana Silva, Kyle Blumenthal, Jorge Luquin, Jose Herrera, Emilio Flores, Manny Liotta, Manny Liotta, Mai Chi Nguyen, Tim Robinson, Evan Brown, Maddi Hulburt, Jacob Stephens, Skyler Zurn, Danni Krett, Dylan Michael Searle, Matthew Jackson, Itzel Ximena Gonzalez, Evan Lugo, Kevin Kim, Dannell Brown, Darío Ramos, Gabriel Rubalcava, Sabina Tenorio, Claudio Parrone Jr., Max Maher, Travis Beck, Ben Scattone, Ian Brown, Chelsey Kaye, Mikey Brockmann, Iyana Fawcett, Curry Barker, Jeff Barker e Steven Chase.

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