Resenha crítica do filme Frankenstein (Guillermo del Toro, 2025)

Venho em uma tarde chuvosa de segunda-feira escrever a resenha crítica do filme “Frankenstein” (2025), direção de Guillermo del Toro, admirador-mor do romance escrito por Mary Shelley (‘Frankenstein, ou O Prometeu Moderno’ – lançado de forma anônima em 1818; já em 1823 é lançado a segunda edição, agora assinado pela autora; posteriormente, em 1831, sai uma terceira edição revisada pela própria escritora) e que é amplamente reconhecido como a primeira obra de ficção científica.


O cineasta mexicano del Toro, entrega uma adaptação peculiar à sua criatividade de transformar a imagem horrenda do terror em uma beleza estética cheia de classe e bela ao olhar. Toda essa exuberância épica é condensada em quase duas horas e trinta minutos de uma história de terror monstruosa; nela quase se esconde um romance retraído, porém visivelmente sentido através dos gestos e dos olhares de Elizabeth (Mia Goth). Dedico este parágrafo para elogiar mais uma parceria do cineasta com o diretor de fotografia Dan Laustsen, suas nuances enriquecem ainda mais a trama – a cinematografia captada seja de gravações internas e externas possui uma combinação de estilo clássico ao mesmo tempo que remonta uma atmosfera épica.

Nota-se também, todo o desenvolvimento tecnicamente impecável na construção narrativa quanto à criação da Criatura (Jacob Elordi) por seu criador egocêntrico, o cientista e estudante de “filosofia natural” e medicina Victor Frankenstein (Oscar Isaac) – o personagem parece estar mais eletrizado do que sua própria criação após vir à vida do alto da torre ao receber uma descarga elétrica dos céus, carga responsável por pôr a andar o retalho de defuntos grandalhão.

Chamo a sua atenção para observar os detalhes na decoração do laboratório e na transformação ao longo dessa adaptação quanto aos personagens criatura e criador. Percebe-se neles uma crescente mudança paradoxal na maneira de se comportar, pois o papel do monstro se inverte àquele que aos olhos aparenta ser humano. Logo, nota-se que ao se passar por Deus, criando vida a partir da morte, espera-se um resultado nocivo ao corpo e a alma daquele que ousa desafiar as leis da natureza divina. O arrependimento pode vir tarde e custar caro à vida.

Em sua torre-laboratório, Victor Frankenstein atônito observa a sua Criatura posicionada para receber os raios responsáveis pela eletricidade que levará energia tanto o coração como o cérebro e assim vencer a morte com a vida eterna.
Em seu laboratório, Victor Frankenstein observa atônito a sua Criatura posicionada para receber os raios da tempestade responsável por enviar correntes elétricas pelo sistema linfático e assim produzir a energia para o coração e o cérebro. Na parede ao fundo, a escultura de Medusa. Guillermo del Toro usou também como fonte de inspiração para A Criatura a escultura de Marco d’Agrate, a estátua de São Bartolomeu esfolado.

O estilo épico e sombrio visto no início de “Frankenstein” é impressionante e se passa no ano de 1857. Os homens da tripulação comandada pelo bravo Capitão Anderson (Lars Mikkelsen) lutam contra o frio da geleira do Polo Norte para livrar o navio-veleiro (da Marinha Real Dinamarquesa) incrustado no espesso gelo ártico. Como se não bastasse, além do navio encalhado na camada de gelo, outro problema surge para o capitão e sua tripulação quando eles dão abrigo a um fugitivo aterrorizado (Victor Frankenstein) – o homem fora encontrado jogado ao chão do imenso mar congelado com graves ferimentos. Eis que surge no horizonte escuro, em meio a vastidão do deserto ártico, um ser monstruoso, enorme, com a face em trevas sob o capuz, que persegue àqueles homens até o navio, deixando pelo seu caminho um rastro de sangue e morte, enquanto sua voz gutural chama pelo nome “Victor”. A bordo do navio, o monstro encontra com Victor deitado numa cabine sobre a observação do capitão.

Este bloco acima descreve a preliminar (o prelúdio) da parte um do filme de Guillermo del Toro. Na sequência, segue a primeira parte (A História de Victor), narrada pelo ponto de vista de Victor, um homem brilhante na ciência, porém um ególatra sem nenhuma responsabilidade sobre a experiência de brincar de ser Deus, ao querer trazer à vida um ser todo montado com partes dos corpos de criminosos enforcados e de soldados mortos (ou mutilados) em pleno campo de batalha durante a Guerra da Crimeia. Sem nenhuma noção do que será deste ser após acordar para a vida, Victor vai testemunhar consequências terríveis do seu ato egoísta perante o seu desprezo à Criatura, presa à vida eterna.

Ao caminhar para o fim do filme, inicia-se a segunda parte (A História da Criatura) com a Criatura narrando a sua versão. Neste momento do enredo, o espectador se aproxima ainda mais da real história de vida do monstro, um ser considerado abominável por todos e renegado por quem teve a irresponsabilidade de trazê-lo à vida, Victor “monstro” Frankenstein. Consciente de sua vida, a Criatura guia o espectador à intensidade de seu sofrimento vivido na pele toda remendada quanto ao abandono e à violência praticada pelo seu criador, da rejeição quanto à sua aparência monstruosa, entre outras desgraças.

É impressionante o cuidado de Guillermo del Toro quanto à composição do cenário. A riqueza nos detalhes é quase imperceptível aos olhos desatentos, porém impressionam os espectadores mais atentos às entrelinhas. Isso se deve ao trabalho realizado com precisão pela diretora de arte e designer de produção, Tamara Deverell; assim também é a contribuição referente às minúcias inseridas em cena pelo decorador de arte Shane Vieau – o seu toque aos detalhes engrandecem ainda mais à produção. Cada peça do figurino contribui para a construção do personagem, ainda mais combinado à maquiagem, vista principalmente no núcleo que tange o universo da aristocracia europeia, encabeçado por Victor Frankenstein. Até a roupa jogada sobre a Criatura se relaciona ao estilo gótico presente na atmosfera mitológica da obra. São caprichos que preenchem a tela de uma beleza clássica e de bom gosto.

Como é de praxe perceber nas obras de Guillermo del Toro, o cineasta tem como marca profissional a capacidade criativa de introduzir beleza no que se entende como algo horrível. Realmente esse talento é um diferencial visto nos trabalhos cinematográficos assinados pelo cineasta. Aliás, por trás desse profissional de exímio talento artístico, existe uma pessoa de carisma e de interação social encantadora, assim o descreve quem trabalha em suas produções de cinema.

A presença feminina por meio da atuação de Mia Goth – neta da atriz brasileira Maria Gladys – introduz ao enredo um amor real, sentimento cujo o ótimo roteiro infelizmente deixa um furo ao isentar a origem da faísca responsável por acender essa chama, em meio à escuridão que dominava a acuada Criatura em seu medo e inocência (estados de afetividade e caráter que logo deixam de existir pelo saber; no entanto, e surpreendentemente, retornam antes do fim, quando a Criatura encontra o seu criador). Mia Goth faz um papel duplo, ela também interpreta Claire Frankenstein, a mãe de Victor.

Neste encontro às escondidas de uma curiosa e compassiva Elizabeth com a trancafiada Criatura acorrentada pelos punhos, se transforma em um sentimento de amor inexplicável. Os olhares profundos de Elizabeth à encantada Criatura revelam algo além do espanto.
Neste encontro às escondidas, se vê uma curiosa e compassiva Elizabeth se relacionando com a trancafiada Criatura acorrentada pelos punhos, logo essa interação se transforma em um sentimento de amor inexplicável. Os olhares profundos de Elizabeth à encantada Criatura revelam algo reprimido além do espanto visual, talvez um amor sem igual.

Além da interação afetuosa de Elizabeth com o monstro, outra cena que é possível notar uma fagulha de humanidade crescendo dentro do coração da Criatura, é quando ele faz amizade com um homem velho e cego (David Bradley). Isso se deu após conseguir escapar das algemas que o aprisionavam ao porão do laboratório de Victor, ao se sentir acuado com o fogo criminoso prestes a consumi-lo, e buscar refúgio na floresta, porém, ele é surpreendido por um grupo de caçadores e corre em fuga para se esconder rumo a um celeiro anexo a uma fazenda. No esconderijo, acuado e incapaz de falar uma palavra a não ser balbuciar o nome do seu criador, Victor, a Criatura observa um homem cego ensinar a neta a ler. Neste momento de reclusão, a Criatura começa a praticar a empatia ao ajudar secretamente o senhor cego e sua família, até que os dois se tornam amigos e, assim como a neta, a Criatura também aprende a ler.

A cena que retrata o envolvimento da Criatura com o velho cego – até que os dois se tornam amigos – demonstra outro talento exclusivo de Guillermo del Toro: a sua imensa capacidade criativa – e senso de beleza estética – ao utilizar o horror como um esterco que faz florescer o belo. Essa competência genuína também se estende à sensibilidade em fazer aflorar – mesmo em um ambiente insalubre, sombrio e gelado – momentos sentimentais que remetem à esperança por meio de uma palavra, ou ato de compaixão, demonstrado em cenas breves, no entanto, fortes o suficiente para criar uma conexão emocional com o espectador.

Diante do saber da leitura, conhecimento adquirido no breve convívio com o velho homem, a Criatura acaba retornando ao lugar onde se encontrava o laboratório de Victor – agora um amontoado de escombros misturado à neve – e encontra os papéis com as anotações descrevendo os detalhes referentes a sua criação. Aqui se evidencia a atuação profunda do ator de 1,96 metros de altura, Jacob Elordi, ao afundar a alma em uma tristeza abissal, sentimento que vem à tona por meio da expressão corporal e principalmente facial.

Essa interpretação de Elordi se dá de uma forma visceral no retorno do seu personagem ao celeiro, quando lá testemunha em desabafo ao novo e único amigo (o velho homem cego, agora moribundo) toda a sua dor perante a forma como foi concebido, a sua falta de humanidade e a rejeição sofrida pela aparência de um monstro. Aqui, del Toro, através do seu coadjuvante (atuação digna de protagonismo), transfere da literatura para o cinema a tremenda dor sentida com uma tristeza impactante por alguém que acabara de se descobrir um monstro, uma criatura negada até pela Morte e predestinado a viver eternamente na solidão.

O homem cego pega a mão da Criatura que que está assustada ao deixar uma garrafa cair no chão e se quebrar.
O início de uma amizade curta, porém verdadeira, entre o homem cego e a Criatura. Ao deixar uma garrafa cair no chão e se quebrar, a Criatura se afasta assustada, porém, percebendo a reação, o velho cego o pega pela mão e o traz para perto acalmando e dando início a uma conversa que se transforma em amizade e conhecimento.

O elenco contempla atores jovens com um grande futuro como é o caso de Christian Convery, ao interpretar o papel do jovem Victor Frankenstein. A juventude mescla à experiência de atores maduros, cujo passado é responsável pelo sucesso presente, caso de Christoph Waltz, intérprete do mercador Henrich Harlander – magnata responsável por patrocinar o experimento de Victor e também tio de Elizabeth, noiva de William Frankenstein (Felix Kammerer); outro nome parrudo é o de Charles Dance, ator responsável por dar vida ao aristocrático Leopold Frankenstein, o pai frio e autocrático dos irmãos Victor e William.

Guillermo del Toro é um diretor com uma visão artística criativa assustadora e portador de um conhecimento e domínio técnico autêntico na arte de fazer cinema. O seu filme “Frankenstein” (2025) é considerado pelo cineasta o “projeto dos sonhos”, pois sua admiração pelo romance gótico original de 1818, escrito pela autora Mary Shelley, é tamanha que o próprio del Toro classificou a obra literária da escritora inglesa como o seu “romance favorito no mundo”; para ele, Frankenstein é o ápice de tudo.

O caminho até o tão sonhado lançamento da versão de Guillermo del Toro para “Frankenstein” (2025) levou longos anos, foram três décadas planejando e desenvolvendo com certa relutância por conta do diretor sonhar em mostrar para o mundo da sétima arte o melhor Frankenstein de todos os tempos. Até que o longa-metragem fosse finalmente lançado, del Toro chegou a desistir, porém – e felizmente para o deleite de quem admira o seu trabalho -, carregou todas as baterias e passou a linha na agulha para continuar a costura da sua Criatura – del Toro queria a sua versão do monstro de Frankenstein inspirada nas ilustrações desenhadas pelo artista americano Bernie Wrightson, o resultado não poderia ser melhor.

Posso afirmar categoricamente que Guillermo del Toro conseguiu transformar o seu sonho em realidade e entregar para o mundo um longa-metragem produzido com o seu toque pessoal munido de conhecimento e competência acima da média, isso lhe capacitou a conseguir superar a tragédia da qual tinha medo de se tornar a sua versão cinematográfica de “Frankenstein”.

Para este que vos escreve, o filme peca em alguns míseros detalhes e talvez nas demasias evitáveis em uma cena e outra. No entanto, nada disso jamais é escrito para rebaixar o tremendo trabalho realizado sobre esta obra épica que passa longe de ser o pesadelo de uma tragédia, uma vez que trágico aqui se estende até pouco antes do fim, em um dos momentos mais reconfortantes ao coração dos personagens em cena e dos espectadores: o reconhecimento de desculpa de um lado e perdão do outro, levando ambos a um humano ato de redenção divina, elevada a aceitação perante a eternidade com o conforto de um filho, enfim, ouvir da boca do pai ser aceito como tal.

Inté, se Deus quiser!

 

NOTA: Nota do crítico: 4 estrelas (ótimo)

 

 

Trailer

 

Pôster
Pôster do filme "Frankenstein" (2025).

 

Curiosidade sobre Frankenstein

  • O laboratório de Frankenstein e o navio do Capitão Anderson eram cenários totalmente construídos. “Eu quero cenários reais”, explica o diretor Guillermo del Toro. “Não quero digital, não quero inteligência artificial, não quero simulação. Quero o trabalho artesanal à moda antiga: pessoas pintando, construindo, martelando, rebocando.”;
  • Interpretar a criatura de Frankenstein foi o papel mais exigente da carreira de Jacob Elordi. Ele passava até dez horas na cadeira de maquiagem para a extensa aplicação de maquiagem. Para chegar a tempo para as filmagens, às vezes chegava ao trailer de maquiagem às 22h e ficava acordado a noite toda. O diretor Guillermo del Toro diz que passou a acreditar que Elordi era “sobre-humano”. “Nunca ele veio reclamar comigo”, maravilha-se del Toro. “Nunca ele veio me dizer: ‘Estou cansado. Estou com fome. Posso ir?’ E ele trabalhava 20 horas por dia.” Elordi adorou a experiência. “Foi a vez em que me senti mais à vontade, interpretando um personagem e filmando um filme”, ​​admite Elordi. “Foi o período em que me senti mais confortável em toda a minha vida.”;
  • Para interpretar a Criatura, Jacob Elordi estudou a dança butô japonesa (uma forma de dança que envolve poses indignas e temas sombrios) e o canto gutural mongol para capturar os maneirismos do Monstro;
  • Andrew Garfield foi originalmente escalado para o papel do Monstro, mas teve que desistir devido a conflitos de agenda. Ele foi substituído por Jacob Elordi. A equipe de maquiagem passou nove meses criando o visual de Garfield como o Monstro, mas teve apenas algumas semanas para adaptá-lo para Elordi a tempo das filmagens;
  • O diretor Guillermo del Toro queria que Victor Frankenstein parecesse menos um cientista e mais uma estrela do rock, citando David Bowie, Sir Mick Jagger e Prince como influências na atuação de Oscar Isaac;
  • O artista Bernie Wrightson, que desenhou as ilustrações da graphic novel “Frankenstein” de 1983, na qual se baseia o design do Monstro no filme, era amigo íntimo do diretor do filme, Guillermo del Toro. Del Toro licenciou as ilustrações do Monstro feitas por Wrightson antes da pré-produção do filme;
  • Mia Goth interpreta o papel duplo da mãe de Victor, Claire, e de sua paixão, Elizabeth Lavenza, para criar uma conexão temática entre mãe e amante, que o diretor Guillermo del Toro considerou crucial para a história. Goth e del Toro descobriram essa ideia durante uma conversa inicial sobre a experiência dela como nova mãe, e isso permitiu que del Toro explorasse os temas edipianos e o desejo ao longo da vida de Victor por sua mãe por meio de uma única atriz;
  • Ao contrário do que é apresentado no cinema, a criação do Monstro por meio de eletricidade foi apenas sugerida no romance original de Mary Shelley, em vez de ser afirmada como fato. No romance, Victor Frankenstein omitiu propositalmente como exatamente ele trouxe sua criação à vida, provavelmente para impedir que alguém repetisse seu experimento. Apesar disso, foi amplamente aceito que o monstro foi trazido à vida pela eletricidade. No entanto, a razão para isso foi que o galvanismo era um tema muito discutido na época em que o livro foi escrito;
  • O diretor Guillermo del Toro decidiu dar continuidade à sua versão da história de “Pinóquio”, “Pinóquio por Guillermo del Toro” (2022), com a história de “Frankenstein” neste filme, pois sempre considerou ambas as histórias como dois lados da mesma moeda conceitual;
  • Durante as filmagens, o diretor Guillermo del Toro e Oscar Isaac faziam piadas um com o outro para aliviar o clima. Em uma entrevista para a Vanity Fair, Isaac disse: “O que me interessa é que ele não está tentando me manter em algum tipo de zona sombria e maligna. Basicamente, ele dirige com piadas dentro da própria câmera.” Mais especificamente, o diretor e o ator faziam piadas mórbidas um para o outro em espanhol. Isso servia, em parte, para evitar que a dupla ofendesse alguém que não gostasse de humor negro. “Muitas das piadas não são traduzíveis porque soam meio horríveis quando contadas em inglês”, admite Isaac;
  • Oscar Isaac era a única escolha do diretor Guillermo del Toro para o papel de Victor Frankenstein;
  • Para ter uma boa noção visual e da aparência que o Monstro deveria ter, Oscar Isaac mandou imprimir as ilustrações do artista Bernie Wrightson e as espalhou pelas paredes de seu trailer. Jacob Elordi seguiu o exemplo, decorando seu apartamento com as mesmas ilustrações. Ele queria contemplar e se imergir nas imagens do Monstro desenhadas por Wrightson. “Transformei tudo em um santuário dedicado a tudo que eu sentia que pertencia à Criatura”, diz Elordi. Ele continua: “As ilustrações de Bernie estavam por todas as paredes. Talvez, enquanto você dorme, ou simplesmente caminhando por ali, você acaba absorvendo tudo.”;
  • O diretor Guillermo del Toro chegou a considerar transformar o filme em uma trilogia, potencialmente focando cada parte em um dos três personagens principais: Victor Frankenstein, o Monstro e o Capitão Robert Walton;
  • Guillermo del Toro é um amigo de longa data e admirador do criador de videogames Hideo Kojima, e até interpreta um personagem parecido com Frankenstein chamado Deadman em “Death Stranding” (2019), de Kojima. Neste filme, del Toro retribui o favor incluindo uma cena idêntica a uma de “Death Stranding” (2019), quando a câmera viaja para dentro da Criatura enquanto ela recebe vida;
  • O laboratório de Frankenstein exibe uma escultura de Medusa, a Górgona da mitologia grega. Guillermo del Toro considerou Medusa uma personagem apropriada, pois ela era um monstro trágico amaldiçoado pelo destino e representava o poder da transmutação que Victor buscava (Medusa transformava pessoas em pedra, enquanto Victor queria dar vida às pessoas);
  • Guillermo del Toro cita “Frankenstein” (1931) e “A Noiva de Frankenstein” (1935), ao lado dos filmes dramáticos “O Morro dos Ventos Uivantes” (1939), “O Solar de Dragonwyck” (1946) e “A Cativa do Castelo” (1947), e o thriller “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940), como influência no filme;
  • A história de “Frankenstein” é uma das favoritas de Guillermo del Toro;
  • Harlander é um personagem totalmente original do filme. Seu equivalente mais próximo no romance é o Dr. Waldman, mentor de Victor, cujo trabalho inspira Victor a tentar criar um monstro;
  • Foram produzidas apenas 21 cópias em formato 35mm;
  • Charles Dance, que interpreta Leopold Frankenstein, também interpretou o pai de Victor Frankenstein em “Victor Frankenstein” (2015);
  • Já no final da década de 1990 e início dos anos 2000, o ator Doug Jones estava cotado para interpretar o monstro. Jones trabalhou com o diretor Guillermo del Toro em muitos filmes, incluindo “Hellboy” (2004), “O Labirinto do Fauno” (2006), “Hellboy II: O Exército Dourado” (2008) e “A Forma da Água” (2017), respectivamente;
  • O filme termina com uma citação de Lord Byron, retirada do seu poema “Childe Harold’s Pilgrimage” (‘A Peregrinação de Childe Harold’). Byron e Mary Shelley, autora de “Frankenstein”, eram conhecidos e amigos;
  • Durante a busca por locações na Escócia, Guillermo del Toro visitou o Monumento a Wallace em Stirling. Essa visita influenciou o projeto da torre-laboratório de Victor Frankenstein;
  • Enquanto as cenas do laboratório estavam sendo filmadas, um grande adesivo com a versão do Monstro de Frankenstein interpretada por Boris Karloff foi colocado em uma parede;
  • Este filme marca a segunda vez que Oscar Isaac interpreta um ambicioso cientista louco que brinca de Deus ao criar algo perigoso. O primeiro filme foi “Ex Machina: Instinto Artificial” (2014);
  • “Frankenstein” (2025) foi lançado em cinemas selecionados, incluindo exibições limitadas em 35 mm e IMAX, em 17 de outubro de 2025, três semanas antes do lançamento programado na Netflix. No entanto, ao contrário do que se acredita, de que isso foi resultado da demanda dos fãs, o filme sempre teve previsão de estreia nos cinemas muito antes de a demanda na internet se tornar viral, como tem sido costume para os filmes distribuídos pela Netflix desde a primeira distribuição de “Beasts of No Nation” (2015) para se qualificar para o Oscar. Além dos filmes vencedores e indicados ao Oscar, outros projetos da Netflix que receberam distribuição nos cinemas incluem “Bo Burnham: Inside” (2021), “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas” (2021), “A Festa de Formatura” (2020) e “Matilda: O Musical” (2022). Em novembro de 2025, é o filme da Netflix com a maior distribuição doméstica;
  • Quando o primeiro trailer do filme foi lançado, mostrando o ponto de vista de Victor Frankenstein, o rosto da Criatura foi propositalmente mantido oculto. Isso visava despertar o interesse e a curiosidade sobre a aparência de Jacob Elordi como a Criatura e tornar o personagem mais misterioso. Meses depois, quando o segundo trailer foi lançado no início de outubro, mostrando o ponto de vista da Criatura, seu rosto foi parcialmente revelado em alguns momentos. Mas ainda estava em grande parte obscurecido pelo capuz, pelo cabelo ou pelas sombras. No mesmo dia após o lançamento do segundo trailer, uma foto de Elordi como a Criatura, com a maquiagem completa, foi finalmente divulgada;
  • Victor Frankenstein bebe exclusivamente leite ao longo do filme (além dos dois medicamentos que lhe são administrados no prólogo). Ele bebe 6 copos de leite. Na perseguição final, o único item que não é uma arma que ele pede são 3 latas de leite condensado. Isso provavelmente simboliza ainda mais seu complexo de Édipo;
  • Jacob Elordi cita o Coringa de Heath Ledger de “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008) como inspiração para sua interpretação do Monstro;
  • Algumas das decorações do laboratório de Victor: uma breve cena dele reclinado em uma janela saliente, o primeiro encontro com a criatura agora viva em seu quarto e imagens do monstro espreitando pelas frestas das paredes da casa da fazenda foram inspiradas diretamente nas ilustrações de Bernie Wrightson para a história em quadrinhos da Marvel Comics de 1983;
  • A personagem de Christoph Waltz, “Henrich Harlander”, é vista usando pele de raposa em algumas cenas. Christoph Waltz interpretou o “Conde Volpe” no filme anterior de Guillermo del Toro, “Pinóquio por Guillermo del Toro” (2022), como a personagem Raposa da obra original;
  • Enquanto vivia com o homem cego, a Criação leu “Ozymandias”, de Percy Bysshe Shelley, marido da autora de “Frankenstein”, Mary Shelley;
  • O diretor Guillermo del Toro considera que o tema principal da história de “Frankenstein” é a paternidade fracassada, e não o mau uso da ciência. “Para mim, não é uma história com moral. É sobre o espírito humano: é sobre perdão, compreensão e a importância de ouvir uns aos outros. É uma história europeia, contada a partir de uma perspectiva latino-americana.”;
  • Conforme o filme avança, a Criatura começa a andar mais ereta, como um homem, enquanto Victor se torna mais curvado, como uma besta. Isso reflete o tema de quem é o verdadeiro monstro na história;
  • Diferentemente do romance original de 1818 e da maioria das adaptações anteriores de Frankenstein, neste filme, Elizabeth não é o interesse amoroso e noiva de Victor Frankenstein. Em vez disso, ela está prometida a William, irmão mais novo de Victor. Essa mudança também mostra que William foi transformado em um jovem adulto para esta adaptação, em vez de ser uma criança, como no romance e em algumas adaptações;
  • Quando apresentado pela primeira vez a Victor Frankenstein, Harlander o chama de “Prometeu”, em referência ao titã da mitologia grega que deu ao homem o fogo dos deuses. O título alternativo da história “Frankenstein”, de Mary Shelley, era “O Prometeu Moderno”. Mais tarde, Harlander diz a Victor que ele será “a águia que devora seu fígado”. Prometeu foi punido com águias devorando seu fígado, que crescia novamente a cada dia.

 

Ficha técnica

Diretor: Guillermo del Toro.
Roteiro: Guillermo del Toro e Mary Shelley.
Produtores: J. Miles Dale, Guillermo del Toro, Melissa Girotti e Scott Stuber.
Diretor de fotografia: Dan Laustsen.
Editor: Evan Schiff.
Direção de arte: Brandt Gordon, Celestria Kimmins e Emer O’Sullivan.
Figurino: Kate Hawley.
Cabelo e maquiagem: Alexandra Anger, Gary Archer, Tori Binns, Samantha Breault, Angela Campanile, Rhona-mae Campbell, Kevin Carter, Katarina Chovanec, Chris Cooper, Charlotte DeLaet, Alanna Dickie, Kayla Dobilas, Madeleine Drewell, Mike Elizalde, Santino Ferrese, Niamh Foulis, Cliona Furey, Glenn Hetrick, Michele Monaco Hetrick, Mike Hill, Emma-Lee Hilton, Joseph Hinds, Diana Estrada Hudson, Shaun Hunter, Samantha Jack, Patricia Keighran, Mandy Ketcheson, Marta Kowalczyk, Georgia Laladaki, Megan Many, Scott McGregor, Ashley McIntosh, Heather Muir, Steve Newburn, Tim Nolan, Ruth Parry, Monica Pavez, Emma Leigh Porter, Lucy Primrose, Richard Redlefsen, Keeley Ridgewell, Dawn E. Rivard, Oriana Rossi, Jordan Samuel, Hazel d Smith, Thalia Sparrow, Rebecca-Louise Steel, Michael J. Walsh, Kristin Wayne, Marianna Coletta, Louise Doogan, Erin Jenkins, Laura McGowan-Faulkner e Cristina Patterson.
Música: Alexandre Desplat.
Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz, Mia Goth, Felix Kammerer, Charles Dance, David Bradley, Lars Mikkelsen, Christian Convery, Nikolaj Lie Kaas, Kyle Gatehouse, Lauren Collins, Sofia Galasso, Joachim Fjelstrup, Ralph Ineson, Peter Millard, Peter MacNeill, Burn Gorman, Sean Sullivan, Stuart Hughes, Gord Rand, Kenton Craig, Val Ovtcharov, Anders Yates, Adam Brown, Santiago Segura, Dexter Stokes-Mellor, Shian Denovan, Mark Steger, Rafe Harwood, Gregory Mann, Roberto Campanella, Rebecca Lawson-Turner, Warren Albert, Kim Morgan, Chris Andrews, Lewis Landini, William John Banks, Tess Letham, Alexandros Beshonges, Maria Peneva, Kieran Brown, Jessica Roberts Smith, Rachel Elderkin, Jennifer Steele, Jorja Follina, Malcolm Sutherland, Alex Henderson, Luke Watson, Yasmin Hepburn, Pawel Wieczorek, Matthew Barr, Liam Bell, Mark Burns, Sharon Canovas, Trevor Carter, Liubov Elkina, Paul Donnelly Jnr, Lucas Kelly, Ethan Keyes, Duff MacDonald, Ryan James Mack, Brody Maurice, Cullen McFater, John McManus, Chris Morchain, Peter Rooney, Daniel Ryan-Astley, Drake Sanderson, Matt Schichter, Nathan Scott, Jason Alan Staines, Kitu Turcas, Thomas Walsham e Mark Wilkinson.

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