Em suas andanças pelo velho oeste cinematográfico, Clint Eastwood acumulou conhecimento suficiente ao ser dirigido por nomes como Sergio Leone e Don Siegel, dois mestres que lhe trouxeram inspiração e lhe possibilitou a bagagem necessária para, enfim, tirar do papel oxidado o roteiro de David Webb Peoples e eternizá-lo nesta obra-prima do faroeste contemporâneo intitulado “Os Imperdoáveis” (Unforgiven, 1992).
Provavelmente – pelas palavras do próprio Clint -, “Os Imperdoáveis” põe em definitivo um ponto final quanto a possibilidade dele atuar ou dirigir em outro filme de faroeste. Este longa-metragem é uma homenagem aos mentores Sergio e Don, cineastas de calibre grosso e que muito influenciaram no modo de fazer cinema praticado com excelência pelo genial Sr. Clinton Eastwood Jr..
A história norteada neste longa-metragem trazido aos olhos do espectador é uma espécie de fábula e sua produção data-se do início dos anos 1990. O enredo de “Unforgiven” tem como ponto de partida uma prostituta chamada Delilah Fitzgerald (Anna Thomson) – a meretriz que tem partes do corpo e da face retalhada por um sujeito embebido em fúria assim que seu pequeno órgão sexual foi motivo de risada.
A punição aplicada pelo xerife local “Little” Bill Daggett (Gene Hackman) ao agressor e seu colega é considerada branda, ao isentá-los de um castigo físico e exigir deles uma indenização (sete potros) ao “proprietário” da puta machucada, Skinny Dubois (Anthony James). Por esse motivo, a pena gera revolta entre as companheiras de bordel que se unem para arrecadar o valor de mil dólares como recompensa para o pistoleiro que matar a dupla responsável pela covardia.
É com esse anúncio de recompensa que entra em cena o pistoleiro assassino “aposentado” William Munny (Clint Eastwood). Após a morte da esposa, Will encontra-se sobrevivendo com os filhos em uma singela fazenda localizada em algum lugar do Kansas, onde diariamente se dedica à criação de porcos. Longe do vício da bebida e dos assassinatos impiedosos cometidos no passado, o homem sisudo leva sua vida familiar sob a responsabilidade de sozinho cuidar dos filhos pequenos.
A vida pacata do pai viúvo e criador de porcos logo é posta de lado ao ser surpreendido com a visita inesperada do jovem Schofield Kid (Jaimz Woolvett) à sua casa para convidá-lo a ser o seu parceiro na caça aos cowboys responsáveis por retalhar a prostituta. Como parte do argumento para convencer o experiente matador, a visita se diz ser um novato homicida e revela o valor da recompensa pelo trabalho sujo.

Literalmente atolado na lama, sem um “puto” no bolso e testemunhando seus porcos sendo tomados em febre, Will aceita a empreitada que o fará reviver um passado de violência e remorso. Porém, antes ele resolve testar a sua pontaria a distância com um revólver; todos os tiros passam longe do alvo, logo ele empunha seu velho rifle e finalmente acerta em cheio o objetivo. De barba feita, ele visita o túmulo de sua esposa onde se senta e reza em silêncio; ao se levantar para deixar o solitário sepulcro, ele deita sobre o simples jazigo o habitual ramalhete de flores coloridas.
Assim que retorna para a casa, Will encontra os filhos e orienta o mais velho quanto aos cuidados com a irmã e os animais. Ao montar no cavalo para zarpar, ele demonstra uma tremenda dificuldade até cair ao chão; entre a tentativa de subir e finalmente estar montado, ele confessa diante dos filhos o quanto era fraco e maltratava os animais e que toda essa tentativa ridícula de estar no dorso do animal era um castigo. Assim ele toma rumo ao encontro do seu antigo parceiro de matança, Ned Logan (Morgan Freeman).
Na casa de Ned, este então fica por dentro da agressão contra a prostituta e a recompensa proposta, logo tenta um contra-argumento quanto a ambos aceitarem essa missão difícil, ainda mais com a idade avançada e passados onze anos desde o último tiro disparado contra uma pessoa. De acordo, a dupla se põe em ação novamente com o acréscimo de ressuscitar e confrontar os temidos fantasmas do passado ao lado de um jovem aspirante à pistoleiro com miopia.
O encontro de William Munny e Ned Logan com Schofield Kid tem uma recepção que poderia ter custado a vida dos dois velhos amigos, porém a saraivada de balas disparadas contra os veteranos traçam longe e assim são salvos graças ao problema de visão do garoto – confessado mais tarde em uma conversa com Bill. O ato de desespero demonstra o quão inseguro o garoto se encontra, imagine a “sinuca de bico” que será quando chegar a hora de apertar o gatilho para dar fim a uma vida humana.
As andanças do trio para encontrar, executar o trabalho (literalmente) e tomar posse da recompensa é envolta de diálogos e situações que fazem os mais experientes refletirem sobre passado e presente. Em contrapartida, assiste-se um jovem inocente que vê em William Munny uma admiração que no momento encontra-se em um caminho de redenção – que de certo modo sucumbe diante de um ato imperdoável.
A composição da fotografia inicial resulta em uma imagem deslumbrante e ao mesmo tempo melancólica diante das silhuetas de William Munny debaixo da árvore defronte à sua casa, cavando o leito de morte de sua amada esposa, enquanto contrasta com as cores vibrantes do pôr do sol. O mesmo visual é replicado em outras capturas de cenas, uma ideia que transmite certa paz ao mesmo tempo que desperta uma certa reflexão.

Outro prova da qualidade vista na direção de fotografia composta por Jack N. Green é o uso de pouca luz em cenas que são cobertas não só de sombras, mas também de tensão ao se multiplicar com a adição da trilha sonora de Lennie Niehaus. Eastwood trata a iluminação em excesso com certo ódio, para ele a luz excessiva remete à televisão; assim vê-se em “Os Imperdoáveis” cenas com atores e objetos cobertos por sombra, composição parecida com a fotografia escura dos filmes noir. A iluminação vinda das lamparinas a óleo e o tom “tempestuoso” remetem ao ambiente sombrio e muitas vezes carregados de tensão.
Do outro lado, lá em Big Whiskey, no Wyoming, local onde a prostituta foi retalhada, encontra-se o xerife “Little” Bill Daggett, um homem que aplica as leis conforme as suas próprias regras e senso de justiça – o que torna a estrela em seu peito algo decadente, assim como sua maneira de agir – tomando como exemplo a ordem direcionada aos bandidos, a impunidade deles frente a somente indenizar o cafetão (motivo causador da revolta de todas as colegas profissão).
Outra amostra da autoridade violenta do dito homem da lei é quanto à chegada de English Bob (Richard Harris) à cidade na companhia de seu biógrafo, W.W. Beauchamp (Saul Rubinek). Ao presumir que a presença do estrangeiro à sua cidade traria confusão e ameaça à ordem imposta pela sua autoridade, Bill Daggett tratou logo de pegá-lo como exemplo do que iria acontecer com quem ousasse se quer carregar uma arma na cintura. A surra aplicada em English Bob no meio da rua coloca uma mancha na imagem do autoritário homem, cujo dever se pratica ao seu modo e não ao que rege a lei.
O histórico cruel e intempestivo de William Munny encontra-se reprimido graças a sua mulher, que também é a responsável por ele estar há 10 anos sem colocar sequer um pingo de whisky goela adentro. Entretanto, após o trio matar com muita dificuldade um dos bandidos, Ned decide não seguir adiante para finalizar o trabalho e então resolve retornar para o Kansas com Will prometendo lhe entregar parte da recompensa. Infelizmente esse regresso é interceptado pelos capangas do xerife “Little” Bill e resulta na tragédia derradeira – motivo que faz Will retornar ao assassino imperdoável e mortal que fora anos atrás, colocando abaixo a década de sobriedade ao virar alguns goles da garrafa de whisky.
Sob uma tempestade noturna não tão violenta quanto a matança que está por vir, Will chega à cidade de Big Whiskey na companhia do jovem Schofield Kid, após orientá-lo, o renascido matador imperdoável caminha pela rua principal e ao chegar em frente ao salão Greely dá de cara com a imagem humilhante do corpo de Ned em um caixão aberto e exposto na varanda do estabelecimento com o aviso: “Isso é o que acontece com assassinos aqui”.

No interior do saloon, o pistoleiro e xerife “Little” Bill Daggett se entretém em bebedeira com seus subordinados pelo dia de trabalho e planeja a ação a ser tomada ao amanhecer. De supetão e sem ser convidado, o velho Will aparece na “festa” com sua única companhia em punho – todos os presentes paralisam ao avistar o temido homem como se fosse uma alma penada encharcada em meio à penumbra.
A trilha sonora dos trovões ecoando em cena soa como um tempestuoso prelúdio à matança prestes a estourar; há ainda o detalhe do barulho metálico das esporas da bota de Will a cada passo dado – tais detalhes sonoros acrescentam um peso amedrontador à cena. O primeiro disparo de William Munny joga a vítima para trás como se fosse um saco de batatas. Em seguida, se dá o diálogo entre ele e o xerife, este chama aquele de matador de mulheres e crianças, fato validado de pronto e que confirma o quanto Will era um assassino sem nenhum pudor e agora quase vazio no ato de misericórdia.
A bagagem adquirida ao longo do tempo pelos atores Eastwood e Hackman deram aos veteranos a segurança necessária para se destacarem em qualquer elenco, seja qual for a produção. Em “Os Imperdoáveis” se vê mais uma prova segura do ápice dos seus talentos. Richard Harris provou estar entre a dupla de destaque ao fazer o papel de English Bob, um inglês debochado e cometido a empreender afronta. Morgan Freeman é outro nome importante que se enquadra ao seleto grupo de atores que detém exímio talento ao desempenhar o seu ofício artístico.
Pela filmografia vista até o longa metragem da qual se destina esta resenha crítica, Clint Eastwood vai na contramão do que se mostrou ser um padrão nas histórias inspiradas no velho oeste, narradas ao longo do tempo através dos faroestes clássicos – aliás, alguns desses filmes conta com a presença dele na pele seca e empoeirada de algum cowboy carrancudo e pronto para o duelo armado.

Clint não é um homem adepto à moda momentânea, se todos seguem fazendo zigue, ele já se antecipa a fazer zague. Eastwood faz o que bem entende sem que ninguém lhe dite regras ou tendências comerciais, o sucesso (comercial e popular) para o cineasta é consequência, se vir a colher os louros do trabalho, tudo bem; se não, tudo certo também.
Gene Hackman domina “Little” Bill, um personagem pra lá de complexo. O ofício de chefe da lei mascara aos olhos do espectador, porém seu comportamento quanto a proibição de armas e a violência imposta contra quem ameaça sua autoridade, sugere incerteza quanto ao seu legado até então. O que se fez no passado, uma hora será cobrado, seja agora ou depois. Não adianta se eximir do que foi feito sem se arrepender de alma e coração; mesmo assistindo ao pôr do sol no sossego da varanda nova. Sem o arrependimento e o perdão, nada impedirá o destino a bater à sua porta para lhe cobrar aquela dívida.
Quando as pessoas se entregam à violência para obter a justiça da sua maneira, ambos os lados perdem, e “Os Imperdoáveis” comprova essa sina, pois a morte cobrou a dívida de “Little” Bill com a morte, assim o xerife jamais terminará de construir sua varanda, consequentemente nunca irá fumar o seu cachimbo à noite ou tomará o seu café enquanto assiste ao pôr do sol; já William Munny continuará vivo, porém sem o único amigo e sobrevivendo dia a dia com a dor do remorso. Como dizia o icônico personagem “Seu Madruga”, interpretado magistralmente pela lenda Ramón Valdés: “A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”.
A tragédia é um tema presente desde o princípio deste longa-metragem. A dor de uma perda ou a dor sentida na própria pele, seja ela natural ou trágica, abre espaço para a reflexão quanto a encarar a vida por um caminho de busca pela paz. No entanto, muitos persistem em permanecer ignorantes ao continuar batendo cabeça e dando murro em ponta de faca como se estivessem cegos pelo ódio, na busca pela honra, porém no abandono dos princípios e valores morais do comportamento humano.
Sem medo de errar na minha confirmação a seguir: “Os Imperdoáveis” é uma obra-prima do faroeste moderno, um páreo nada fácil de ser superado. O título assume o posto de último grande filme western já produzido até o presente momento (2025). Uma produção que se destaca por inteiro e ousa ao revisionar um gênero longínquo, responsável por contar histórias e criar personagens pungentes.
Inté, se Deus quiser!
NOTA: 
Trailer
Pôster

Curiosidades sobre Os Imperdoáveis
- O diretor Clint Eastwood dedicou o filme aos diretores e mentores Sergio Leone e Don Siegel. O crédito final na tela diz: “Dedicado a Sergio e Don”;
- A mãe de Clint Eastwood, Ruth Wood, trabalhou durante um dia desconfortável (usando um vestido pesado) como figurante, filmando uma cena em que ela embarca em um trem. No entanto, a cena acabou sendo cortada, e seu filho se desculpou dizendo que o filme era “muito longo e ter que cortar alguma coisa”. Tudo foi perdoado quando ele a levou ao Oscar e a agradeceu com destaque em seu discurso de agradecimento;
- O roteiro circulou por Hollywood por quase 20 anos. Gene Hackman leu e rejeitou o roteiro, mas depois foi convencido por Clint Eastwood (que detinha os direitos há algum tempo) a interpretar um papel;
- Filmado perto de Calgary, Canadá, que estava enfrentando um clima excepcionalmente seco. A maior parte da chuva foi criada no local. A neve que cai quando William Munny está se recuperando do espancamento foi inesperada e não foi roteirizada;
- Embora a trilha sonora tenha sido arranjada por Lennie Niehaus, o tema principal foi escrito por Clint Eastwood;
- Este é o terceiro faroeste a ganhar o Oscar de “Melhor Filme”. Os outros dois são “Dança com Lobos” (1990) e “Cimarron” (1931);
- Frances Fisher disse que o roteiro original de David Webb Peoples era um dos mais perfeitos que ela já tinha visto, pois parecia quase um romance. Ela ilustrou isso com o fato de que, enquanto a maioria dos roteiros está repleta de revisões posteriores marcadas com tinta vermelha nas margens, esse quase não tinha nenhuma. Uma das poucas alterações que Clint Eastwood fez no roteiro de Peoples foi remover a narração de abertura e substituí-la por um texto;
- Richard Harris estava assistindo “O Estranho sem Nome” (1973) na televisão quando Clint Eastwood telefonou para ele oferecendo o papel de “English Bob”, o que fez com que Harris pensasse que se tratava de uma pegadinha;
- Clint Eastwood levou vários anos para realmente ler o roteiro, pois seu leitor de roteiros havia lhe dito inicialmente que não era muito bom;
- As botas usadas por Clint Eastwood são as mesmas que ele usou em “Couro Cru” (Rawhide, 1959). Essas botas agora fazem parte da coleção particular de Eastwood. Em 2005, elas foram emprestadas para a exposição de Sergio Leone no Gene Autry Museum of Western Heritage em Los Angeles, CA. As botas basicamente encerraram a carreira de Eastwood nos filmes de faroeste;
- No início da década de 1980, Francis Ford Coppola recebeu o roteiro e se reuniu com John Malkovich para lhe oferecer o papel de William Munny. Malkovich relembrou: “A oferta não foi muito séria, graças a Deus! Digo isso por mim e pelo pobre público, e por Clint, com certeza! Eu teria sido um fracasso total, total. Total! Quem gostaria de ver isso? Eu não gostaria! Eu estaria apenas atuando, encenando. Há algumas coisas que você só pode ter com uma espécie de figura mítica, que é o Clint.” Malkovich trabalhou com Clint Eastwood em “Na Linha de Fogo” (1993) e “A Troca” (2008);
- Para manter a atmosfera autêntica, não foram permitidos veículos motorizados no cenário do Big Whiskey;
- O designer de produção Henry Bumstead levou apenas 32 dias para construir o conjunto Big Whiskey, o mais rápido em sua longa carreira;
- O moinho de vento que aparece como pano de fundo durante grande parte do filme era um moinho de vento real em funcionamento, e não uma peça de cenário, e até hoje bombeia água para a The Dow Wetlands Preserve em Antioch, Califórnia, para onde foi enviado após as filmagens;
- Morgan Freeman ficou sabendo desse filme por Kevin Costner durante as filmagens de “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” (1991). Freeman procurou Clint Eastwood e conseguiu o papel de Ned Logan;
- Clint Eastwood disse na época que esse seria o último filme em que ele atuaria e dirigiria. Desde então, ele atuou como ator e diretor em vários outros filmes;
- Filmado em 39 dias, chegando quatro dias antes do previsto. A cidade teve de ser construída muito rapidamente, com um tempo relativamente curto (dois meses) para o início das filmagens. O coordenador de dublês usou o período de construção para trabalhar nas habilidades de pilotagem dos atores e na coreografia de dublês;
- A frase do delegado Clyde sobre o motivo pelo qual um homem de um braço só precisava carregar três pistolas, “I don’t want to get killed from lack of being able to shoot back” (Não quero ser morto por não poder atirar de volta), às vezes é atribuída a James Butler “Wild Bill” Hickok. Ele geralmente carregava duas pistolas na cintura, outra em um coldre de ombro, às vezes outra presa na parte de trás do cinto, e geralmente tinha pelo menos uma Derringer escondida em algum lugar. Quando trabalhava como agente da lei, ele também costumava carregar uma espingarda de cano serrado. Hickok também riu do relato de Ned Buntline sobre o fato de ele ter matado 20 homens com 20 tiros, dizendo que sua teoria era começar a atirar e continuar atirando até que o homem em quem estava atirando estivesse morto;
- Gene Hackman havia recusado o papel de Munny antes de o roteiro chegar a Clint Eastwood;
- Classificado em 4º lugar na lista do American Film Institute dos 10 maiores filmes do gênero “western” em junho de 2008;
- O personagem Corky Corcoran é o nome de um cinegrafista que estava filmando um spot promocional para outro filme de Clint Eastwood. Durante um intervalo na entrevista, Clint Eastwood perguntou qual era o nome do cinegrafista e, quando lhe disseram que era Corky Corcoran, Clint não acreditou. Seu nome de batismo é John, mas ele se chamava Corky a vida toda. Clint disse que esse era um nome e tanto;
- Esse filme e “O Estranho sem Nome” (1973) abrem e fecham com o mesmo local, ângulo de câmera e hora do dia;
- Em 2004, “Os Imperdoáveis” (1992) foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso por ser considerado “cultural, histórica ou esteticamente significativo”;
- De acordo com Clint Eastwood, em uma entrevista de 2000, Gene Hackman estava muito preocupado com a forma como eles mostrariam a violência no filme, preocupado com o aumento da violência com armas nas cidades americanas. Eastwood garantiu a Hackman que o filme não glorificaria a violência armada;
- Clint Eastwood pediu a Gene Hackman que fizesse de “Little Bill” Daggett o modelo do então chefe de polícia de Los Angeles, Daryl Gates;
- As duas últimas semanas da fotografia principal foram realizadas na Sierra Railroad, no condado de Tuolumne, Sonora, CA, escolhida por seu trem operacional de bitola estreita do século XIX;
- O produtor/diretor Clint Eastwood e o roteirista David Webb Peoples não se propuseram a fazer um filme contra a violência. Eastwood disse que estava interessado em desconstruir o mito do Velho Oeste, com sua clara distinção entre heróis e vilões, e queria mostrar uma representação inglória da morte;
- A dificuldade de Will em montar o cavalo foi conseguida pelo fato de ele ter segurado a rédea esquerda bem perto, o que fez o cavalo virar para a esquerda;
- O roteirista David Webb Peoples credita o filme “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, e o romance “The Shootist”, de Glendon Swarthout, como duas das principais influências que moldaram seu roteiro;
- Segundo as lembranças do próprio Clint Eastwood, ele recebeu o roteiro no “início dos anos 80”, embora não o tenha seguido imediatamente porque, segundo ele, “achei que deveria fazer outras coisas primeiro”. Mais tarde, ele disse que esperou propositalmente até ter a idade certa e estar no ponto certo de sua carreira. O biógrafo Patrick McGilligan especifica que o filme foi apresentado a ele na primavera de 1984 por Megan Rose, analista de histórias da Warner Brothers, com quem Eastwood estava dormindo na época;
- Em 2007, o American Film Institute classificou esse filme em 68º lugar em sua lista dos “Melhores Filmes de Todos os Tempos”;
- O roteiro foi escrito por David Webb Peoples, que estreou com o roteiro de “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (1982). Peoples já havia escrito e vendido o roteiro para esse filme em algum momento da década de 1970, mas demorou cerca de 20 anos para que ele fosse transformado em filme. Inicialmente, foi escolhido como um projeto para Francis Ford Coppola e John Malkovich, mas não deu certo. Posteriormente, foi comprado por Clint Eastwood, mas, novamente, muitos anos se passaram sem que nada acontecesse (Eastwood estava guardando o filme para o momento certo de sua vida). Na verdade, foi em uma festa que David e sua esposa Janet Peoples conheceram Eastwood, e Janet perguntou-lhe corajosamente se ele iria fazer esse filme. Eastwood respondeu que estava prestes a anunciar isso;
- A música do trailer, que apareceu nos cinemas e em alguns DVDs, foi composta por Randy J. Shams e Tim Stithem em 1992. A música tema principal, “Claudia’s Theme”, foi composta por Clint Eastwood;
- Não conhecido por elogiar outros atores, Richard Harris afirmou ter gostado de trabalhar com Gene Hackman. Da mesma forma, gostou de trabalhar com Clint Eastwood como diretor;
- Jeremy Irons foi considerado para o papel de English Bob;
- Quando Jack Nicholson soube que Saul Rubinek estava fazendo um teste para o filme, ele o aconselhou a fazer um esforço extra em sua fita, de modo que Rubinek não apenas reproduziu a cena do teste, mas também algumas outras, e gastou tempo e dinheiro para fazer com que a fita parecesse profissional. Quando Clint Eastwood o escolheu, Rubinek lhe perguntou por que, e o diretor disse que sua fita de audição se destacava;
- Saul Rubinek disse em um tributo a Gene Hackman: “Tive a sorte de passar alguns dias atuando com Gene em Unforgiven. Lembro-me do seguinte: a enorme cena da prisão do ‘Duck of Death’ com ele, comigo e com Richard Harris foi uma cena de cobertura do tempo interior, ou seja, programada no último minuto por causa da chuva. E o xerife Little Bill, de Gene, tinha a maior parte das falas. E Clint gostava de filmar os ensaios. Cara, quando você estava atuando com Gene em uma situação como essa… e do outro lado de mim estava a presença perigosa do ultrajante Richard Harris…? Eu tinha que ESTAR LÁ. Eu tinha que aparecer. Porque Gene elevou muito o nível, sem que eu percebesse que ele estava fazendo isso. Ele tornou tudo… fácil. A cena que você vê no filme foi o ensaio filmado – a primeira vez que fizemos isso. Nunca esquecerei a dádiva de respirar aquele ar compartilhado”;
- O conceito desse filme data de 1976, quando foi desenvolvido com os títulos “The Cut-Whore Killings” e “The William Munny Killings”;
- A ferrovia, utilizada para filmar a sequência do trem, também foi utilizada em “O Cavaleiro Solitário” (1985);
- O escritor, David Webb Peoples, baseou sua história em parte em um romance de faroeste que o impressionou muito, The Shootist. O livro foi transformado em um filme, “O Último Pistoleiro” (1976), que foi o último filme feito por John Wayne. Assim como o personagem de Eastwood nesse filme, o personagem de Wayne era um ex-pistoleiro envelhecido que se vê diante de situações extremas, levando a um final sombrio. Assim como no caso do escritor pulp desse filme, há um personagem mais jovem que é fascinado pela reputação letal do protagonista e que serve de testemunha de seu último suspiro;
- O filme foi refeito em um filme japonês, também intitulado Os Imperdoáveis (2013), estrelado por Ken Watanabe e muda o cenário para o início da era Meiji no Japão;
- Clint Eastwood afirmou há muito tempo que o filme seria seu último faroeste tradicional, preocupado com a possibilidade de que qualquer projeto futuro simplesmente refizesse enredos anteriores ou imitasse o trabalho de outra pessoa;
- Incluído na lista dos 100 melhores filmes americanos de 1998 do American Film Institute;
- Durante todas as cenas com English Bob, seu personagem fala com um sotaque inglês de classe alta e educado, mas na cena final, quando Little Bill o coloca em uma carruagem para levá-lo para fora da cidade, English Bob grita uma enxurrada de insultos para as pessoas da cidade com seu verdadeiro sotaque, que é um sotaque cockney londrino comum de classe baixa, revelando a si mesmo como o falso que ele é, quando antes estava apenas fingindo ser de classe alta;
- O elenco do filme inclui três vencedores do Oscar: Clint Eastwood, Gene Hackman e Morgan Freeman; e um indicado ao Oscar: Richard Harris;
- Último filme de Anthony James;
- As cenas com Little Bill chutando English Bob no chão eram de fato reais. Richard Harris usava acolchoamento sob suas roupas, assim como Clint Eastwood, para as lutas, pois seria impossível fingir que alguém estava sendo chutado;
- Clint Eastwood aparece nos créditos como “Bill Munny”, embora seu personagem seja sempre chamado de “Will” ou ‘William’, e nunca de “Bill”. Os créditos dos personagens de Silky e Faith estão invertidos, pois Faith foi interpretada por Beverley Elliott e Silky foi interpretada por Liisa Repo-Martell;
- Clint Eastwood e Gene Hackman estrelaram mais tarde “Poder Absoluto” (1997), também dirigido por Clint Eastwood;
- O rifle que o delegado Andy Russell (Jeremy Ratchford) carrega para prender English Bob (Richard Harris) é um Winchester ’66 “Yellowboy” com a coronha removida, para se assemelhar a um Henry de primeiro modelo;
- A maior parte do filme foi filmada em Alberta, em agosto de 1991, pelo diretor de fotografia Jack N. Green. O desenhista de produção Henry Bumstead, que havia trabalhado com Clint Eastwood em “O Estranho sem Nome” (1973), foi contratado para criar o “visual invernal e escorrido” do faroeste. A cidade de Big Whiskey foi projetada e construída em dois meses no vilarejo de Longview. Outras locações em Alberta incluíram Brooks, onde a fazenda de William Munny foi construída; e Drumheller, o local da fazenda de Ned Logan;
- O filme representou o retorno de Clint Eastwood, cujos três filmes anteriores, “Coração de Caçador” (1990), “Rookie: Um Profissional do Perigo” (1990) e “Cadillac Cor-de-Rosa” (1989) foram considerados decepções de bilheteria;
- O filme se passa, em sua maior parte, em julho de 1881, conforme referenciado pelos artigos de jornal que mostram que o presidente Garfield foi ferido – o assassinato ocorreu em 2 de julho de 1881;
- Filme favorito do ator e diretor Bill Duke;
- O inglês Bob, interpretado por Richard Harris, irrita a todos ao afirmar que não se ousaria assassinar um rei porque a aura real intimidadora afugentaria qualquer assassino em potencial. Ironicamente, o personagem titular de “Cromwell, O Homem de Ferro” (1970), também interpretado por Richard Harris, é mostrado como a força motriz por trás da decapitação do Rei Carlos I em 1649. Essa foi a única execução de um monarca inglês em toda a história;
- O filme faz várias referências à natureza cruel dos assassinatos cometidos por Munny em sua juventude. Essa natureza não é vista no homem que ele acabou se tornando. Em um determinado momento, ele relembra com Ned sobre o boiadeiro que havia matado anos antes. Isso lembra a crueldade desmedida e sem alma vista na atuação de Gavan O’Herlihy como Dan Suggs em seu ódio assassino pelos sodbusters em “Os Pistoleiros do Oeste” (1989);
- Estreia de Jaimz Woolvett no cinema, interpretando “The Schofield Kid.”;
- Tanto Morgan Freeman quanto Gene Hackman interpretaram Deus; Freeman interpretou Deus em “Todo Poderoso” (2003) e “A Volta do Todo Poderoso” (2007); Hackman fez a voz de Deus em “Embalos a Dois” (1983);
- O tiroteio final entre Munny e os policiais da cidade acontece exatamente como Little Bill descreve o tiroteio para W. W. Beauchamp: Little Bill e seus ajudantes disparam meia dúzia de tiros, mas todos se apressam (ou entram em pânico) e erram. Munny, por outro lado, mantém a calma e acerta todos os tiros que dá;
- Quando Bob, o inglês, vai embora, xingando a cidade, ele fala com um sotaque cockney áspero e de classe baixa, confirmando que a personalidade refinada e abastada de Bob era falsa. Em uma entrevista de 1992, Richard Harris revelou: “Li o roteiro e disse a Clint Eastwood: ‘Sabe, seria ótimo se eu pudesse interpretar esse homem como uma espécie de farsa da classe alta, e no final do filme – quando ele apanha muito – talvez tudo isso desapareça, e você veja que, por trás de tudo, ele é realmente um canalha.’ E Clint disse: ‘Sim, ótimo! Vai em frente!'”;
- De acordo com o roteiro, o garoto Schofield se afogou por culpa;
- O garoto Schofield deu a si mesmo o nome de sua pistola modelo Schofield e se gaba de ter matado cinco homens com ela, o que acaba sendo uma mentira. No entanto, sua pistola de fato mata cinco homens: Kid mata o próprio cowboy e William Munny atira nos quatro delegados com ela;
- Há uma tomada da cena em que William Munny mata “Little Bill” Daggett: no set, Clint Eastwood dispara a arma contra Gene Hackman, que está deitado, alguém fora da câmera grita e Eastwood sorri para Hackman, dizendo: “Tome isso!” Esse filme foi exibido quando Clint Eastwood foi convidado do “The Oprah Winfrey Show” (1986) para promover “As Pontes de Madison” (1995);
- Na cena em que William Munny mata o xerife e seus ajudantes e depois diz: “Se alguém não quiser ser morto, é melhor sair pelos fundos”, há um homem que sobrevive: Ele é um homem baixo, de chapéu-coco, que sai lentamente com um andar engraçado, balançando para cima e para baixo, e depois sai. O mesmo tipo de personagem (talvez até o mesmo ator) pode ser visto no final de “O Cavaleiro Solitário” (1985), quando o personagem de Clint Eastwood, The Preacher, mata os próprios homens de LaHood. Ele pergunta: “Você já terminou?” logo antes de matar os homens, e um deles, também um homem baixo com um chapéu-coco, caminha calmamente exatamente da mesma forma, balançando para cima e para baixo, sai e sobrevive;
Ficha técnica
Diretor: Clint Eastwood.
Roteiro: David Webb Peoples.
Produtores: Clint Eastwood, Julian Ludwig e David Valdes.
Diretor de fotografia: Jack N. Green.
Editor: Joel Cox.
Design de produção: Henry Bumstead.
Figurino: Joanne Hansen, Carla Hetland, Valerie T. O’Brien e Glenn Wright.
Cabelo e maquiagem: Stan Edmonds, Iloe Flewelling, Michael Hancock e Carol Pershing.
Música: Lennie Niehaus.
Elenco: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek, Frances Fisher, Anna Thomson, David Mucci, Rob Campbell, Anthony James, Tara Frederick, Beverley Elliott, Liisa Repo-Martell, Josie Smith, Shane Thomas Meier, Aline Levasseur, Cherrilene Cardinal, Robert Koons, Ron White, Mina E. Mina, Henry Kope, Jeremy Ratchford, John Pyper-Ferguson, Jefferson Mappin, Walter Marsh, Garner Butler, Larry Reese, Blair Haynes, Frank C. Turner, Sam Karas, Lochlyn Munro, Ben Cardinal, Philip Maurice Hayes, Michael Charrois, William Davidson, Paul Anthony McLean, James Herman, Michael Maurer, Larry Joshua, George Orrison e Greg Goossen.


