Resenha crítica do filme Nuremberg (James Vanderbilt, 2025)

O filme “Nuremberg” (2025) não tem como principal cenário a dinâmica do Julgamento de Nuremberg, o roteiro adaptado descreve a história sobre a perspectiva do jovem psiquiatra do exército Douglas M. Kelle (Rami Malek), escalado para analisar e determinar o estado de sanidade mental de cada um dos 22 homens do alto comando nazista que em breve estariam ocupando o banco dos réus – tendo como principal integrante desse grupo, o ex-Marechal do Reich (patente única nominada no idioma alemão de Reichsmarschall), Hermann Göring (Russell Crowe).


O diretor e roteirista deste thriller psicológico, James Vanderbilt, teve como base para escrever o roteiro o livro intitulado “The Nazi and the Psychiatrist” (‘O Nazista e o Psiquiatra’), escrito pelo jornalista Jack El-Hai e lançado em 2013. A espinha dorsal do enredo é o encontro entre o jovem psiquiatra Douglas M. Kelley e seu paciente Hermann Göring – o braço direito de Adolf Hitler e o principal nazi capturado pelos Aliados e  que está prestes a ser julgado pelos crimes de guerra.

À primeira vista, o monstro Göring se apresenta diante de uma personalidade aparentemente carismática e manipuladora, puro engodo de alguém treinado e experiente frente à situação de se defender perante um tribunal militar, quiçá condenado à pena de morte por enforcamento – considerada por ele humilhante, uma vez que o fuzilamento seria “uma morte digna de um soldado”, informação escrita a próprio punho em um bilhete destinado ao comandante da prisão.

Hermann Göring sorri enquanto o psiquiatra Douglas Kelley faz a avaliação psicológica com o Teste de Rorschach. Sentado ao lado, o sargento Howard Triest os observa.
O alemão Hermann Göring segura as pranchas com manchas de tinta (Teste de Rorschach) e sorri para o psiquiatra Douglas Kelley, enquanto o sargento Howard Triest (Leo Woodall) os observa. Nesta cena, Göring demonstra carisma com sorrisos largos e distribui risadas amigáveis; tudo isso são táticas de sua estratégia de manipulação.

Do outro lado, encontra-se um jovem médico do exército, o psiquiatra Douglas M. Kelley, que entre idas e vindas até a cela de Göring, acaba por criar uma relação amistosa que abre caminho para uma duvidosa relação de confiança. As primeiras impressões do Dr. Douglas Kelley quanto ao segundo nazi em comando de Hitler é o seu charme, principalmente o seu ego inflado. Mais tarde, baseado nos estudos e no feeling adquirido por meio das conversas e trocas de farpas, Kelley presume que havia por trás dos nazistas uma ambição oportunista ao poder para assim exercer domínio total sobre as pessoas.

O entretenimento de Kelley com os nazis em pleno voo para Nuremberg denota um comportamento até então estranho do jovem médico. A diversão consiste no truque da moeda, diante dos olhares tediosos, porém atentos, o psiquiatra faz uma moeda desaparecer das mãos como num passe de mágica. Mais tarde, este truque passará para mãos erradas e assim a licença poética se fará presente no destino final de um nazi corpulento, um fim cujo o comandante da Prisão de Nuremberg, coronel Burton C. Andrus (John Slattery), tanto exigiu atenção para que suicídio não virasse uma covarde opção.

A química entre os atores Rami Malek e Russell Crowe é visível desde o momento em que dividem a tela, os diálogos de seus personagens se sustentam sobre uma linha delicada, qualquer desequilíbrio por parte de Kelley pode ser a quebra definitiva da confiança do calculista Göring. Existe por trás desses diálogos discorridos ao longo de “Nuremberg”, um duelo psicológico e brutal acontecendo conscientemente. Por mais que Göring tente ser ardil, visar à manipulação das pessoas para endossar à submissão sobre seu poder delirante, o sentimento de repulsa sobre esse ser repugnante é racional.

Entra nesta história até o Papa Pio XII (Giuseppe Cederna), o Pontífice da época é procurado por Robert H. Jackson (Michael Shannon) para uma conversa onde busca a benção da Igreja para o consenso internacional quanto a realização do julgamento que decidirá o destino dos nazis. Apesar de Sua Santidade nunca ter negado a maldade praticada pelos alemães, Pio XII diz não poder apoiá-los após uma lição de moral quanto ao que o procurador chama de “Justiça”. Ao esbravejar dizendo que a Igreja foi a primeira potência mundial a reconhecer o Estado do Führer, de pronto, o Bispo de Roma argumenta dizendo que a intenção foi exclusivamente para proteger os católicos na Alemanha. Então, Jackson o acusa de não ter feito nada pelos judeus – o que se sabe ser uma mentira.

Sobre a calúnia dita por Robert H. Jackson ao papa Pio XII com relação a ajudar os judeus, o próprio Albert Einstein declarou publicamente após a Segunda Guerra Mundial: “Só a Igreja Católica protestou contra o assalto hitlerista à liberdade”. A lendária Golda Meir escreveu um telegrama à Secretária de Estado do Vaticano dizendo: “Quando o martírio mais assustador atingiu o nosso povo, durante os dez anos de terror nazista, a voz do Pontífice elevou-se a favor das vítimas”, finalizou com comoção: “Nós choramos a perda de um grande servidor da paz”.

Até o rabino-chefe em Roma (de 1940 a 1945), Israel Zolli, nutria verdadeira admiração pelo Papa Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial, momento onde Sua Santidade proveu total apoio e abrigo a Zolli entre outros judeus durante a ocupação da Itália pelos Nazis (de 1943 a 1944); Foi revelado mais tarde que Roma e o Estado da Cidade do Vaticano foram utilizados por Zolli como esconderijos.

Por ser “Nuremberg” um longa-metragem que transcorre boa parte de seu enredo no ambiente de um tribunal, todo o drama e suspense jurídico visto aqui não sobrecarrega o roteiro com diálogos maçantes e tecnicamente tediosos, ao contrário, as tomadas realizadas durante o julgamento proporcionam diálogos intensos e ao mesmo tempo de profundo impacto visual, mesmo que de maneira sucinta. A imagem de Hermann Göring sentado no banco dos réus com dois guardas de pé ao seu lado remonta a um momento histórico registrado à época em fotos e filmagens.

Hermann Göring sentado no banco dos réus do Julgamentos de Nuremberg.
Sentado no banco dos réus, Hermann Göring praticamente debocha em sua soberba e inteligência calculista diante do interrogatório explanado pela acusação do promotor-chefe Robert H. Jackson.

Assim que o ex-Reichsmarschall começa a ser questionado pelo procurador-chefe dos Estados Unidos, Robert H. Jackson, impressiona a inteligência lógica e de argumentação para sair de uma pergunta cuja resposta errada pode ser o seu fim, literalmente. A frieza no comportamento de Göring começa a esquentar depois que o advogado britânico Sir David Maxwell-Fyfe (Richard E. Grant) pede a palavra ao juiz e inicia uma série de afirmações que leva o braço direito de Hitler a ser “pego pela culatra” com a derradeira sequência acusatória e a afirmação que o comprova culpado, o levando à sentença de morte.

A direção de fotografia realizada pelo polonês Dariusz Wolski, transmite um realismo condizente à época, o tom acinzentado com sombras sustentam a carga emocional e elevam a narrativa visual, retratando o período com uma linguagem visual eloquente ao contexto histórico. A cinematofia estabelecida para o ambiente do tribunal se destaca com uma visão precisa, assim como é considerado um marco jurídico a Carta de Londres (Estatuto de Nuremberg) de 1945, responsável por estabelecer o Tribunal Militar Internacional para por meio dele julgar crimes de guerra e – para neste caso em especial – mostrar ao mundo a justiça sendo feita pelas milhões de almas assassinadas sistematicamente no Holocausto, no que é conhecido como a “Solução Final” (em hebraico, Shoah).

Os detalhes artísticos no filme “Nuremberg” também receberam uma atenção apurada aos detalhes, como é possível ver nos cenários, principalmente no design de produção realizado por Eve Stewart ao tribunal. Bartholomew Cariss é mais uma pessoa importante que se encontra nos bastidores para a relevância desta produção cinematográfica, fato que se vê ao observar a proximidade do guarda-roupa dos personagens com o vestuário original visto nos registros visuais.

A ousadia do diretor James Vanderbilt é vista em uma das cenas do julgamento, quando o tribunal vira uma sala de cinema, o filme em questão é um registro real do genocídio nazista praticado nos “campos de concentração”, local em que aproximadamente seis milhões de judeus foram assassinados. Nesta mesma cena, a câmera capta as diversas expressões das pessoas submersas em sombras, muitas delas visivelmente emocionadas, outras virando o pescoço e gente abandonando o lugar.

No conteúdo audiovisual projetado, o que se assiste são registros terríveis dos corpos esquálidos sendo arrastados num descampado, formando montes de seres humanos (ou resquícios) retorcidos em osso e pele, prestes a serem incinerados em fornos industriais ou descartados em valas comuns sendo cobertos com cal para mascarar o forte odor e acelerar a decomposição. Assim que o rosto de Hermann Göring e de seus camaradas são enquadrados, Göring desvia o olhar da projeção e na sequência se inclina para pegar os óculos escuros e o fone de ouvido.

A guerra termina no tribunal, assim que é batido o martelo e decretado a sentença final, levando, enfim, a principal peça do tabuleiro macabro a cair, carregando consigo, em efeito cascata, todos os seus camaradas submissos ao poder e dispostos a cumprir com o dever imposto pela cabeça hierárquica, mesmo que para isso pessoas morram. O filme “Nuremberg” não esmaece a lembrança.

“Nuremberg” tem muito a nos mostrar até onde a maldade humana é capaz de chegar ao despertar o mal com o ódio e a ambição desenfreada pelo poder, ou ainda no cumprimento de um dever imoral e sem nenhum senso de justiça. Desse modo, deve-se atentar sempre para que essa história não se repita, pois o mal estando dentro de cada um, deve-se todos os dias pôr em prática os princípios morais como honestidade, justiça, respeito e empatia. Hoje em dia, neste mundo cada vez mais polarizado, pessoas dispostas aderem a um líder populista, onde munido de carisma e promessas, se revela “Pai da Mentira”, assim que chega ao poder de uma nação, onde passa a aproveitar do povo como massa de manobra para os seus projetos de domínio.

 

NOTA: Nota do crítico: 4 estrelas (ótimo)

 

 

Trailer

 

Pôster

Pôster do filme "Nuremberg" (2025).

 

Curiosidade sobre Nuremberg 

  • Hermann Göring foi submetido a uma dieta rigorosa por seus carcereiros para que estivesse em condições de ser julgado. Ele acabou perdendo 29,5 quilos (65 libras).
  • A declaração inicial de Michael Shannon no começo da cena do julgamento é uma transcrição exata, embora abreviada, da declaração inicial proferida pelo Juiz Robert Jackson em 21 de novembro de 1945, o segundo dia do tribunal militar. Até hoje, especialistas em direito a consideram um dos discursos mais influentes no cânone do direito internacional e da jurisprudência penal;
  • Apesar da forma como é retratado no filme, na realidade, Hermann Göring teve permissão para receber pelo menos uma visita de sua esposa, Emmy, durante o período em que esteve preso antes do julgamento;
  • Grande parte do interrogatório de Robert Jackson a Hermann Goring é apresentada textualmente a partir do registro real do julgamento;
  • O verdadeiro Robert Jackson era contra a pena de morte, uma posição que ele concordou em deferir ao julgamento do tribunal. Além disso, o tribunal escolheu deliberadamente a morte por enforcamento em vez do pelotão de fuzilamento para expressar desprezo pelos réus militares;
  • Os julgamentos de Nuremberg marcaram a primeira vez que filmes e fotografias do funcionamento interno dos campos de concentração nazistas foram exibidos publicamente. Relatos dos presentes no julgamento indicam que as provas apresentadas foram tão chocantes que várias testemunhas desmaiaram e outras caíram em prantos;
  • Michael Shannon, Russell Crowe e Richard E. Grant interpretaram suas cenas no tribunal em tomadas completas que duravam até 25 minutos. Os figurantes, muitos deles húngaros com histórico familiar na guerra, aplaudiam ao final de cada tomada;
  • Michael Shannon solicitou que não fossem feitas tomadas de sua reação durante a cena em que imagens de campos de concentração nazistas são exibidas no tribunal, pois ele se sentia muito desconfortável em ter que “atuar” como um personagem ao ver imagens de vítimas reais mortas;
  • Embora Hermann Göring fosse fluente em inglês na vida real e conversasse em inglês com seus carcereiros, ele optou por prestar seu depoimento em alemão. Ele e Robert Jackson participaram do interrogatório cruzado por meio de tradução simultânea transmitida por fones de ouvido;
  • Filmado na Hungria, país de onde a maioria das últimas vítimas do Holocausto foram reunidas para campos de extermínio e, perto do fim da guerra, frequentemente executadas sumariamente à vista;
  • Rami Malek afirmou que as cenas da prisão foram filmadas em sets com paredes fixas, o que aumentou a sensação de claustrofobia;
  • Conforme retratado no filme, o juiz Robert Jackson tinha uma relação de trabalho muito próxima com sua secretária, Elsie Douglas. Especulou-se sobre um caso entre eles, mas isso nunca foi comprovado;
  • A pedido do Exército, nenhuma esposa e poucas mulheres foram autorizadas a comparecer ao julgamento, acreditando-se que isso ajudaria a manter a disciplina militar;
  • Hermann Göring tinha 53 anos durante o julgamento, 8 anos mais novo que Russell Crowe, que o interpreta neste filme;
  • Na realidade, os réus receberam sua cópia da acusação das mãos de um oficial inglês, o tenente-coronel Airey Neave. Isso foi feito para demonstrar a cooperação internacional durante o julgamento;
  • Hermann Göring usava um quepi quando se rendeu, e não um boné de oficial;
  • O elenco inclui dois vencedores do Oscar, Rami Malek e Russell Crowe, e dois indicados ao Oscar, Michael Shannon e Richard E. Grant;
  • O juiz americano Francis Biddle afirmou na revista “American Heritage” que Sir David Maxwell-Fyfe foi o melhor interrogador que ele já viu. A eloquência de Goering havia abalado Robert Jackson. Maxwell-Fyfe ignorou as piadas maliciosas e evasivas de Goering. O interrogatório implacável e aparentemente interminável do advogado britânico acabou por desgastar Goering;
  • Assim como em “O Julgamento de Nuremberg” (2000), o papel de Sir David Maxwell-Fyfe (1900-1967) foi interpretado por um ator pelo menos vinte anos mais velho do que Maxwell-Fyfe era durante o julgamento de 1946. Na época das filmagens de suas respectivas versões, Christopher Plummer tinha entre 70 e 71 anos e Richard E. Grant entre 67 e 68 anos;
  • Russell Crowe e Michael Shannon co-estrelaram anteriormente “O Homem de Aço” (2013);
  • Na cena inicial, o soldado com a submetralhadora está apontando a arma para o carro, mas ela não está engatilhada, pois o ferrolho não está puxado para trás. Nas costas dele há bolsas para cartuchos, mas elas não contêm nenhum cartucho, pois estão vazias;
  • Como retratado no filme, Hermann Göring estava entre os 12 membros do alto comando nazista condenados à morte por enforcamento, mas tirou a própria vida ingerindo uma cápsula de cianeto pouco antes de sua execução. O filme nunca explica como ele conseguiu levar o cianeto para sua cela, mas em 2005, a confissão de um ex-guarda da prisão onde Göring estava detido ofereceu uma resposta plausível. O guarda disse que uma jovem alemã que ele conheceu, chamada “Mona”, o enganou, fazendo-o entregar o veneno a Göring em um pequeno frasco de vidro que ela alegava ser remédio. O próprio Göring, no entanto, deixou um bilhete para o comandante da prisão dizendo que nenhum dos guardas era responsável e que, na verdade, ele havia contrabandeado o cianeto para sua cela em um pote de creme para cabelo. Göring também afirmou que teria permitido que os Aliados o executassem, com a exceção de que fosse por fuzilamento, o que ele chamou de “uma morte digna de soldado”, recusando-se a aceitar a “humilhação” de ser enforcado;
  • Não há qualquer menção ao eczema de Göring. Após seu suicídio, descobriu-se que Göring havia escondido a cápsula de cianeto que usou para tirar a própria vida em um frasco do creme para a pele que utilizava para tratar o eczema.

 

Ficha técnica

Diretor: James Vanderbilt.
Roteiro: James Vanderbilt e Jack El-Hai (autor do livro no qual o roteiro foi adaptadoautor, ‘O Nazista e o Psiquiatra’).
Produtores: Nikolett Barabas, Marc Bloomgarden, Devon Boyd, Arthur H Buhr III, Dave Chapman, John B. Crye, Terrol Cummins, Géza Deme, Jack El-Hai, Bradley J. Fischer, Laurence Freed, George Freeman, Alan Galbraith, Arvind Gopwani, Béla Hajnal, Tamás Hajnal, Dan Hamelburg, Tim Hartnett, Ivett Havasi, Cherilyn Hawrysh, András Hont, Thomas G. Huszar, Shara Kay, Annie Keating, Brett Keating, Dorka Klim, Balazs Laszlo, Johnson Lee, István Major, Harrison Moore, Paul Neinstein, Tom Nohstadt, Sharon Paul, W. Porter Payne Jr., Leia Peddie, Roland Pritchett, Brooke Saperstein, Richard Saperstein, Guilhad Emilio Schenker, Don Schmidt, Matthew Schulz, Sandy Shenkman, William Sherak, Frank Smith, János Szabó, Gideon Tadmor, Benjamin Tappan, Dennis Trunfio, Beau Turpin, James Vanderbilt e Andrew Velcoff.
Diretor de fotografia: Dariusz Wolski.
Editor: Tom Eagles.
Direção de arte: Julianna Cristescu e Tibor Lázár.
Figurino: Bartholomew Cariss.
Cabelo e maquiagem: Szandra Bíró, Magdolna Czégér, Gabriella Dudás, Renata Gilbert, Barbara Hajdú, Kornél Hidas, Dóra Horváth Kertai, Mariann Hufnágel, Julian Hutcheson, Jánosné Kajtár, Kyra Klucsarits, Anna Kotorman, Krisztian Kovacs, Éva Kozma, Bernadett Magyar, Vivien Mandász, Hanna Máté, Emese Mettler, Júlia Morvai, Zsófia Muri, Dorottya Nagy, Natasha Nikolic-Dunlop, Lilla Obendorfer, Laura Papp, László Pásztor, F. Kovács Petra, Erzsébet Rácz, Sharon Robbins, Jan Sewell, Judit Skirka, Dorina Szöke. Szabolcs Szõke, Petrei Tamás, Mónika Tóth, Berta Vincze e Ágoston Zsombor.
Música: Brian Tyler.
Elenco: Rami Malek, Russell Crowe, Michael Shannon, Leo Woodall, Mark O’Brien, Colin Hanks, Lydia Peckham, Dieter Riesle, Peter Jordan, Tom Keune, Fleur Bremmer, Ben Miles, Giuseppe Cederna, Paul Antony-Barber, Michael Sheldon, Donald Sage Mackay, Sam Newman, Jeremy Wheeler, Wayne Brett, Blake Kubena, Jonty Peach, Carl Achleitner, Christian Löber, Laurence Pears, Billy Rayner, Roderick Hill, Brett Keating, Leo Saperstein, András Korcsmáros, Ádám Varga, Wolfgang Cerny, István Koncz, Béla Kósa, Árpád Kiss, Gyula Benedek, Balázs Kovács, Mihály Kaszás, Tamás Frey, Barna Illyés, Péter Tunyogi, Gyula Mesterházy, Soma Zámbori, Gábor Róbert, Gábor Maday, Károly Horváth, Levente Kárpáti, Géza Bodor, Alex Wood, Alex Diehl, Philippe Jacq, István Anga Kakszi, Ralph Berkin, Barney Taylor, Alexander Tol, Dan Cade, Gábor Németh, Erwin Giese, Richard E. Grant, Andreas Pietschmann, Wrenn Schmidt, John Slattery, Lotte Verbeek, István Áldott, Laura Bóta, Viktor Heiczman, Richard Kerékgyártó, Vazul Magyar, Tamas Nadas, Steven Pacey e Adam Pelyhe.

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