Resenha do filme A Vingança do Espantalho (1981, Frank De Felitta)

Acabei assistindo ao filme “A Vingança do Espantalho” (Dark Night of the Scarecrow, 1981) de maneira despretensiosa, assim que cheguei em casa – após a labuta de uma sexta-feira, 13 de junho (Dia de Santo Antônio), de 2025 – liguei a televisão e acessei o YouTube para escolher a esmo o que assistir, o site então me sugeriu este telefilme do início dos anos 1980, dirigido pelo escritor Frank De Felitta.


Assim que dei o play no vídeo, acabei sendo surpreendido pelo maneira sorrateira que o espantalho praticava a sua caçada mortal contra o quarteto assassino, inocentados pela (in)Justiça, após pipocarem de bala o inocente Bubba Ritter (Larry Drake), que disfarçado de espantalho tentou se esconder do faro dos perdigueiros.

A partir do momento que eu lí o título, imaginei de súbito que assistiria a um ser sobrenatural em forma de espantalho que correria como um louco no encalço das pessoas para matá-las com o seu afiado forcado. No entanto, assim como as vítimas, o espectador não vê em nenhum momento o espantalho em movimento, quando aparece, ele está apenas pendurado e inerte em meio a um campo de plantação aberto, fazendo o seu papel genuíno de espantalho.

Assim que o filme inicia, um certo sentimento de saudosismo se faz presente ao ouvir a narração que anuncia as empresas responsáveis pela distribuição e pela dublagem: “Uma distribuição Fox Filmes do Brasil“. E após uma pausa de segundos: “Versão brasileira Herbert Richers“. Nostalgia sentida por você que assistiu filmes nas décadas de 1980 e 1990, tanto pela televisão quanto pela famigerada fita VHS (Video Home System).

Bubba Ritter é caçado por um grupo de homens e foge em desespero para os braços da mãe (Sra. Ritter).
Após fugir desesperadamente dos homens armados, Bubba Ritter se joga em desespero nos braços de sua mãe, em seguida a Sra. Ritter tenta salvar a vida do filho.

Rebobinando e dando sequência ao que eu escrevia antes desse parágrafo de devaneio, esta produção datada da primeira metade dos anos 80, narra uma história de vingança construída em cima de um roteiro relevante quanto ao que o filme se propõe. Não classifico “A Vingança do Espantalho” como um slasher, acho um pouco distante, seria propício colocá-lo na prateleira do terror sobrenatural.

Em resumo, o espectador vai ver um filme que acrescenta ao seu enredo uma história com preconceito, ignorância e injustiça praticados covardemente contra Bubba Ritter, um homem com deficiência intelectual que tem como amiga uma criança, Marylee Williams (Tonya Crowe). A vingança entra em ação assim que Otis Hazelrigg (Charles Durning) e seus três comparsas são absolvidos e liberados da consequência de seus atos. Bubba retorna dos mortos como um espantalho, disfarce utilizado quando recebe uma saraivada de tiros.

É no mínimo estranho a semelhança do uniforme do Serviço Postal usado durante todo o filme pelo protagonista Otis com a farda de um policial, até uma espécie de capacete é visto sobre o cocuruto do sujeito. Pode ser que essa semelhança o fez acreditar ser um oficial da lei. Toda a prepotência elevada à tirania, vista por meio da interpretação de Charles Durning, dá ao ator o destaque merecido.

O que faz da direção de Frank De Felitta ser interessante é que ele não se utiliza de apelos visuais grotescos com carnes sendo dilaceradas e jatos de sangue jorrando para todos os lados. A direção sugere como se dará a morte do infeliz canalha, porém toda a parte grotesca do horror visto na morte violenta é finalizada pela imaginação do telespectador.

Otis Hazelrigg na companhia de seus homens e cachorros farejam um espantalho suspeito.
Um dos momentos mais tensos do filme é quando os dois cachorros levam Otis Hazelrigg e seus colegas armados até um espantalho suspeito.

A trilha sonora característica dos filmes de terror dos anos 80 e a locação onde o filme se passa acrescentam ainda mais ao clima nostálgico, o que contribui ainda para a construção do clima de suspense e ao terror iminente. Quanto à trilha sonora: um dos roteiristas, J. D. Feigelson, foi pessoalmente ao Texas para gravar os sons das cigarras e assim acrescentar ao som ambiente do filme. – Será que a estridulação dos grilos também foram obtidas através de gravação?

Há também a questão de ser uma história que se passa num lugar rural, os elementos utilizados em cenas abrem um leque de oportunidades quanto à criatividade, é o caso da máquina de triturar e dos imensos silos verticais utilizados para armazenar grãos, além dos campos de terra destinados às plantações e habitat do espantalho – não neste enredo, onde a vingança é o campo por onde o “homem de palha” habita.

O desfecho reserva a morte do personagem responsável por causar toda a desgraça assistida. A vingança final do espantalho utiliza como isca a pequena Marylee, a garota atrai o último calhorda ao milharal, lugar onde se depara com uma máquina assustadora que o encurrala de costas para o seu irônico destino final, encerrando com uma imagem congelada assustadora e a voz em off da meiga Marylee direcionada ao seu novo/velho amiguinho.

Inté, se Deus quiser!

 

NOTA: Nota do crítico - 3 estrelas (regular)

 

Trailer

 

Pôster

Pôster do filme "A Vingança do Espantalho" (1981).

 

Curiosidade sobre A Vingança do Espantalho

  • Além do título “A Vingança do Espantalho”, o filme também é conhecido pelos nomes “Noite Escura do Espantalho” e/ou Noite do Espantalho;
  • O roteirista J. D. Feigelson foi ao Texas e gravou os sons das cigarras para que pudessem ser usados no filme;
  • Originalmente concebido como um filme para o cinema, foi diretamente para a televisão, estreando na CBS pouco antes do Halloween de 1981;
  • O roteirista J. D. Feigelson viu o nome Otis P. Hazelrigg em uma placa e gostou tanto que o usou para o personagem principal do filme;
  • Este filme foi rodado em 17 dias. Originalmente, a previsão era de 18 dias, mas um dia foi perdido devido a um incêndio;
  • Charles Durning fez a maior parte de suas próprias acrobacias na cena de perseguição climática do filme, quando ele estava fugindo do trator. Um dublê pode ser visto em algumas fotos com o cabelo mais escuro;
  • Hazelrigg nunca é visto vestindo nada além de seu uniforme do Serviço Postal durante todo o filme;
  • Strother Martin foi originalmente escalado para interpretar o papel de Otis P. Hazelrigg, mas faleceu antes que o filme pudesse ser feito. No entanto, algumas linhas do roteiro sugeridas por Martin permaneceram no filme final, mas faladas por Charles Durning, que acabou interpretando o papel;
  • Jocelyn Brando, que interpretou a Sra. Ritter, era a irmã mais velha de Marlon Brando;
  • Todas as cenas noturnas do filme foram filmadas noite após noite;
  • Larry Drake interpreta um homem com deficiência mental chamado Bubba no filme. Na série de TV “L.A. Law” (1986), ele interpreta um homem com deficiência mental chamado Benny;
  • Em 2025, Tonya Crowe e Robert F. Lyons são os únicos dois atores principais do filme que ainda estão vivos;
  • No início do filme, Robert F. Lyons machuca a mão, girando de dor. Uma cena semelhante ocorre no início de “O Mágico de Oz” (1939), quando Ray Bolger machuca a própria mão, girando de forma muito semelhante. Nesta cena, ele interpreta o personagem Hunk antes de reaparecer no filme como o Espantalho;
  • No filme, o nome verdadeiro de Bubba é Charles Elliot Ritter;
  • Embora nunca tenha sido mencionado no filme, o primeiro nome de Philby é George (de acordo com as notas de produção do filme);
  • Uma sequência direta para vídeo, “Dark Night of the Scarecrow 2”, também escrita por J.D. Feigelson e dirigida por ele, foi lançada em 2022;
  • O número do caminhão postal 95832 é um código postal em Sacramento, CA;
  • Jacqueline Scott é vista brevemente como Sra. Hocker;
  • Três das armas vistas no filme não funcionaram quando o grupo atirou em Bubba até a morte;
  • Em uma coincidência interessante, o personagem de Lane Smith é o primeiro dos quatro homens a morrer no filme e, na vida real, Lane Smith foi o primeiro dos quatro atores que interpretam os vigilantes a morrer;
  • A voz do homem que transmite a mensagem de rádio para Harless logo após o tiroteio de Bubba é do roteirista J. D. Feigelson.

 

Ficha técnica

Diretor: Frank De Felitta.
Roteiro: J. D. Feigelson e Butler Handcock.
Produtores: Bobbi Frank, Janet Greek e Joe Wizan.
Diretor de fotografia: Vincent A. Martinelli.
Editor: Skip Lusk.
Direção de arte: Charles Zacha Jr..
Figurino: Judith Brewer Curtis e Leslie Karten.
Cabelo e maquiagem: Stephen Robinette e Jeremy Swan.
Música: Glenn Paxton.
Elenco: Charles Durning, Robert F. Lyons, Claude Earl Jones, Lane Smith, Tonya Crowe, Larry Drake, Jocelyn Brando, Tom Taylor, Richard McKenzie, Ivy Jones, James Tartan, Ed Call, Alice Nunn, John Steadman, Dave Adams, Ivy Bethune, Dennis Robertson, Jetta Scelza, Modi Frank, J.D. Feigelson, Robert J. Koster e Kevin Schumm.

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