O diretor e roteirista holandês Dick Maas faz de seu filme Caçada no Canal da Morte (Amsterdamned, 1988) um giallo à holandesa. O enredo não economiza no suspense e mergulha no mistério em torno do antagonista: um assassino em série anfíbio que, usando uma roupa de mergulhador, segue lentamente pelos canais de Amsterdã (grachten), com o olhar atento sobre a água, à espreita de sua presa, que caminha sobre o asfalto. É uma história de terror slasher que segue a linha do filme policial, elevando o batimento cardíaco do espectador com a ação e o mistério que envolvem os crimes a serem solucionados.
Um ser submerso nas águas dos canais sobe ao nível da rua e faz a sua primeira vítima fatal: uma prostituta degolada nas sombras da noite. Uma andarilha testemunha o crime e vê um monstro em ação, porém se trata de alguém usando um traje de mergulho. A investigação da série de assassinatos brutais ocorridos nos canais da cidade é liderada pelo obstinado detetive Eric Visser (Huub Stapel), da polícia de Amsterdã — pai solteiro da atrevida e desbocada Anneke Visser (Tatum Dagelet).
Durante um passeio guiado pelas águas dos canais de Amsterdã, uma guia turística narra, ao microfone, para um grupo de crianças bastante barulhento, todas as curiosidades sobre a capital da Holanda (Países Baixos), incluindo os mais de 165 canais escavados no século XVII. Quando o barco está prestes a passar sob uma das 1.200 pontes que se estendem sobre os canais, a câmera posicionada nele captura, à frente, o corpo da primeira vítima do serial killer anfíbio: a garota de programa esfaqueada na noite anterior e pendurada de ponta-cabeça por uma corda suspensa da ponte. Enquanto o barco flutua sobre as águas, o corpo coberto de sangue se arrasta pela proa, atravessa toda a cobertura de vidro e cai em uma janela aberta no teto, ficando suspenso no meio dos passageiros que gritam de espanto. Essa é uma das cenas que se destacam pelo horror.

A polícia sai à caça do misterioso homicida, que continua a colecionar vítimas tanto na água quanto em terra firme. Durante as investigações em um clube de mergulho, o policial Visser encontra uma sereia, ou melhor, uma mulher atraente chamada Laura (Monique van de Ven), que acaba despertando seu interesse quando sai da água. Ele a convida para tomar uma bebida juntos. Ela aceita, mas diz que o encontrará na cantina. Sentado ao lado do balcão, com uma bebida na mão, Visser vê entrar no estabelecimento um homem bem vestido: o médico psiquiatra Martin Ruysdael (Hidde Maas). Eles acabam conversando sobre a investigação para prender o maníaco, entre outros assuntos, como a prática de mergulho subaquático.
De repente, Laura, a mulher desejada por todos, adentra o mesmo local onde os homens que acabaram de se conhecer estão conversando. Surpresa ao vê-los entretidos, ela pergunta se já se conheciam e logo se retira do local na companhia de seu amigo e terapeuta, Martin, que havia convidado a bela mulher para um concerto, adiando assim o encontro a dois entre ela e seu admirador e pretendente a namorado, Visser, que desconfia do relacionamento dos dois e, principalmente, de ter acabado de conhecer um provável suspeito.
A persistência de Visser, no entanto, não se limita a encontrar o assassino. Como um bom detetive, ele descobre o local de trabalho de Laura, vai até o museu e encontra sua “obra de arte”, para convidá-la novamente para um jantar a dois. O encontro finalmente ocorre e os dois passam a se conhecer melhor. Após um encontro íntimo, criam um vínculo que coloca Laura sob o radar de proteção do novo amante. Mesmo com o amor no ar, sob a água do canal e sobre o asfalto das charmosas ruas que cortam o centro histórico da cidade (conhecido como Grachtengordel, ou “Cinturão de Canais”), o serial killer ainda crava sua faca afiada na carne de suas vítimas, seja nas sombras da noite ou em plena luz do dia.
Os frequentes ataques aos cidadãos perpetrados pelo assassino em série nos canais de Amsterdã fazem com que a paciência do prefeito da cidade (Jules Croiset) se esgote, principalmente com o promotor de justiça, o comissário-chefe e o chefe de polícia (Lou Landré). A bronca acaba jogando uma pressão ainda maior nas costas do chefe. O prefeito chega a pedir que o detetive Visser seja dispensado do caso, mas o superior da polícia não aceita a ordem e argumenta que se trata de um dos seus melhores homens, de reputação exemplar. Ao dar um ponto final na conversa, dizendo que não iria dispensar seu melhor policial frente às buscas pelo assassino, o prefeito dá um ultimato de três dias para Visser prender o responsável pelas mortes e jogá-lo atrás das grades. Do contrário, cabeças vão rolar.
A partir desse momento, o terror slasher começa a perder força no enredo de Caçada no Canal da Morte, pois o protagonista e toda a polícia correm contra o tempo em busca de qualquer pista que os leve até o maníaco. O thriller policial preenche um espaço maior e envolve o espectador em cenas de ação que são um deleite para os amantes de perseguições, com a adrenalina das corridas pelas ruas e pelos canais de Amsterdã, com a polícia atrás de um suspeito habilidoso, seja ele fugindo de moto ou deslizando sobre as águas em uma caçada alucinante entre dois barcos velozes – os cascos de ambos os barcos chegam a “voar” sobre a água (planeio).

É de tirar o chapéu e coçar a cabeça, sem saber se aplaude ou assobia no momento em que é dada a partida nos motores. Assim que chega ao fim a última caçada aquática motorizada, a explosão que deveria ser o ponto final para o tão procurado assassino se transforma em reticências, pois ele entra pelo cano – não da arma do Visser – mas do esgoto. O tiro disparado pela pistola do policial acerta em cheio a lente direita dos óculos de mergulho, mas nem assim o maldito sucumbe. Em uma cena posterior, ao se despir do traje de borracha sintética, é possível ver que os óculos de mergulho, antes todo trincado pela perfuração do tiro, agora parecem ter saído da loja.
A parte mais cômica do filme é protagonizada pelo detetive de polícia Vermeer, interpretado por Serge-Henri Valcke, colega de profissão de Visser. Ele até tenta ajudar, mas, por ser muito atrapalhado, quase sempre acaba ficando para trás. As pessoas ao seu lado não o levam muito a sério. Outro personagem secundário que, à primeira vista, parece ser um estorvo no caminho de Visser é John van Meegeren (Wim Zomer), um oficial da polícia fluvial cheio de marra e um velho conhecido, que ainda sente as dores de ter sido traído pelo colega, que lhe roubou a garota. Há também um velho maluco que entra na delegacia e confessa ao policial ser ele o mergulhador assassino. Ele veste apenas um calção de banho, um par de nadadeiras e uma máscara de mergulho.
O suspense criado em torno da imagem do antagonista é criativo do início ao fim e mantém a tensão em relação a ele. A paramentação utilizada pelo assassino como disfarce é diferente daquela usada por outros antagonistas do gênero. A maneira sorrateira e submersa como ele chega a suas vítimas cria um elemento de surpresa assustador, característica que lembra o clássico de suspense dirigido por Steven Spielberg, Tubarão (Jaws, 1975). A trilha sonora é outro ponto positivo do filme holandês Caçada no Canal da Morte. Dick Maas faz os pelos dos ouvidos se arrepiarem ao ouvir a trilha sonora de suspense composta por ele, que se harmoniza com o chiado apavorante do mergulhador ao inspirar e o barulho das bolhas ao expirar.
Com o título oficial Amsterdamned, o filme Caçada no Canal da Morte é uma produção independente que, ao ser lançada na Holanda, tornou-se um sucesso comercial. É uma produção cinematográfica que se destaca para além de suas fronteiras, alcançando outros países da Europa, onde também se destaca como um filme de gênero de origem holandesa. Pode ser considerado um clássico do subgênero slasher europeu.
No final dos anos 1980, o subgênero slasher estava quase se afogando em águas escuras: longas-metragens de baixa qualidade abarrotavam as prateleiras das videolocadoras. Acredito que esse filme holandês, escrito e dirigido por Dick Maas, tenha surgido para ajudar a reavivar o gênero e preparar o terreno para produções lançadas na década seguinte, como o sucesso de 1996, “Pânico” (Scream), que se tornou uma franquia de terror slasher ainda se fazendo em cartaz nas salas de cinema pelo mundo.
O cenário inusitado no qual a história se desenvolve possibilita o surgimento de situações que não a tornam saturada. Trata-se também de um longa-metragem que se diferencia pela atmosfera intensa e cenas centradas na ação, podendo agradar o público atraído pelo gênero do terror, bem como aqueles que apreciam filmes de ação policial com cenas de perseguição. Apesar de algumas cenas atropeladas e furos de roteiro ingênuos, são 105 minutos de uma joia dos anos 1980 que valem o seu tempo.
Inté, se Deus quiser!
NOTA: 
Trailer
Pôster

Curiosidade sobre Caçada no Canal da Morte
- Dick Maas recusou a oportunidade de dirigir uma sequência de “A Hora do Pesadelo” (1984) para fazer este filme. Mais tarde, ele afirmou que deveria ter adiado Amsterdamned, pois a sequência de Elm Street poderia ter sido seu grande sucesso internacional;
- Toda a perseguição de lanchas é uma referência à perseguição de lanchas em “Bonecas Acorrentadas” (1971), que também se passa em Amsterdã. Até as cores dos barcos são as mesmas;
- Durante as filmagens da perseguição de lancha, a embarcação com o ator Huub Stapel colidiu contra uma parede quando um dublê errou o leme, resultando em vários ferimentos e afastando-o das filmagens por três semanas. O acidente deixou Stapel com parestesia crônica nos dedos e uma costela saliente no peito;
- Huub Stapel, Monique van de Ven e Serge-Henri Valcke dublaram suas próprias vozes em inglês para a versão dublada em inglês do filme;
- Embora a maior parte da perseguição de lanchas tenha sido filmada em Amsterdã, algumas cenas foram gravadas na cidade vizinha de Utrecht. Essas cenas incluem o momento em que as duas lanchas saltam para o cais e atravessam as cadeiras e mesas de um terraço. Cais tão baixos não existem em Amsterdã, apenas em Utrecht;
- Durante a perseguição de barco, eles passam por um navio com uma banda de metais. O maestro dessa banda é interpretado por Bert Haanstra, o premiado diretor de vários filmes. Um de seus mais famosos é “Fanfare” (1958), no qual barcos com bandas desempenham um papel importante. A banda toca a música tema de “Fanfare”;
- Devido à importância turística, não foi possível fechar as ruas de De Wallen (o Bairro da Luz Vermelha) para as filmagens. Por esse motivo, o canal Groenburgwal foi decorado com luzes vermelhas e letreiros de néon para que se parecesse com o verdadeiro Bairro da Luz Vermelha;
- Lettie Oosthoek, que interpreta a pobre Bag Lady, interpreta exatamente o oposto, a elegante senhora Neuteboom, nos filmes Flodder, de Dick Maas;
- Durante a perseguição de lancha, o conhecido crítico de cinema holandês Simon van Collem pode ser visto várias vezes em um pedalinho junto com Inge Beekman, mãe do diretor Dick Maas. Ambos também fizeram uma participação especial como um casal no filme anterior de Maas, “Uma Família Muito Brega” (1986);
- Quando o assassino fica preso em uma antiga eclusa, eles fecham ambas as portas da eclusa (comporta antiga) e a drenam. Essa eclusa não está mais em uso e, durante as filmagens, não pôde ser drenada devido a um vazamento grave. Eles usaram o que é chamado de pintura matte (ou matte painting, técnica de efeitos visuais de cinema e TV, onde pinturas realistas são criadas para formar cenários, fundos ou paisagens que seriam caros ou impossíveis de filmar) para criar a ilusão de uma eclusa vazia;
- Logo após a perseguição de lancha nos canais, o suspeito escapa por um cano de esgoto. Não existem canos de esgoto em Amsterdã nos quais se possa ficar em pé ou caminhar, então este teve que ser construído especificamente para a produção;
- As imagens do interior da delegacia foram filmadas na nova sede da prefeitura, perto do rio Amstel, inaugurada em 1988;
- Huub Stapel, Lou Landré, Tanneke Hartzuiker, Serge-Henri Valcke, Lettie Oosthoek, Edwin Bakker, Simon van Collem e Inge Beekman também apareceram em “Uma Família Muito Brega” (1986), filme anterior do diretor Dick Maas;
- A edição americana em Blu-ray deste filme, lançada pela Blue Underground, contém um segmento de entrevista “Easter Egg” com o coordenador de dublês Dickey Beer, no qual ele explica como a equipe de dublês de “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) teve apenas três minutos concedidos pelas autoridades para realizar a elaborada sequência do acidente de carro, enquanto bloqueavam o trânsito normal;
- O suspeito que é detido, mas que se revela inocente, é interpretado por Hans Dagelet, pai na vida real de Tatum Dagelet, que interpreta Anneke, filha do personagem principal Erik Visser;
- Antes de Erik entrar na lancha para perseguir o assassino, um guarda lhe mostra como ligá-la. O guarda tem um cachorro, mais especificamente um bouvier, o que pode ser outra referência ao filme anterior de Dick Maas, “Uma Família Muito Brega” (1986), onde o cachorro da família, chamado Whisky, era da mesma raça;
- A cena da perseguição de lancha e outras acrobacias foram realizadas por Dickey Beer;
- O lendário dublê, que se tornou coordenador de dublês, Vic Armstrong, trabalhou no filme como dublê;
- Uma cena em que o assassino pilota sua lancha por uma rampa, de um lado para o outro de uma ponte, foi exibida em alguns programas de cinema no canal americano TLC.
Caçada no Canal da Morte 2 (Amsterdamned II, 2025)
O diretor Dick Maas, a atriz Tatum Dagelet e o protagonista Huub Stapel retornam aos canais de Amsterdã quase quarenta anos depois do lançamento do primeiro filme, em 1988. Mais uma vez, o inspetor Erik Visser terá de arregaçar as mangas para capturar o assassino em série responsável por tingir de vermelho a água dos canais com o sangue de suas vítimas.
As cenas de perseguição espetaculares da primeira produção também estão de volta, agora com o protagonista pilotando uma moto aquática (Jet Ski). O roteiro inclui uma crítica à Amsterdã moderna, além de muitas acrobacias pelos famosos canais da capital holandesa. O cenário visto no final da década de 1980 sofreu uma transformação significativa: a Amsterdã apresentada em Amsterdamned II tem uma atmosfera mais sombria, fria e úmida, devido às frequentes chuvas.
Filme “Amsterdamned II” é advertido por denúncia de possível discriminação
O filme do diretor Maas é “punido” com classificação indicativa extra por haver cenas que tipificam a mulher e inferiorizam drag queens, segundo denúncia acatada pela organização holandesa NICAM. Algumas pessoas reclamaram para a NICAM (organização responsável pelo sistema de classificação indicativa ‘Kijkwijzer’ na Holanda, que avalia e protege crianças e jovens contra conteúdos audiovisuais prejudiciais) que a sequência de “Caçada no Canal da Morte” (1988) contém cenas com declarações ou expressões que retratam certos grupos de pessoas como inferiores.
A denúncia dizia respeito, entre outras coisas, a uma cena em que uma drag queen tem o serviço recusado por um taxista. “Para a comissão de reclamações, está claro que o taxista retrata a drag queen como inferior”, afirmou um e-mail que a distribuidora Splendid Film e Maas receberam da NICAM. Outras queixas se deram devido a outra cena em que um homem dá um tapa na bunda da sua parceira na rua. “De acordo com a comissão de reclamações, isso é misógino e ela serve como objeto de desejo para o homem.”
Maas considera “completamente absurdo” seu filme receber ícone de classificação indicativa adicional. O cineasta ainda complementou, “Todo espectador entende que o filme, na verdade, critica os taxistas que deixam drag queens embarcarem”, diz ele em resposta à reclamação. “Eu desaprovo isso; é justamente por causa dessa cena que estou questionando. Todo espectador pensa: que idiota esse taxista.”
O “tapa na bunda” é outra reclamação com a qual Maas discorda. “Essa cena trata justamente do sexismo contra as mulheres por parte desse tipo de homem”, explica ele. “Como cineasta holandês, aparentemente não me é mais permitido denunciar nada. Eu comento sobre questões relevantes para a sociedade, como a discriminação contra pessoas LGBTQ+, mulheres ou pessoas negras.” (Essas informações foram postadas no jornal online holandês NU.nl).
Ainda sobre as críticas às cenas do tapa na bunda ou do taxista se recusando a levar uma drag queen, o diretor de Amsterdamned II falou em uma entrevista concedida ao jornal belga De Morgen: “Qual o nome daquele filme de dragões (dinossauros) do Steven Spielberg? Jurassic Park. Nele, cabeças são arrancadas por um brontossauro ou algo assim, e crianças de 12 anos podem ir lá. Mas um tapa na bunda ou um taxista se recusando a levar uma drag queen: isso tem que ser para maiores de 16 anos”.
Ficha técnica
Diretor: Dick Maas.
Roteiro: Dick Maas.
Produtores: Laurens Geels e Dick Maas.
Diretor de fotografia: Marc Felperlaan.
Editor: Hans van Dongen.
Direção de arte: Peter Jansen.
Figurino: Yan Tax.
Cabelo e maquiagem: Sjoerd Didden, Karin Van Dijk e Hennesien van Walderveen.
Música: Dick Maas.
Elenco: Huub Stapel, Monique van de Ven, Serge-Henri Valcke, Hidde Maas, Wim Zomer, Tanneke Hartzuiker, Lou Landré, Tatum Dagelet, Edwin Bakker, Pieter Lutz, Barbara Martijn, Door van Boeckel, Simone Ettekoven, Koos van der Knaap, Pieter Loef, Paul van Soest, Jules Croiset, Helmert Woudenberg, G. H. van Essen, Bert Luppes, Lettie Oosthoek, Jaap Stobbe, Hans Dagelet, Bert Haanstra, Louise Ruys, Inge Ipenburg, Roelant Radier, Leontine Ruiters, Don Duyns, Hans Beijer, Freark Smink, Myra de Vries, Jan van Eijndthoven, Leonie de Laat, Lars Boom, Tjerk Risselada, Jan Winter, Huub Goedegebuure, Frank Brouwer, Flip Filz, René Lobo, Franklin Salanous, Jan de Koning, Eric Kuit, Leo Straus, Marien Jongewaard, Frits Jansma, Paco García Fernández, Simon van Collem, Inge Beekman, Moa Borm, Ko van den Bosch, Kiew San Cheng, Jan Doense, Laurens Geels, Victor Tiebosch, Hiromi Tojo, F. S. Tsjim, Lilian van Everdingen e Sylvia Weve.


