Esse formato, que combina animação 2D tradicional com atores e cenários reais (live-action), foi utilizado no filme “Coyote vs. ACME” (2026) e tem como grande exemplo o longa-metragem “Uma Cilada para Roger Rabbit”, de 1988. Apesar de ser uma produção mais modesta em comparação com o filme do final dos anos 1980, a obra recente mantém o mesmo alto nível técnico e artístico. O diretor Dave Green reúne em uma única produção todos os personagens da série original de curtas de animação Looney Tunes, produzidos entre 1930 e 1969.
As filmagens de “Coyote vs. ACME” começaram em 2022, com a cidade de Albuquerque, no estado do Novo México (EUA), como principal locação. O projeto foi finalizado no ano seguinte, em 2023. Entretanto, o que aconteceu em seguida gerou uma série de protestos e forte pressão pública contra a atitude da Warner Bros., que cancelou todo o trabalho realizado por diversos profissionais para a criação do filme. Com isso, o projeto ficou em um impasse, pois o estúdio pretendia utilizar o orçamento, estimado entre US$ 70 e US$ 72 milhões, para abatimento fiscal.
Por causa da comoção em torno dessa decisão, a Warner aceitou colocar o longa-metragem em cima da mesa para negociação dos direitos com outros estúdios, como Netflix e Paramount, mas o alto valor exigido travou a venda. Após um período de estagnação, uma nova negociação dos direitos globais foi iniciada, e, em março de 2025, a produtora Ketchup Entertainment fechou o negócio por aproximadamente US$ 50 milhões. Finalmente, “Coyote vs. ACME” estreou oficialmente nos cinemas em agosto de 2026.

Muitas pessoas sabem que o objetivo principal de Wile E. Coyote, personagem dos desenhos dos Looney Tunes, é capturar e comer o pássaro Papa-Léguas (Road Runner). Para isso, ele usa diversos produtos que deveriam ajudá-lo, mas que sempre se voltam contra ele. Cansado de sempre levar a pior, há décadas, em suas caçadas — na maioria das vezes devido a falhas apresentadas pelos produtos que utiliza, como bigornas, catapultas, estilingues, explosivos, helicópteros e patins com foguetes —, o astuto Wile E. Coyote (cujo nome “Wile” é um trocadilho com a palavra inglesa wily, que significa astuto, esperto ou ardiloso) decide tomar uma atitude: deixar o deserto por um tempo e ir à cidade em busca de um advogado que possa ajudá-lo. Seu novo objetivo é processar a megacorporação ACME, responsável pela fabricação de todas essas engenhocas mirabolantes — e frequentemente defeituosas.
É então que o personagem Wile E. Coyote contrata o escritório de advocacia fictício Avery, Jones & Maltese. Esses sobrenomes são uma homenagem aos criadores históricos dos desenhos do Looney Tunes, Tex Avery, Chuck Jones e Michael Maltese. O advogado Kevin Avery (Will Forte) é o representante do escritório. Ele não se esforça muito para trabalhar, pois está acostumado a assumir processos ínfimos contra a poderosa empresa Acme e, no fim, receber uma quantia irrisória por meio de acordos, como de costume, já que nunca se dispõe a enfrentar um tribunal. Foi assim que ele construiu a sua carreira: por meio de acordos baratos fora das salas de tribunal.
No entanto, tendo o Coyote como cliente, ele será levado a enfrentar o caso no tribunal, contando com a empolgação e o apoio de sua sobrinha, a estagiária Paige Avery (Lana Condor), uma idealista que acredita ser possível enfrentar a temida equipe jurídica da ACME, chefiada pelo forte — no sentido literal da palavra — Buddy Crane (John Cena). A partir daí, a história se transforma em uma aventura maluca, com o Coyote aprontando e se preparando para o dia em que, na companhia de seu representante jurídico, apresentará as provas que o fizeram passar por situações constrangedoras, além de reviver todo o seu histórico de fracassos em flashbacks nostálgicos. São muitas as cenas em que o filme “Coyote vs. ACME” consegue resgatar a comédia pastelão típica dos desenhos animados clássicos e trazê-la para o presente.
É impossível não se divertir com a perfeita interação entre personagens animados, cenários e pessoas reais. Trata-se de um filme híbrido no qual a animação clássica se une à ação ao vivo (live-action) em uma sequência de movimentos sincronizados do início ao fim. O departamento de efeitos especiais realmente faz jus ao estúdio de animação americano Leon Schlesinger Productions, fundado por Leon Schlesinger, que se tornaria o estúdio Warner Bros. Cartoons durante a Era de Ouro da animação americana.
Nesta produção, também é possível ver os inúmeros artifícios utilizados por Wile E. Coyote, que corre contra o tempo para armar uma cilada perfeita e capturar o sempre veloz e sorridente Papa-Léguas. A participação dos personagens principais do Looney Tunes colabora com a sátira proposta pelo enredo, em paralelo ao drama jurídico de Coyote. Embora a presença de Pernalonga seja enigmática, suas características peculiares entregam seu “disfarce”. Com sua astúcia, inteligência e engenhosidade, o orelhudo ajuda a provar a inocência de Coyote no tribunal. O pequeno Piu-Piu entra em cena como um antagonista, aliando-se à ACME como informante e assassino de aluguel para proteger a Vovó. Infelizmente, Frajola tem uma participação tímida.
Outro personagem de destaque é Frangolino (Foghorn Leghorn), um executivo de alto escalão da ACME que tenta resolver, junto com o advogado Buddy Crane, o problema processual criado pelo ex-cliente. Patolino, como de costume, aparece de maneira caótica, e sua atitude desregulada proporciona momentos engraçados, descarregando muita energia em cena e quebrando qualquer clima de tensão. Eufrazino Puxa-Briga, Gaguinho, Gossamer, Hortelino Troca-Letras, Peter Lorre, Taz e mais um punhado de personagens dão o ar da graça como figurantes por um instante.

Talvez o personagem que menos me cativou em “Coyote vs. ACME” tenha sido o Kevin Avery. A interpretação de Will Forte deixa a desejar em termos de carisma e energia, mesmo considerando que seu personagem não deseja estar na posição à qual foi praticamente submetido. Embora ele se esforce nas cenas do tribunal, não consigo deixar de apreciar o fato de ele servir de escada para o Coyote brilhar em seu protagonismo carismático, com expressões faciais espetaculares, capazes de despertar os mais diversos sentimentos no espectador. Há também a comunicação por meio de plaquinhas, ideia genial vista nos desenhos e aqui utilizada com muito humor.
O clímax de “Coyote vs. ACME” acontece nos momentos finais do julgamento, quando o caso é levado ao tribunal e o juiz Troppogrosso (Luis Guzmán) preside a sessão. O Papa-Léguas é chamado para depor e confirma que considera Wile E. Coyote um amigo, e “conta” que testemunhou todo o seu sofrimento e sua dor ao longo de décadas, o que é afirmado por meio da inconfundível e clássica onomatopeia “beep-beep”. Diante dessa cena, que mais uma vez impressiona pela comunicação não verbal utilizada com tamanha eficiência ao longo da narrativa audiovisual, é impossível não se emocionar.
No fim das contas, apesar de toda a emoção presenciada na cena do tribunal, com Papa-Léguas no púlpito soltando seu “beep-beep” em alto e bom som, levando o julgamento a um veredito favorável ao coitado do Coyote, este, após encerrar o processo, retorna à sua caçada inabalável pelo deserto, local em Papa-Léguas deixa para trás um rastro de poeira na estrada, onde as curvas se deslocam do chão devido à sua velocidade inalcançável.
É impressionante como o filme consegue condensar uma obra com um universo tão extenso de personagens em uma produção de 103 minutos repleta de aventura, energia, explosões e humor para toda a família. Considero “Coyote vs. ACME” uma produção que erra o mínimo possível para prestar uma homenagem aos bons e velhos desenhos animados de primeira linha. É impossível imaginar o desastre que seria ver um projeto tão extraordinário ser esquecido no fundo da gaveta.
Inté, se Deus quiser!
NOTA: 
Trailer
Pôster

Curiosidade sobre Coyote vs. ACME
- O escritório de advocacia Avery, Jones e Maltese é uma homenagem aos animadores da Warner Bros. Tex Avery, Chuck Jones e Michael Maltese;
- A inspiração para o roteiro veio de um artigo da revista The New Yorker de 1990, intitulado “Coyote V. Acme”, de autoria de Ian Frazier;
- Muitas cenas externas de “Coyote vs. Acme” foram filmadas no Novo México. O Papa-léguas, rival de longa data do Coiote, é também a ave símbolo do estado do Novo México;
- Este é o terceiro filme que David Zaslav engavetou para obter um abatimento fiscal durante sua gestão como CEO da Warner Bros. Discovery. Os primeiros foram “Batgirl” e “Scoob!: Holiday Haunt”, engavetados perto do final da pós-produção em agosto de 2022. No entanto, diferentemente dos dois anteriores, os direitos do filme foram vendidos com sucesso para uma distribuidora alternativa;
- O personagem Dr. Lorre baseia-se no astro de cinema da vida real Peter Lorre (1904-1964). Lorre ganhou fama inicialmente graças ao seu papel sinistro como assassino de crianças no filme expressionista alemão “M, o Vampiro de Dusseldorf” (1931), dirigido por Fritz Lang. Após fugir da Europa dominada por Hitler, ele acabou se estabelecendo em Hollywood, onde — devido à sua aparência marcante e ao sotaque peculiar — ficou estigmatizado em papéis de figuras suspeitas, ameaçadoras e sinistras, interpretando frequentemente criminosos, assassinos e cientistas loucos. Seus papéis mais famosos foram o da figura sombria do submundo Joel Cairo em “O Falcão Maltês” (1941) e o do condenado Ugarte em “Casablanca” (1942), ambos produzidos pela Warner Brothers. Como sua aparência e voz eram facilmente reconhecíveis e passíveis de imitação cômica, os desenhos animados da Warner Brothers começaram a incluir paródias de Lorre — primeiramente como “ele mesmo” em “Uma Noite com os Astros” (1941), um curta da série Merrie Melodies que retratava versões cômicas de muitas estrelas da Warner Brothers da época. Mais tarde, na década de 1940, uma caricatura de Lorre — geralmente retratado como cientista ou médico louco — passou a aparecer com frequência nas animações do estúdio. Em seu livro “The Animated Peter Lorre”, o historiador de animação Matthew Hahn catalogou mais de 700 homenagens a Lorre em animações ao longo dos séculos XX e XXI;
- Em uma entrevista de agosto de 2026 com David Remnick, no programa “New Yorker Radio Hour”, Ian Frazier falou sobre como teve a ideia inicial de escrever o conto “Coyote v. Acme” — publicado na edição de 19 de fevereiro de 1990 da New Yorker e que serviu de base para o roteiro deste filme: “Eu estava cuidando do espólio dos meus pais em 1988; tinha voltado a Cleveland, ao apartamento deles, e lá havia uma fita cassete da nossa infância só com desenhos do Coiote e do Papa-Léguas. Eu assistia a esses desenhos repetidamente. E, em certo momento, as duas coisas que eu fazia — ler os [documentos jurídicos] e conversar com o advogado sobre o testamento, e assistir a esses desenhos maravilhosos, que considero grandes obras da arte americana — acabaram, de alguma forma, se fundindo”;
- Em 9 de novembro de 2023, um porta-voz do Warner Bros. Motion Picture Group anunciou que o filme havia sido cancelado após a conclusão das filmagens: “Tomamos a difícil decisão de não seguir em frente com ‘Coyote vs. Acme’. Respeitamos muito os cineastas, o elenco e a equipe técnica, e agradecemos suas contribuições.” O diretor Dave Green manifestou-se no Twitter: “Durante três anos, tive a sorte de fazer um filme sobre o Coiote (Wile E. Coyote), o personagem mais persistente, apaixonado e resiliente de todos os tempos. Trabalhei com uma equipe incrível que dedicou o coração a este projeto por anos. Nosso objetivo era homenagear esses personagens icônicos e acertar em todos os detalhes. O público de testes nos apoiou com um feedback excelente. Tenho muito orgulho do filme final e estou profundamente decepcionado com a decisão da WB. Mas, mantendo o espírito do Coiote, a resiliência e a persistência prevalecem.” O elenco e a equipe participaram de uma “sessão de funeral”, semelhante à que ocorreu com “Batgirl”. Quatro dias depois, em 13 de novembro de 2023, a Warner Bros. anunciou que havia revertido sua decisão e permitiria que o filme fosse distribuído por outros meios. Em março de 2025, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos de distribuição mundial;
- O primeiro trailer obteve 25 milhões de visualizações online nas primeiras 24 horas;
- Wile E. Coyote é atingido por um trem do New Mexico Rail Runner Express enquanto seguia para Albuquerque. Esse serviço de trem suburbano, que liga Santa Fe, Albuquerque e Belen, leva o nome do Papa-Léguas (Road Runner) e utiliza uma identidade visual inspirada no personagem; ele também emprega o característico som “Beep Beep” do Papa-Léguas como aviso para o fechamento das portas;
- A audiência no Congresso ocorre apropriadamente no Senado dos EUA, visto que Foghorn Leghorn é uma das partes envolvidas na disputa. Foghorn Leghorn é uma paródia do Senador Claghorn, um personagem fictício do antigo programa de rádio de Fred Allen;
- Quando Kevin Avery (Will Forte) está sentado em seu quarto de hotel, um repórter na TV anuncia que um rato quebrou a barreira do som em Guadalajara. Essa é uma referência ao personagem dos Looney Tunes, Speedy Gonzales (conhecido aqui no Brasil como Ligeirinho), também conhecido como o rato mais rápido do México;
- A marca fictícia “Acme Products” — uma piada recorrente em dezenas de curtas clássicos da Warner Bros. — não era originalmente exclusiva dos desenhos da Warner (embora, já na década de 1950, ela tivesse se tornado sinônimo das séries Looney Tunes e Merrie Melodies do estúdio). A marca aparece em comédias mudas (live-action) de Buster Keaton e Harold Lloyd, remontando ao início da década de 1920, antes mesmo da fundação da divisão de animação da Warner Bros. Ainda antes disso, “Acme Products” já era um recurso cômico comum em esquetes de vaudeville, desde o século XIX; tratava-se de uma piada genérica sobre empresas de venda por correspondência de reputação duvidosa, que comercializavam produtos estranhos e frequentemente pouco confiáveis sob o nome “Acme”. Isso ocorria porque, na era dos classificados de jornal e das listas telefônicas, empresas suspeitas usavam esse nome para aumentar sua visibilidade, já que “Acme” aparecia logo no início das listagens alfabéticas. O nome também era usado de forma irônica, pois o significado literal da palavra “acme” (do grego) é “o auge”, “o ponto mais alto” ou “o melhor exemplo” — um contraste com os produtos malfeitos e as empresas de fachada ou pouco confiáveis tipicamente associados à marca na vida real. “Acme Products” era uma piada favorita de Chuck Jones — lendário animador e diretor da Warner Bros. e cocriador do Coiote (Wile E. Coyote) e do Papa-Léguas (Road Runner) —, que se lembrava de como a marca estava presente em toda parte durante sua própria infância;
- Quando Avery faz o check-in no motel Prickly Pear, o recepcionista aponta para uma placa com os dizeres “Proibida a entrada de animais de estimação” e uma imagem do personagem Droopy. O Droopy é um personagem clássico e notável dos desenhos da MGM e nunca apareceu em nenhum curta dos Looney Tunes. Fred “Tex” Avery deixou a Warner Bros. para trabalhar na MGM; durante sua passagem pelo estúdio, o Droopy foi um dos muitos personagens criados por Tex;
- Enquanto aguardava no escritório de Avery, no início do filme, Wile E. Coyote é visto lendo a revista The New Yorker. A capa não é a da edição de 19 de fevereiro de 1990, que trazia o texto humorístico de Ian Frazier responsável por inspirar este filme (a capa daquela edição apresentava uma caricatura de Washington e Lincoln sobre um bolo, celebrando o Dia dos Presidentes). Em vez disso, a capa da edição que Wile lê traz o personagem Eustace Tilley, figura emblemática da The New Yorker desde que sua ilustração apareceu na primeira capa da revista, em 21 de fevereiro de 1925; alguma versão de Eustace tem aparecido quase todos os anos na capa comemorativa do aniversário da publicação (em 1990, a capa com Eustace foi publicada em 26 de fevereiro);
- Decidiu-se deliberadamente não dar um dublador a Wile E. Coyote. Isso é interessante, pois o personagem já falou em outras versões de Looney Tunes. Green afirma que a versão falante parecia estranha e que a essência do Coiote era a de um artista de cinema mudo. A roteirista Samy Burch chegou a estudar filmes de Charlie Chaplin para descobrir como manter um protagonista mudo dramaticamente presente. Assim, Wile comunica-se visualmente e por meio de placas;
- O local de filmagem do escritório de advocacia Avery, Jones e Maltese fica do outro lado da rua do local de filmagem do lava-rápido A1A de “Breaking Bad”;
- Como Wile não estava fisicamente presente no set, o veterano manipulador de bonecos Dave Barclay — cujos trabalhos incluem “O Cristal Encantado” (1982) e Jabba the Hutt (Personagem de Star Wars) — operou um boneco articulado em tamanho real do Wile E. Coyote durante as filmagens. O boneco conseguia mover as sobrancelhas e os braços, além de segurar as placas características do personagem. Assim, Forte, Cena, Condor e os demais atores não estavam apenas contracenando com uma bola de tênis; eles tinham, de fato, o Wile E. Coyote como parceiro de cena físico, sendo o boneco posteriormente substituído por animação;
- O personagem de John Cena, Buddy Crane, recebeu esse nome em homenagem àquele que é amplamente considerado o pior personagem dos Looney Tunes: “Buddy” (1933-1935). Chuck Jones, que iniciou sua carreira com Buddy, disse: “Felizmente, nenhuma animação ruim poderia tornar Buddy pior do que ele já era”. Em aparições posteriores a 1935, Buddy geralmente atua como vilão;
- Originalmente, o filme seria um híbrido de computação gráfica e live-action, com rumores de que Steve Carell interpretaria o CEO da Acme;
- O terceiro filme dos Looney Tunes a não ser distribuído pela Warner Bros. Pictures, depois de “Pernalonga, O Superstar” (1975) e “Looney Tunes: O Filme: O Dia Que a Terra Explodiu” (2024);
- Ao que parece, Eric Bauza não passou por um teste de elenco no sentido convencional. Ele foi convidado para participar de uma leitura de roteiro via Zoom com o elenco. Como seus personagens dos Looney Tunes só apareciam mais adiante no roteiro, ele ficou inicialmente em silêncio enquanto outros atores, incluindo Will Forte, faziam a leitura. Quando seus personagens finalmente entraram em cena e Bauza começou, de repente, a reproduzir aquelas vozes familiares, Forte caiu na risada. Bauza recorda-se de ter pensado que fazer Forte rir era um grande feito. Mais tarde, Forte lhe disse que ouvir aquelas vozes saindo de Bauza era algo, no fundo, impressionante e até surreal. Forte mencionou especificamente Mel Blanc e elogiou Bauza por assumir a tarefa monumental de sucedê-lo;
- Esta é a segunda adaptação em live-action de uma série de desenho animado dirigida por Dave Green, depois de “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” (2016);
- A escolha de Will Forte para o papel foi feita deliberadamente para fugir do estereótipo do “advogado inescrupuloso e sedutor”. O diretor Dave Green afirmou que a equipe do filme não queria, de forma alguma, que Kevin Avery — o advogado de Wile E. Coyote — fosse um sujeito arrogante, polido e antipático. Graças ao carisma natural e à índole bondosa de Forte, o público conseguia manter a empatia por Kevin, mesmo quando o personagem se mostrava preguiçoso ou tentava pegar atalhos. O próprio Forte brincou dizendo que atuar ao lado de Wile E. Coyote — um dos grandes personagens da história do cinema — era uma oportunidade irrecusável;
- Um caso judicial fictício anterior, intitulado “Coyote vs. Acme”, foi apresentado no 64º episódio da primeira temporada de “Tiny Toon Adventures” (1990–1992) — intitulado “K-ACME TV” e exibido originalmente em 26 de fevereiro de 1991. Nesse segmento, Calamity Coyote processou a Acme Corporation — representada por um rato fumante de charuto chamado Bobo Acme — devido a uma catapulta da ACME que apresentava defeito. O veredito foi proferido pelo Juiz Yosemite Sam, que presidia um tribunal tendencioso de propriedade da Acme; a decisão favoreceu a corporação, que venceu a causa após demonstrar que Calamity havia utilizado a catapulta de forma inadequada, em vez de o equipamento estar defeituoso;
- Em alguns materiais promocionais, o Sr. Coyote é creditado, juntamente com seus colegas de elenco humanos, como “Will E. Coyote”;
- O último filme lançado sob o selo Warner Animation Group antes de o estúdio ser renomeado como Warner Bros. Pictures Animation em 2023;
- O lançamento deste filme estava originalmente previsto para 21 de julho de 2023. Em 26 de abril de 2022, a Warner Bros. o retirou do cronograma de lançamentos e destinou essa data a “Barbie” (2023), filme que também contava com a participação de John Cena;
- A música “Nobody Speak”, de DJ Shadow com participação de Run the Jewels — que contém linguagem explícita em sua versão original —, teve o conteúdo censurado com o uso do efeito sonoro de “beep” do Papa-Léguas (Road Runner);
- Este é o primeiro filme dos Looney Tunes a ser filmado no formato widescreen anamórfico 2,39:1. Os filmes “Space Jam” foram produzidos no formato 1,85:1, enquanto “Looney Tunes: De Volta à Ação” (2003) foi filmado no formato “flat” (plano) em Super 35, mas teve o enquadramento ajustado para 2,35:1 para o lançamento;
- O nome do personagem de Luis Guzmán, Troppogrosso, é italiano para “grande demais”;
- O personagem principal, Wile E. Coyote, nunca profere uma única palavra ao longo do filme; ele utiliza placas com mensagens escritas, desenhos e recursos visuais para se comunicar;
- No documentário de 1991 “Chuck Amuck: The Movie”, o lendário animador Chuck Jones explicou sua inspiração para o personagem Wile E. Coyote: “Descobri o coiote quando tinha [cerca de oito] anos, em um livro de Mark Twain chamado “Roughing It”, no qual ele descrevia o animal; apaixonei-me por ele porque Twain dizia que um coiote pesa cerca de quarenta e cinco libras [aprox. 20 kg], é magro e esquelético e tem uma pelagem de aparência engraçada — e essa era uma descrição precisa de mim [naquela idade]. A maneira como Mark Twain o descrevia — ele dizia que o animal era muito desengonçado e esquelético — fez com que eu [criasse o Wile] também muito desengonçado e esquelético; e, ao criar alguém assim, é preciso lembrar que essa pessoa tem joelhos e cotovelos grandes… Mark Twain dizia que ele era tão magro, desengonçado e pouco apetitoso que ‘uma pulga abandonaria um coiote para subir em um velocípede’.”;
- Lana Condor conta que, quando recebeu o convite para o teste e viu “Looney Tunes” no assunto da mensagem, ficou imediatamente empolgada, antes mesmo de ler o roteiro. Ela via a oportunidade de entrar no universo dos Looney Tunes como algo que, até então, parecia quase inalcançável;
- O personagem de John Cena aparece escrevendo duas vezes — uma com a mão esquerda e outra com a direita. Embora isso provavelmente seja um erro decorrente do uso de dublês de mão, também pode significar que ele é ambidestro;
- Forte contraiu COVID durante a segunda semana de filmagens, justamente quando Cena estava chegando. Eles contavam com a presença de Cena por apenas duas semanas; portanto, perder Forte durante uma delas gerou um problema de produção significativo. Aparentemente, essa mudança forçada acabou resultando em uma das cenas favoritas dos cineastas;
- A escolha de John Cena foi interessante, pois Green buscava algo diferente da persona cômica habitual do ator. Green descreve Buddy Crane como alguém inteligente, sofisticado, intimidador e passivo-agressivo, afirmando que nunca tinha visto Cena interpretar um personagem desse tipo antes. Vale lembrar que Cena já havia trabalhado com o produtor e colaborador do roteiro James Gunn em “O Esquadrão Suicida” (2021) e “Pacificador” (2022–2025). A escalação de Cena foi anunciada primeiro, em fevereiro de 2022; Forte e Lana Condor foram anunciados em seguida, em março;
- Reúne P.J. Byrne e Kenneth Choi, que atuaram juntos em “O Lobo de Wall Street” (2013);
- Ao investigar o “Projeto Sísifo” e a ACME, Paige encontra os catálogos da ACME a partir do ano de 1981. Esse é o mesmo ano em que Michael Maltese, um dos criadores do Wile E. Coyote e do Road Runner, faleceu;
- Ryan Begay, creditado como o segurança do detector de metais, também aparece sentado a uma ou duas fileiras de distância da equipe jurídica de Coyote na audiência do Senado — participação pela qual não recebeu crédito;
- Um dos dois filmes lançados em 28 de agosto de 2026 estrelados por Eric Bauza, com um coelho falante e um antagonista chamado Buddy — sendo o outro “Buddy” (2026);
- Durante a audiência no Congresso, Kevin cita como precedente o caso “Sylvester vs. Gonzales”. Ele faz referência ao gato Frajola (Sylvester) e ao Ligeirinho (Speedy Gonzales), outra dupla de personagens dos Looney Tunes na qual o predador sempre fracassa de forma cômica ao tentar capturar a presa;
- Inicialmente, o personagem que revelaria a verdade sobre a Acme seria o Dr. Peter Lorre, cuja fuga da prisão de tinta da Acme seria então revelada. No entanto, durante a pós-produção, decidiu-se escalar o Pernalonga para esse papel. Como essa decisão foi tomada numa fase avançada da produção, o Pernalonga foi um dos poucos personagens a ser animado em 2D tradicional (em vez de CGI com sombreamento estilo cel-shading), a fim de economizar tempo;
- Na mitologia grega, Sísifo foi condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma enorme rocha morro acima, apenas para vê-la rolar de volta para baixo sempre que ele se aproximava do topo. A história deu origem ao adjetivo “sisifiano”, usado para descrever uma tarefa repetitiva e aparentemente fadada ao fracasso. O mito também inspirou o ensaio filosófico de 1942 de Albert Camus, “O Mito de Sísifo”, no qual o autor argumenta que a própria luta pode dar sentido à vida, concluindo que “a própria luta rumo ao topo basta para preencher o coração de um homem”. Tanto o mito quanto a interpretação de Camus se refletem na representação de Wile E. Coyote neste filme: sua perseguição incansável ao Papa-Léguas termina repetidamente em fracasso, mas ele sempre retoma a caçada. Essa conexão é explicitada pelo nome do projeto secreto da Acme descoberto por Kevin e Paige — Projeto Sísifo — e por um dos principais cartazes do filme, que mostra Wile E. Coyote empurrando uma bomba gigante morro acima, em direção ao Papa-Léguas;
- Ao contrário dos longas-metragens anteriores dos Looney Tunes que misturavam live-action e animação — “Space Jam – O Jogo do Século” (1996), “Looney Tunes: De Volta à Ação” (2003) e “Space Jam: Um Novo Legado” (2021) —, este é o primeiro filme da franquia a não apresentar uma cena pós-créditos após a exibição dos créditos finais;
- O Dr. Lorre está mais próximo de sua contraparte da vida real do que nunca; na vida real, Peter Lorre apoiava sindicatos e chegou a interromper o trabalho no filme “Justiça Tardia” (1946) para participar de uma greve.
Ficha técnica
Diretor: Dave Green.
Roteiro: Samy Burch (roteiro/história/argumento), James Gunn (coautor da história/argumento da história original do filme), Jeremy Slater (coautor da história/argumento da história original do filme) e Ian Frazier (autor do artigo publicado na revista The New Yorker, em 1990, que inspirou o filme);
Produção: Christopher DeFaria, James Gunn, Allison Abbate, Jesse Ehrman, Artur Galstian, Jonah Loop, Carsten H.W. Lorenz, Chad A. Verdi, Gareth West, Vahan Yepremyan e Jordan Wray.
Direção de Fotografia: Brandon Trost.
Editor: Carsten Kurpanek.
Design de Produção: Steve Arnold.
Figurino: Daniela Moore.
Cabelo e Maquiagem: Heidi M. Baca, Kristine Briseno, Svetlana Britt, Siobhan Carmody, Nikki Cartwright, Jerrad Gray, Carmen L. Jones, Aleka Kastelic, Katya Luce, Ricky Macias, Bryan Perkal, Copper Perry, Lori Romero, Jon Shroyer, Teri Ann Uccan e Danielle Vigil.
Música: Steven Price.
Elenco: Will Forte, Lana Condor, John Cena, Tone Bell, Martha Kelly, Luis Guzmán, P.J. Byrne, John Early, Nancy Linehan Charles, Kenneth Choi, Ernie Vigil, Eric Bauza, Candi Milo, Jim Cummings, Hayes Hargrove, Phuong Kubacki, Dani Payne, Eddie Garcia, Amy Rauch, Laura-Love Tode, Aimee McGuire, Doug Montoya, Bennie Taylor, Crista Benavidez, Carl Savering, Rachel Hroncich, Ryan Begay, Kelsey Leos Montoya, Kristin K. Berg Kristin K. Berg, Zoe Buchansky, Steven Ray Byrd, Tanya Camargo, Eric Crain, Yvette Fazio-Delaney, Ryan Fritz, Stephanie Hill, James LaPrelle, Joanne Marie, Crystal Mayes, Ron McLamb, David Phyfer, Travis Siemon, Michael E. Stogner e Alfredo Tavares.


