O cineasta alemão Max Ophüls consegue com maestria captar a essência por trás do drama embrulhado em um romance trágico de cortar o coração – não é à toa que “Carta de uma Desconhecida” é o filme favorito da protagonista Joan Fontaine, que aliás se entrega de corpo e alma ao papel da personagem central Lisa Berndle. Ela também brilha com a sua presença nos bastidores, pois foi o primeiro filme produzido pela “Rampart Productions”, empresa independente que a atriz e o seu então marido William Dozier eram sócios.
A história vista em “Carta de uma Desconhecida” (Letter from an Unknown Woman, 1948) é adaptada do romance original (‘Brief einer Unbekannten’, publicado em 1922) do escritor Stefan Zweig – sim, é o mesmo que se exilou e morreu em Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil, no dia 22 de fevereiro de 1942, aos 60 anos.
O enredo desse longa-metragem é uma reconstituição visual de uma carta escrita por Lisa para seu eterno amor, Stefan Brand (Louis Jourdan). A carta é lida ao longo do filme pelo próprio destinatário e nela a remetente (até então uma desconhecida) descreve momentos relacionados a ele, como por exemplo o dia em que ela escutou de seu balanço a música tocada no piano por Brand, ou quando abriu a porta do hall para dar passagem ao homem que naquele momento Lisa acabara de se apaixonar à primeira vista.
Mesmo sendo recém vizinhos de apartamento, a timidez da jovem menina fez com que o encontro dos dois se desse posterior à mudança dela para Linz – cidade escolhida por conta da profissão do homem que pediu a mão da mãe (Mady Christians) em casamento. A revolta instantânea de Lisa com a notícia, não foi suficiente para impedir a sua mudança. No entanto, antes de partir, correu para vê-lo, ficar perto e se jogar aos seus pés lhe prometendo nunca mais abandoná-lo, pois nada mais importava.
Cega pela paixão, ela retorna para o condomínio a fim de encontrá-lo e se declarar para nunca mais partir para longe da companhia dele. Porém o primeiro choque de realidade é visto na cena seguinte: ao escutar a voz de Brand, Lisa sobe alguns degraus da escada para ficar encoberta pela sombra, momento em que o vê passar pela porta do hall, subir as escadas e entrar no seu apartamento na companhia de outra mulher. Assim, restava a Lisa, enfim, aceitar a mudança de cidade.

Ao chegar em Linz, uma cidade descrita como musical, ela é apresentada a um jovem tenente de carreira militar promissora – juntos eles caminham enquanto ele declara estar impressionado e que tem o consentimento dos pais dela para tê-la como companhia. Aflita pela situação e com o coração lá em Viana, Lisa põe-se a mentir ao relevar estar noiva e que se casará com um músico. Essa revelação espanta o pretendente e causa decepção aos pais.
Ao retornar a Viana, Lisa acaba indo para frente de sua antiga casa com o intuito de rever o seu inesquecível amor. O reencontro com Brand acaba evoluindo de um tímido olhar para uma atitude digna do canalha: iludir para conquistar. Felizmente, esse ilusório início de romance se transforma no único momento de felicidade na vida da pobre protagonista. No passeio, ele a leva para um jantar romântico, depois compra uma rosa branca (a escolha da cor branca, ao invés da vermelha, pode ser um sinal da intenção dele) para dar à Lisa enquanto passeiam pelo parque até um brinquedo; em seguida eles seguem para um salão onde dançam até que os músicos deixam o local, assim Brand assume o piano enquanto Lisa se ajoelha ao seu lado e embasbacada o observa dizer ironicamente para ela não desaparecer.
A ironia mais uma vez é vista quando Brand finaliza a noite dos sonhos de Lisa ao levá-la para o seu apartamento, momento em que finalmente, entre quatro paredes, como manda a cartilha do cafajeste mulherengo, ele tira o casaco e aproveita o movimento pensado para beijá-la noite adentro. Por mais que o espectador – e principalmente Lisa – esperasse por esse momento do beijo, a própria protagonista já tinha testemunhado esse modus operandi sendo realizado em outra vítima do músico galanteador.
No dia seguinte à noite do primeiro beijo, o galã vai até o local de trabalho de sua vítima e se passa por cliente somente para colocar abaixo todas as promessas feitas a ela no último encontro. Brand anuncia uma viagem profissional de duas semanas para Milão e pede para que Lisa vá até a estação de trem para despedir-se dele. Já na plataforma, ele vai até a mulher e diz para ela acreditar nele quando diz não querer ir viajar e complementa ser um mistério ter encontrado uma mulher como Lisa – palavras que futuramente se comprovarão cruéis e inverossímeis em sua essência.
A diferença entre amor e paixão é bem distinta, esta possui uma intensidade aguda e muitas vezes reveladas em ações que extrapolam a normalidade das emoções, tornando-se passageiras, porém obsessivas, incontroláveis e perigosas, enquanto a primeira desperta um sentimento profundo e duradouro quanto a ação de se doar ao outro, resguardando acima de tudo o respeito, o carinho e o comprometimento. O sentimento de Lisa caminha por ambos os campos desses dois sentimentos. No entanto, a posição dela quanto a não pedir ajuda e nem comunicar ao genitor sobre a concepção de um filho, querendo ser a única mulher a não exigir nada dele, à coloca em um dilema e, porque não, de posse – uma vez que o pai tem o direito de saber da existência de um filho.

Mesmo sem saber o paradeiro de seu genuíno amante musicista, Lisa segue tocando sua vida para frente, entretanto, com o coração batendo no passado. Com um filho para criar, a enamorada encontra-se bem casada com o conhecido Johann Stauffer (Marcel Journet), homem este que lhes proporciona uma vida de estabilidade financeira, conforto e cheio de pompas. É interessante notar a personalidade do filho Stefan Jr. (Leo B. Pessin) quanto a inclinação prematura à música, dote herdado do pai, assim como o nome.
O talento de Joan Fontaine é refletido por meio do seu olhar angelical, traduzido em uma expressão de mulher doce e meiga. A vida de casada proporciona ao filho e a ela estabilidade, entretanto, o casamento começa a esmaecer assim que ela e seu esposo vão a uma sessão de ópera e lá ela ouve um grupo de pessoas falar sobre a degradante fama de mulherengo do seu eterno amor. Neste momento, ela avista Stefan Brand ao pé da escada central do teatro a beijar o dorso da mão de duas mulheres – visão que estremece o pobre coração que não aguenta de tanta emoção, quiçá encarar os olhos de seu grande amor.
O momento acima citado, faz com que Lisa deixe o ambiente interno para respirar fora dali, fato constrangedor para Johann que acaba percebendo o desconforto da esposa ao saber que o amante encontra-se presente na plateia – uma situação incômoda até mesmo para quem assiste – porém o esposo se mantém firme em sua posição com um cavalheiro. Ela então é seguida por Brand que a interroga, o diálogo é marcado pela primeira demonstração da falta de consideração do músico, este revela não lembrar do rosto da mulher (que nem por um minuto jamais deixou de esquecer o rosto daquele homem), cujo amor permanece forte e ardente, apesar de tanta decepção.
É impressionante como o excelente roteiro adaptado da obra literária homônima de Stefan Zweig pelas mãos de Howard Koch e Max Ophüls explora diálogos maduros e ao mesmo tempo divergentes quanto a reações atreladas ao racional e ao emocional: Johann Stauffer é um homem maduro e no mínimo sensato, de maneira equilibrada e racional sabe que se encontra em “papel passado” com alguém que nunca o amou como ainda ama Stefan Brand; este, porém, contempla diálogos que tendem à argumentos persuasivos emocionais, pois convém melhor ao seu modo cafajeste de se relacionar com as mulheres.
A conversa entre Lisa e Johann no caminho entre a ópera e a casa deles é de um espanto revelador. As indagações dele para ela são direcionadas quanto ao futuro do casamento, a questão dela ter uma casa, um filho e amigos, motivos estes que não a fazem abandonar o persistente amor alimentado por tantos anos em ausência. Mesmo sendo questionada sobre honra e decência, Lisa diz ser esse sentimento maior e mais forte do que ela, nada mais restando a não ser largar tudo e correr para um destino incerto.
Mesmo o decente Johann Stauffer dizendo que iria fazer de tudo para evitar a partida da mulher para os braços de Brand, nem mesmo o filho chamando Johann de pai, impede que a mãe vá em busca do amor do genitor do pequeno Stefan Jr.. Esse momento da partida é triste, pois Lisa alimenta um sentimento que jamais foi recíproco e tem esperança de que Brand esteja à sua espera, nutrindo o mesmo amor demonstrado pela apaixonada protagonista.
É interessante notar um detalhe na estação de trem, quando Lisa se despede do filho, ela repete a mesma promessa que Brand fez a ela quando saiu em “turnê” dizendo que estaria de volta em duas semanas. Outra cena que chama muita atenção é vista na sequência, quando Lisa compra um ramalhete de flores brancas para presentear Brand – aqui os papéis de homem e mulher se invertem, pois ela quebra as regras dando ao homem flores, normalmente dadas à mulher por um homem.

A sequência em que Lisa chega à porta da casa de Brand e é recepcionada pelo empregado John (Art Smith) (e enfim o reencontro entre eles acontece), o espectador testemunha uma conversa cheia de galanteio por parte do anfitrião, ao mesmo tempo que ele diz ter uma deusa e que a espera voltar desde então. Neste momento, aposto que a maioria do espectador sentiu-se constrangido com a situação, a vergonha alheia se mistura ao profundo sentimento de dó.
Foram tantas as mulheres na vida de Brand que mesmo estando agora cara a cara com a mulher que é tida por ele mesmo como sua deusa, o rosto de Lisa se perdeu em meio a tantos outros, tornando-se assim irreconhecível. O que Lisa tinha a dizer ao homem da sua vida jamais foi dito pessoalmente, tudo se revelou com muita angústia, solidão e dor por meio de uma carta de uma desconhecida. A vida que era para ser entregue inteiramente à Brand, tivera um destino solitário, tomado por frustração, perdas e destinada a um fim marcado por tragédias, como foi a morte por tifo do filho, fruto do casal que se quer conheceu o pai, nem por foto.
Assim que a carta encerra de forma abrupta, Lisa permanece apaixonada até seu último suspiro e declara seu amor eterno dizendo lamentar por ele não ter dividido os momentos em que ela passou na companhia do filho deles e finaliza com reticências ao escrever: “se pudesse ter sabido o que sempre foi seu… e ter encontrado o que nunca se perdeu”. O enquadramento do diretor Max Ophüls à cena em que se assiste Lisa Berndle escrevendo é de uma beleza poética e ao mesmo tempo avassaladora emocionalmente, assim é também quando corta para Stefan Brand tomado em lágrimas, caindo em si ao finalmente puxar pela memória os momentos vividos ao lado de sua “deusa” esquecida até então – no entanto, lembrada pelo silencioso mordomo John, um senhor atento aos detalhes.
Essa entrega de vida se torna um martírio que em nada se compara ao real significado do do amor, pois o que é visto no filme “Carta de Uma Desconhecida” – através da personagem interpretada pela estrela de cinema Joan Fontaine, Lisa Berndle – faz mais sentido interpretar com o sentimento da paixão, logo se vê que o desejo pelo homem a faz abdicar de tudo e se entregar de maneira passional e completamente irracional. Assim Lisa se torna uma escrava emocional em busca de um amor não correspondido à altura do que ela pensava ser, um estado emocional fadado a um caminho amargo e um desfecho trágico.
O diretor Max Ophüls se prestou a realizar uma adaptação para o cinema que reflete ao espectador uma vasta explosão de sentimentos, principalmente nos momentos finais em que se escuta e vê a leitura da carta pela própria Lisa Berndle em voz off, ao mesmo tempo que ela se debruça a escrever até que, sem forças, deixa a caneta cair de seus dedos; enquanto se dá o efeito de transição para a imagem de Stefan Brand traduzida em lágrimas, recordações e lamentos tardios. Todo o drama ao longo da história se dá num enredo envolto em sensibilidade num romance praticamente unilateral – conforme o roteiro vai revelando pistas cada vez mais óbvias, a tragédia vai sendo alavancada até sua descrição por meio da carta de uma desconhecida.
Inté, se Deus quiser!
NOTA: 
Trailer
Pôster

Curiosidades sobre Carta de uma Desconhecida
- O filme favorito de Joan Fontaine;
- No começo do filme, Lisa tem 16 anos e é interpretada por Joan Fontaine, que tinha 30 anos na época em que o filme foi feito;
- A música que Brand está tocando enquanto Lisa o ouve em seu quarto é “Un sospiro”, de Liszt;
- No filme, Lisa é pelo menos vários anos mais nova que Stefan Brand. Na realidade, Joan Fontaine é mais velha que Louis Jourdan;
- Primeiro filme produzido pela “Rampart Productions”, uma empresa independente formada por Joan Fontaine e seu então marido William Dozier;
- Tanto Louis Jourdan quanto Joan Fontaine foram contratados por David O. Selznick (Jourdan estava na resistência durante a guerra) e, portanto, foram emprestados para este filme;
- A ópera que Lisa e Johann assistem é “The Magic Flute”, de Mozart;
- A ópera à qual Lisa e Johann assistiram é “Die Zauberflöte” (‘The Magic Flute’), de Mozart, mas ela é ouvida na trilha sonora, incompreensivelmente, em italiano. A ópera foi escrita em alemão e é sempre apresentada em Viena com o texto original em alemão;
- Mady Christians (que interpreta a mãe de Lisa) nasceu em Viena;
- Na história original, o personagem masculino principal não é um pianista, mas um escritor anônimo, que é chamado de “R.” (“R” como em “Romanschriftsteller”, que significa “escritor de romances” em alemão). No filme, seu primeiro nome é Stefan, o mesmo do escritor da história original, Stefan Zweig;
- Em 1992, “Letter from an Unknown Woman” foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso por ser “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo”;
- O diretor Hideo Nakata considera este “o melhor filme feito em toda a história do cinema”;
- Na novela homônima, Lisa se mudou para Innsbruck, não para Linz;
- O “The Screen Guild Theater” transmitiu uma adaptação de rádio de 30 minutos do filme em 10 de março de 1949, com Joan Fontaine e Louis Jourdan reprisando seus papéis no cinema;
- O produtor executivo do filme é William Dozier, que era marido de Joan Fontaine na época;
- Um dos muitos filmes de Max Ophüls em que o nome da personagem feminina principal começa com a letra L;
- Último filme de Mary Worth;
- Um dos trinta filmes produzidos entre 1946 e 1948, cujo fracasso financeiro fez com que sua propriedade fosse assumida pelo Bank of America por falta de pagamento de empréstimos, e posteriormente vendido para a Mundus Television em 1954 para transmissão televisiva por um total relatado de US$ 45 milhões;
- Incluído entre os “1001 filmes que você precisa ver antes de morrer”, editado por Steven Schneider;
- Este filme tem uma classificação de 100% com base em 24 avaliações de críticos no Rotten Tomatoes;
- Tim Dirks, do Filmsite, listou-o entre os 100 maiores filmes americanos de todos os tempos;
- Último filme teatral de Mady Christians;
- Incluído na lista de 400 filmes do American Film Institute de 2002, indicada para o top 100 das 100 maiores histórias de amor dos Estados Unidos;
- Louis Jourdan e Joan Fontaine fizeram uma versão de meia hora da história para o rádio na série “Camel Screen Guild Players” em 1948;
- Visto de censura finlandês nº 030408;
- Baseado na novela homônima. Na novela, Lisa tem a tradição de enviar rosas brancas a Brand em todos os aniversários. No início do romance, Brand acaba de completar 41 anos (e se esqueceu do aniversário). Isso é significativo porque a ausência de rosas brancas confirma a morte de Lisa no momento da leitura;
- O filme foi adaptado da novela original de Stefan Zweig pelo roteirista Howard Koch. É praticamente fiel ao livro, embora apresente pequenas diferenças. A divergência mais notável é uma mudança estrutural: não há duelo na história original, nem um personagem como Johann. SPOILER: A mulher desconhecida do livro nunca se casa, mas vive de uma série de amantes que permanecem anônimos e, em sua maioria, discretos.
Ficha técnica
Diretor: Max Ophüls.
Roteiro: Howard Koch, Stefan Zweig e Max Ophüls.
Produtores: Nate Blumberg, William Dozier, Joan Fontaine e John Houseman.
Diretor de fotografia: Franz Planer.
Editor: Ted J. Kent.
Gerente de produção: E. Dobbs.
Departamento de figurino: Eugene Joseff e Virginia Tutwiler.
Departamento de maquiagem: Carmen Dirigo, Bud Westmore e Lou LaCava.
Departamento de música: David Tamkin, David Tamkin e Hans J. Salter.
Elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan, Mady Christians, Marcel Journet, Art Smith, Carol Yorke, Howard Freeman, John Good, Leo B. Pessin, Erskine Sanford, Otto Waldis, Sonja Bryden; Patricia Alphin, Harry Anderson, Edit Angold, Joe Ardao, Lois Austin, Polly Bailey, John T. Bambury, George Blagoi, Betty Blythe, Walter Bonn, Sven Hugo Borg, Roy Bross, Robert W. Brown, Paul E. Burns, Douglas Carter, Donald Chaffin, Gordon B. Clarke, Edmund Cobb, Tom Costello, Ashley Cowan, Helen Dickson, Watson Downs, Tay Dunn, Al Eben, John Elliott, Bess Flowers, Charles Fogel, Edwin Fowler, Curt Furberg, Lorraine Gale, Joe Garcio, Jack Gargan, Jack George, Lisa Golm, Roy Gordon, William Gould, Ilka Grüning, William Hall, Ramsay Hill, Edna Holland, Mauritz Hugo, Doretta Johnson, Joseph Kamaryt, Elizabeth Kerr, Rex Lease, William A. Lee, Arthur Lovejoy, Celia Lovsky, Michael Mark, John C. McCallum, Betty McDonough, Frank McLure, Hal Melone, Torben Meyer, Howard M. Mitchell, Kay Morley, Leo Mostovoy, Fred Nurney, William H. O’Brien, Blanche Obronska, Manuel París, Foster H. Phinney, Joe Ploski, Jean Ransome, Peggy Remington, Bruce Riley, Paul Rochin, Countess Elektra Rozanska, Shimen Ruskin, Norbert Schiller, Bill Schroff, Scott Seaton, Irene Seidner, Jamesson Shade, Lester Sharpe, Guy L. Shaw, Walter Soderling, Pietro Sosso, Helen Spring, Lotte Stein, Hermine Sterler, Cy Stevens, Diane Stewart, Vera Stokes, Frieda Stoll, Paul Peter Szemere, William Trenk, Lisl Valetti, Roland Varno, Tyra Vaughn, William Vedder, Erich von Schilling, Max Willenz, Gabrielle Windsor, Herbert Winters, June Wood, Judith Woodbury, Jack Worth e Mary Worth.


